OPINIÃO

Pio Penna Filho é professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. Graduado em História, pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), mestre em História e doutor em História das Relações Internacionais, ambos pela UnB. Atua nas áreas de História, Relações Internacionais e Segurança Internacional, nos temas: em América Latina e África. Publicou cinco livros, sendo um em coautoria com Alfredo da Mota Menezes. Possui 12 capítulos de livros publicados e 30 artigos em periódicos especializados.

Pio Penna Filho

 

A sensação que se tem no Brasil é que estamos à deriva, desgovernados, sem rumo, sem condições de retomarmos o controle da situação. O pior é que essa sensação corresponde, em grande medida, ao que de fato está acontecendo no país, em quase todos os níveis.

A política externa do governo, por exemplo, não consegue fazer nada além de administrar os assuntos corriqueiros da Chancelaria. Parece que está de mãos atadas, sem criatividade e sem iniciativas que possam produzir algum efeito positivo para o país.

A política externa de um país é o reflexo da sua política interna. Um governo fraco, acossado, perdido, não tem condições de criar uma política externa consistente e se projetar internacionalmente.

O governo da presidente Dilma Rousseff, desde o seu primeiro mandato, teve desempenho pífio em termos de relações exteriores. Para tanto, muito contribuiu o estilo de governar da própria presidente.

Desinteressada e despreparada com relação aos assuntos internacionais, a presidente praticamente tolheu qualquer possibilidade de o Itamaraty criar iniciativas interessantes para o Brasil no plano externo, enquanto ainda havia essa possibilidade.

Seu estilo foi, pode-se dizer, o oposto daquele verificado durante os dois mandatos do presidente Lula. Este soube escolher um chanceler dinâmico e com iniciativa, ao mesmo tempo que lhe outorgou grande autonomia para fazer a política externa acontecer. Havia, também, conjuntura política interna muito mais estável do que a atual.

Dilma Rousseff não exatamente escolheu mal os seus ministros das relações exteriores. Todos são diplomatas de carreira e quadros graduados do Itamaraty. O problema é que ela, a presidente, não proporcionou a eles as mínimas condições para a elaboração e execução de uma política externa ativa e altiva. O resultado é esse que todo brasileiro minimamente informado sabe: um ministério das relações exteriores sem rumo, reflexo de um governo por sua vez também sem rumo.

O Brasil, por sua dimensão e importância regional e internacional, não pode continuar assim. As trapalhadas econômicas do governo, associadas à malfadada corrupção, que se espraiou em quase todos os grandes empreendimentos estatais do país, e um projeto de poder que cegou o partido do governo (PT) para os verdadeiros interesses da Nação, são os grandes estorvos para a saída do atoleiro em que nos encontramos.

Infelizmente, todos os cenários de curto e médio prazos não são nada alvissareiros. O país enfrenta crise profunda, daquelas que não enfrentávamos há muito anos. É possível que o Brasil saia revigorado dessa crise, mas isso só o tempo dirá.


De toda forma, a sociedade está aprendendo, a duras penas, a importância de prestar atenção às promessas de políticos que, em campanha eleitoral, são capazes de tudo para alcançar o poder. Por essa ótica, se uma parcela dos eleitores for capaz de aprender a lição, talvez o futuro possa ser diferente.

Publicado originalmente no portal Gazeta Digital em 31/7/2015

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