Maristela Holanda e Letícia Leite
As competições de programação são uma tradição consolidada na área de Computação. Elas abrangem desde pequenas disputas locais até competições mundiais, reunindo representantes de diversos países em uma dinâmica semelhante à de uma Copa do Mundo, com seletivas locais, regionais, nacionais e internacionais.
A Universidade de Brasília possui uma trajetória reconhecida nessas competições, tendo representado o Brasil em diversas edições mundiais. No entanto, historicamente, os times participantes — compostos por três estudantes — são majoritariamente masculinos. Esse cenário reflete uma realidade já conhecida nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), nas quais a presença feminina ainda é reduzida, especialmente em ambientes de competição de programação.
Com o objetivo de contribuir para a transformação desse contexto, a Sociedade Brasileira de Computação (SBC) instituiu, em suas competições, um sistema de cotas, que reserva 10% das vagas, o equivalente a seis equipes, para times exclusivamente femininos. Desde a implementação desta medida, em 2024, a UnB passou a contar com um time feminino em todas as finais nacionais. Além disso, conquistou, em 2024 e 2026, o reconhecimento de melhor equipe feminina de programação da América Latina. Atualmente, esse título pertence ao time Grafo de Botas, da UnB.
Compreendendo a importância de ampliar a participação feminina nestas competições e o impacto que desta iniciativa na permanência de estudantes nos cursos de Computação, o Projeto meninas.comp criou uma frente específica voltada ao apoio de alunas interessadas em participar destes eventos. Conhecida como meninas.prog, esta frente foi criada em 2021, sob a coordenação da professora Roberta Oliveira, responsável por impulsionar a presença feminina no ambiente competitivo de programação.
O meninas.comp é um projeto de extensão da UnB voltado à inclusão de mulheres na Computação, criado em 2010 pelas professoras Aleteia Araújo, Maria Emília Walter e Maristela Holanda, do Departamento de Ciência da Computação. Atualmente, atua em diversas frentes alinhadas às demandas contemporâneas da área: Cibersegurança, Inteligência Artificial, Robótica, Jogos Digitais, Comunicação e Competições.
A primeira Competição Feminina de Programação (CFP) da UnB foi realizada em 2022 e contou com a liderança da professora Roberta e com o apoio de um grupo de estudantes. Entre elas estavam integrantes do melhor time feminino de programação da América Latina 2024, as Lenhadoras do Segtree. Desde então, a competição passou a ser realizada semestralmente, reunindo estudantes de ensino médio e do ensino superior do DF.
No dia 13 de junho, foi realizada a VIII CFP da UnB, que registrou mais de 100 inscritas e contou com a participação de 55 competidoras. Na primeira edição, em 2022, o número de participantes não chegou a 10 estudantes, ou seja, em apenas quatro anos, a competição cresceu de forma expressiva, alcançando mais de cinco vezes o quantitativo inicial de competidoras.
Além de organizar competições, a frente de programação do meninas.comp promove treinamentos voltados à estudantes do ensino médio, de escolas públicas e privadas. Nessas ações, as próprias estudantes campeãs da UnB atuam como instrutoras, compartilhando conhecimentos em programação e suas trajetórias acadêmicas com meninas da educação básica.
A UnB possui diferenciais importantes nesse processo. Um dos principais é a colaboração entre os times masculino e feminino, envolvendo tanto docentes quanto estudantes. Professores do CIC, FCTE e IFB atuam no fortalecimento da inclusão de alunas nas maratonas de programação. A iniciativa também conta com o apoio dos estudantes da UnBalloon, equipe de programação CIC/UnB, que colaboram ativamente na organização das competições e em atividades de treinamento.
Outro diferencial da CFP da UnB é a construção de um ambiente acolhedor e inclusivo para as participantes. Além da competição em si, a programação contempla momentos de integração, atividades lúdicas, distribuição de brindes e oportunidades de convivência, contribuindo para fortalecer o sentimento de pertencimento das estudantes ao universo da Computação.
Enfim, o meninas.comp acredita que competição de programação também é coisa de meninas.
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