A Universidade de Brasília (UnB) participou do Fórum de Reitores Brasil-África, encontro que reuniu dirigentes de universidades brasileiras e africanas para debater cooperação acadêmica, ciência, internacionalização e os desafios compartilhados pelos países do Sul Global. O evento, promovido pelo Ministério da Educação (MEC), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), ocorreu de segunda (25) a quarta-feira (27), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB).
Representando a UnB, a reitora Rozana Reigota Naves apresentou, na quarta (27), a conferência UnB e África: soberania e inovação no Sul Global, destacando iniciativas de cooperação internacional, diplomacia acadêmica e fortalecimento das relações entre a Universidade e instituições africanas.
A atividade foi parte de painel sobre propostas para relações acadêmicas entre Brasil e países africanos e contou também com a participação da reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Raiane Patrícia Severino Assumpção; do reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão; do vice-reitor da Universidade de Lagos, Foluso Ebun Afolabi Lesi; e da vice-reitora da Universidade de Dschang, em Camarões, Sylvie Léa. Após as apresentações, o encontro foi aberto para contribuições do público e debate entre participantes.
Durante sua fala, Rozana Naves destacou o papel estratégico da ciência, da cultura e da produção de conhecimento para o fortalecimento da soberania científica e tecnológica dos países do Sul Global. A reitora apresentou dados sobre a presença internacional da Universidade e as ações voltadas à cooperação com países africanos.
Atualmente, a UnB mantém 76 colaborações ativas com instituições africanas, envolvendo diferentes áreas do conhecimento, grupos de pesquisa, programas acadêmicos e iniciativas institucionais. A Universidade também participa de programas como o de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) e o de Pós-Graduação (PEC-PG), e o Capes Move África, que fortalecem trajetórias acadêmicas, redes de pesquisa e vínculos duradouros entre Brasil e África.
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Entre 2022 e 2024, a UnB registrou crescimento de 83% no ingresso de estudantes estrangeiros. Hoje, a Universidade reúne mais de 500 estudantes internacionais regulares, dos quais 80 são oriundos de países africanos.
A reitora também ressaltou iniciativas institucionais voltadas à valorização da cultura e da presença africana na Universidade, como a Semana da África e o Centro de Convivência Negra Lélia Gonzalez. “Precisamos também falar de cultura, de desenvolvimento artístico e linguístico, de memória, de patrimônio, de comunicação da diáspora africana”, afirmou Rozana Naves durante o encontro.
Ela destacou ainda o papel da Universidade na formação de diplomatas africanos e no fortalecimento das relações multilaterais. “Temos cooperado com o Instituto Rio Branco na formação em português para diplomatas africanos, o que fortalece também a dimensão da nossa presença, dos nossos países, na CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] e as nossas relações com a União dos Países Africanos no Brasil”, declarou. Desde 2015, mais de 200 diplomatas africanos foram formados em português pela UnB.
Ao apresentar os dados de cooperação internacional, Rozana Naves observou que a internacionalização da Universidade ainda reflete uma concentração histórica de acordos no eixo europeu, que representa cerca de 50% das parcerias internacionais da instituição. Segundo a reitora, o compromisso da Universidade é ampliar a cooperação científica multilateral, fortalecendo relações com países da África, da Ásia e da América Latina.
ENCERRAMENTO – A programação da primeira edição do fórum foi concluída com a leitura da Carta de Brasília, documento em defesa do fortalecimento das redes de pesquisa, da mobilidade acadêmica presencial e virtual, da formação de professores e da produção compartilhada de conhecimento entre Brasil e países africanos. A manifestação coletiva também reiterou o interesse em ampliar a atuação científica em áreas estratégicas e em tornar o fórum um espaço permanente de diálogo e de cooperação acadêmica entre Brasil e o continente africano.
