OPINIÃO

Ivan Marques de Toledo Camargo é professor do Departamento de Engenharia Elétrica. Graduado em Engenharia Elétrica pela UnB, mestre e doutor em Génie Electrique - Institut National Politechnique de Grenoble (França). Foi reitor da Universidade de Brasília, decano de Ensino de Graduação/UnB, superintendente de Regulação do Serviço de Distribuição e assessor da Diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), presidente da Sociedade Brasileira de Planejamento Energético e editor da Revista Brasileira de Energia. Tem experiência nas áreas de Energia Elétrica e Regulação. Atua nos temas: Reestruturação do Setor Elétrico, Regulação do Setor Elétrico e Energia, Máquinas Elétricas, Estabilidade de Sistemas, Geração de Energia e Regulação de Mercados de Energia.

 

Ivan Camargo

 

Em 1978, calouro na UnB, participei do campeonato de futebol de salão da Elétrica. O goleiro de um dos times adversários era uma figura alegre, comunicativa e, mesmo não sendo muito alto, cumpria bem a sua missão de retaguarda. Ficamos amigos e nos formamos juntos em 1982.

Algum tempo depois, quando voltei do meu doutorado, meu colega atleta me procurou para pedir referências na França. Queria fazer o seu doutorado. Acabou sendo orientado e fazendo um belíssimo trabalho com o mesmo orientador, professor Poloujadoff.

Naquela época, havia carência de professores doutores na área de sistemas elétricos e o caminho natural do meu amigo foi prestar concurso para a UnB. Entrou em 1996 e, desde o seu ingresso, compartilhamos a mesma sala.

Muito mais do que a sala, compartilhamos a nossa vida acadêmica. Não lembro de ter publicado algum artigo sem a sua coautoria. Desenvolvemos projetos, organizamos cursos, participamos de congressos, redefinimos linhas de pesquisa e orientamos, juntos, dezenas de alunos.

Sua participação era garantia de trabalho bem feito. Além de muito organizado, era disciplinado e tinha um bom texto. Dava consistência e precisão às nossas elucubrações teóricas. Logo assumiu a chefia do departamento. Uma gestão exemplar. Os colegas, professores e servidores, queriam que o mandato de chefe passasse a ser vitalício.

Quando a nossa fundação de apoio (Finatec) entrou em crise, precisávamos de um diretor, acima de qualquer suspeita, para colocar ordem na casa. Ele foi convocado e cumpriu, como ninguém, mais essa missão.

Antes de ousar sair candidato à reitoria, o consultei para ter a certeza de que ele iria comigo. Foi o melhor prefeito que o campus da UnB já teve. Reorganizou contratos, redefiniu tarefas, radicalizou na fiscalização. Os resultados que ele obteve no mandato foram impressionantes: reduziu o consumo de água, dividiu por cinco a conta telefônica e colocou ordem no serviço de manutenção. Tudo isso sem perder a magia do seu sorriso e a forma carinhosa de tratar com as pessoas.

Nos últimos meses, acompanhei a sua doença. Não perdeu o otimismo e bom humor mesmo quando os resultados dos exames eram os mais desfavoráveis.

Hoje, perdemos a sua companhia. Fica conosco o exemplo do excelente professor, do amigo carinhoso, do competente profissional. A Universidade de Brasília vai sentir falta do grande professor Marco Aurélio Gonçalves de Oliveira. Nós, os velhos amigos, vamos sentir saudade do MAGO.