CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Convênio da Universidade com a ABDI apoia o desenvolvimento de teste simples, rápido e de baixo custo para ampliar a segurança do consumidor

Tecnologia desenvolvida no Instituto de Química é capaz de detectar presença de metanol em minutos. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB



A Universidade de Brasília deu mais um passo importante na aproximação entre ciência e proteção da sociedade. A instituição celebrou semana passada, em cerimônia no Instituto de Química (IQ), a assinatura de convênio com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para o desenvolvimento e a validação de um dispositivo de análise rápida capaz de identificar a presença de metanol em bebidas alcoólicas.

A reitora Rozana Naves destacou a relevância da parceria com a ABDI para o fortalecimento da pesquisa aplicada e da inovação no país. Ela ressaltou o papel da universidade pública na produção da maior parte da ciência desenvolvida no Brasil, a importância da boa aplicação dos recursos públicos e a necessidade de aproximar o conhecimento acadêmico das demandas reais da sociedade.

A reitora também enfatizou que iniciativas como essa reforçam a credibilidade das instituições públicas de ensino superior e demonstram a capacidade da UnB de responder, de forma ágil, a desafios sanitários, tecnológicos e sociais. “A assinatura do convênio, para nós, é uma grande oportunidade de contribuir com esse ecossistema de produção industrial. A maior parte dos projetos que desenvolvemos é realizada com recursos públicos, e a transparência e os mecanismos que temos construído têm assegurado muita qualidade no investimento público”, disse Rozana Naves.

Convênio é apontado como demonstração de resposta da academia às demandas da sociedade. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB



O presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, pontuou a agilidade da parceria com a Universidade de Brasília e a importância de unir a inteligência da universidade às demandas concretas da sociedade e do setor produtivo. “Quando a gente junta os desafios reais da sociedade com a inteligência que está presente na universidade, a pesquisa vira solução concreta, gera desenvolvimento e protege as pessoas.”

Também participaram da cerimônia o diretor-presidente da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), Daniel Rosa, e o diretor do Instituto de Química, Marcos Juliano Praichner.

PARCERIA E INVESTIMENTO – O acordo tem como objetivo apoiar pesquisas aplicadas que resultem em uma tecnologia simples, acessível e de baixo custo, voltada à prevenção de intoxicações causadas pela ingestão de bebidas adulteradas. O metanol é uma substância altamente tóxica, associada a casos de cegueira, danos neurológicos e até mortes, o que torna a detecção rápida um fator essencial para a segurança do consumidor.

Com vigência inicial de 12 meses, o convênio prevê investimento total de R$ 382,2 mil. Desse montante, cerca de 88,7% dos recursos são aportados pela ABDI, enquanto a UnB entra com contrapartida econômica correspondente a 11,3%. A execução do projeto ficará sob responsabilidade da Universidade, que também deterá integralmente os direitos de propriedade intelectual sobre os resultados gerados.

O projeto será desenvolvido no Laboratório de Bioprocessos, Materiais e Combustíveis (LMCerva/IQ), que reúne experiência acumulada no desenvolvimento de métodos colorimétricos para identificação de substâncias químicas. A tecnologia permite a detecção visual do metanol a partir da mudança de cor de reagentes específicos, com resultado em poucos minutos, inclusive em bebidas açucaradas, escuras ou gaseificadas.

Investimento é de R$ 382 mil e tem vigência inicial de 12 meses. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB


Além do aprimoramento do método químico, o projeto contempla estudos para otimização dos reagentes, testes comparativos, produção de lote piloto e elaboração de material orientativo simplificado. Também estão previstas ações de prospecção de mercado, com foco na futura aplicação da tecnologia em ações de fiscalização, estabelecimentos comerciais e, potencialmente, no uso direto pelo consumidor.

A iniciativa baseia-se em pesquisas desenvolvidas há mais de uma década na Universidade, inicialmente voltadas ao combate à adulteração de combustíveis, que foram adaptadas para o contexto das bebidas alcoólicas diante do aumento de registros de intoxicação por metanol no país.

TECNOLOGIA – O técnico em laboratório do Instituto de Química da UnB e pesquisador do projeto David Pinho explicou que o dispositivo foi pensado para ser simples, rápido e acessível ao público em geral, permitindo a realização do teste no próprio local de consumo. “São três passos: você adiciona o primeiro reagente, depois o segundo e, por fim, o terceiro. Se tiver metanol, a bebida fica rosa. Se não tiver, permanece incolor”, completou.

A doutoranda do IQ e pesquisadora do projeto Sandy Chaves, destacou o trabalho de adaptação científica que permitiu transformar a tecnologia originalmente voltada para combustíveis em um teste mais rápido, sensível e aplicável a diferentes tipos de bebidas alcoólicas. “O teste que era usado para combustível demorava de dez a 40 minutos e detectava concentrações altas. Em poucos meses, conseguimos reduzir esse tempo para até três minutos, aumentar a sensibilidade e tornar o método aplicável a qualquer tipo de bebida.” 

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