A Universidade de Brasília recebeu a Reunião Técnica Retratos Regionais da Saúde da Pessoa Idosa no Brasil: Evidências para a Atualização de Políticas Públicas. O encontro ocorreu na quarta-feira (10), no Auditório da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), e reuniu pesquisadores, gestores e representantes institucionais para a apresentação dos resultados de uma pesquisa nacional conduzida pelo Grupo de Pesquisa Envelhecer Cotidiano, em parceria com o Ministério da Saúde. O estudo integra termo de execução descentralizada de 2023 (TED 154/2023) e busca contribuir diretamente para a revisão da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI).
Na abertura do evento, a reitora Rozana Naves pontuou a relevância do trabalho para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à população idosa e destacou o papel da UnB na produção de conhecimento comprometido com a realidade do país. Ela explicou que a pesquisa ajuda a compreender os desafios do envelhecimento no Brasil e a construir respostas institucionais mais sensíveis às necessidades da sociedade. “O Brasil é esse país que vem envelhecendo e precisa desenvolver suas políticas de proteção, de qualidade de vida das pessoas idosas, mas sobretudo uma perspectiva intergeracional, que é própria da universidade”, disse.
O secretário-adjunto de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Ilano Almeida Barreto e Silva, reforçou a necessidade dos dados apresentados para qualificar o debate e orientar decisões no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele também lembrou da parceria construída ao longo do tempo entre o ministério e a UnB, que possibilitou, entre diversas ações, a realização da pesquisa. “O projeto sobre a saúde da população idosa traz elementos fundamentais para a gente refletir a política pública”, afirmou. Todos os resultados estão em posse do MS para o desenvolvimento de políticas e possíveis divulgações.
À frente da coordenação do estudo, a professora Leides Barroso Azevedo Moura, do Departamento de Enfermagem (ENF), chamou atenção para o caráter coletivo e territorial da pesquisa. Segundo ela, o trabalho foi construído a partir da escuta direta de pessoas idosas em diferentes regiões do país, em diálogo constante com equipes técnicas e parceiros institucionais. “É uma pesquisa que vem do chão, das pessoas que falam do chão do território, do chão onde o ato político do existir está acontecendo”, disse.
A investigação realizou uma análise Ex-ante da política, ou seja, um estudo feito antes da implementação ou atualização das diretrizes, com o objetivo de identificar problemas, necessidades e desafios a partir da realidade vivida nos territórios. Para isso, foram coletados dados nas cinco regiões brasileiras, ouvindo usuários idosos do SUS, gestores, profissionais de saúde, especialistas em envelhecimento e representantes de conselhos.
A metodologia combinou levantamento do tipo survey, rodas de conversa e escuta social estruturada, permitindo reunir números, percepções e experiências concretas sobre o cuidado à pessoa idosa no Sistema Único de Saúde.
Ao longo do dia, mesas temáticas aprofundaram o desenho metodológico e apresentaram os principais achados da pesquisa. Entre os resultados, estão informações sobre o perfil das pessoas idosas atendidas pelo SUS, os desafios de acesso e a integralidade dos serviços, além das desigualdades regionais que impactam a implementação das políticas públicas.
O evento marcou ainda a apresentação dos produtos finais do estudo, como a árvore de problemas que orienta objetivos e diretrizes da política, o levantamento de alternativas de solução e o Caderno de Constructos, documento que organiza conceitos e termos-chave para apoiar a formulação das novas diretrizes de saúde da pessoa idosa.
