OPINIÃO

Paulo Cesar Marques da Silva é professor adjunto da Universidade de Brasília. Possui graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal da Bahia (1983), mestrado em Engenharia de Transportes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992) e doutorado (2001) em Transport Studies pela University of London (University College London).

Paulo Cesar Marques da Silva

 

Há não muitos anos, à mesa de um debate sobre políticas de mobilidade no Distrito Federal, fui provocado por um então subsecretário, que cobrava o engajamento da Universidade de Brasília na solução dos problemas da cidade. Na ocasião, esse burocrata encontrava-se entre os promotores da contratação de uma famosa consultora estrangeira para formular um plano de desenvolvimento para o DF. Usei esse fato para responder que a UnB estava sempre à disposição para contribuir e lamentei que governantes por vezes preferissem recorrer a alternativas extravagantes a firmar parcerias com a prata da casa. Em seguida, olhei para os lados e completei a resposta, destacando que nossa mais visível contribuição para a sociedade estava refletida naquela mesa: todos os demais especialistas convidados para o evento, sentados ali a meu lado, eram egressos da UnB.

 

Continuo acreditando que é quando reconhece os profissionais formados por ela que a cidade compreende mais claramente a relação que tem com sua irmã caçula. Aquela espécie de orgulho que irmãos mais velhos sentem pelos feitos dos mais novos. Passar pela UnB deixa essa marca indelével nas pessoas que Brasília gosta de apresentar como filhas, ainda que não tenham nascido aqui. (Talvez por isso seja tão importante para os estabelecimentos de ensino médio da cidade estamparem como medalhas olímpicas o desempenho de seus alunos no PAS ou no vestibular da UnB.) Porém, embora formação profissional e humanística possa ser mais visível, está longe de ser o único laço entre as duas irmãs.

 

Nos últimos dez anos, tem surgido também com muita intensidade uma outra forma de manifestar esse orgulho familiar: a presença física da UnB onde as pessoas vivem de fato. Esse sentimento já aparecia, por exemplo, quando os moradores de Ceilândia diziam simplesmente “UnB” quando se referiam a seu pioneiro Núcleo de Práticas Jurídicas. O mesmo sempre ocorreu com outras instalações pontuais de ações e projetos da Universidade, mas é agora muito mais forte quando a população de Planaltina, do Gama e da própria Ceilândia falam dos campi erguidos no esforço de expansão da Universidade pelo território do DF.

 

Há, no entanto, uma outra forma de presença da UnB no dia a dia da cidade, tão natural que talvez seja menos evidente. Falo de ações de pesquisa e extensão, prestações de serviços, cooperações técnicas com empresas e órgãos públicos, e mais uma infinidade de formas de atuação tão capilarizadas que podem passar despercebidas a olhos menos atentos. Por isso é tão importante trazer à tona essas iniciativas, em momento de tantos ataques à produção de conhecimento e tentativas de desgaste da imagem das instituições que cuidam de educação pública, ciência, tecnologia, arte e cultura.

 

Com essa preocupação, foi extremamente alvissareira a realização, na semana passada, da 19ª edição da Semana Universitária, que povoou os campi da UnB principalmente com estudantes da educação básica. Foi um sucesso que, ao mesmo tempo, lançou o desafio de superá-la com a edição do ano em que a irmã mais velha completará 60 anos. E, com o mesmo espírito, o Conselho Universitário aprovou por unanimidade a proposta da Associação dos Docentes (ADUnB), de dedicar esta semana a promover a visibilidade da UnB. Há várias atividades em curso e a semana será encerrada na manhã do sábado, dia 5, com mais uma edição, a quarta, do projeto UnB Perto de Você.

 

Dessa vez, o UnB Perto de Você ocorrerá no Estacionamento 13 do Parque da Cidade. Além dos estandes em que a Universidade mostra ao público projetos de extensão, teremos apresentações de músicos e outros artistas da UnB. Um encontro entre irmãs que será uma bela maneira de celebrar a chegada da Primavera!

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