OPINIÃO

 

Lucas Magedanz é mestre em Tecnologias de Saúde. Farmacêutico da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Presidente da Regional do Distrito Federal da Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica (SBFC).

 

 

 

Dayani Galato é docente do Curso de Farmácia e do Programa de Pós-Graduação em Ciências e tecnologias da Saúde da Faculdade de Ceilândia Universidade de Brasília. Membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica (SBFC).

Lucas Magedanz e Dayani Galato

 

Durante o processo de cuidado, os pacientes podem, eventualmente, sofrer eventos adversos, ou seja, complicações não intencionais decorrentes da assistência, e não da evolução natural da doença base. A literatura acumula relatos sobre esses acontecimentos, descrevendo as causalidades e consequências não somente ao paciente, mas também aos profissionais de saúde envolvidos – a segunda vítima. Frequentemente esses eventos estão relacionados ao uso de medicamentos. Para intervir nesse cenário, movimentos de caráter multiprofissional em prol da segurança do paciente são fundamentais.

 

No Distrito Federal, a incorporação do farmacêutico clínico na equipe de saúde de unidades de terapia intensiva dos hospitais públicos foi estimulada no “Plano de enfrentamento da resistência bacteriana nas áreas críticas dos hospitais públicos do GDF”, publicado em 2015. A partir dele, a Diretoria de Assistência Farmacêutica (DIASF) da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES/DF) publicou a Portaria 187, de 23 de julho de 2015, que criou o Serviço de Farmácia Clínica em todos os serviços de saúde que demandassem a atuação do farmacêutico clínico. Desde então, o serviço foi implantado nos 15 hospitais públicos da SES/DF, sendo executado pelos Núcleos de Farmácia Clínica (NFCs).

 

A avaliação da implantação do Serviço de Farmácia Clínica desenvolvido em hospitais públicos da SES/DF foi tema de defesa de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciências e Tecnologias da Saúde da Faculdade de Ceilândia, apresentado no início deste ano. O estudo destacou o ineditismo da implantação do serviço em uma rede composta por hospitais de diversas especialidades, apresentando os indicadores das intervenções farmacêuticas nos três primeiros anos do serviço, de 2016 a 2018. A pesquisa também contemplou a descrição da estrutura e das atividades que compõem serviço, verificou a opinião dos profissionais da equipe de saúde e identificou as facilidades e os desafios para o exercício da atividade sob a perspectiva do farmacêutico.

 

Cerca de 30 farmacêuticos clínicos atuavam nos NFCs durante o período do estudo realizando atividades como a conciliação farmacêutica, o acompanhamento do paciente na visita multiprofissional, a evolução farmacêutica, a orientação da alta e o desenvolvimento de estratégias de educação em saúde tanto para o paciente como para os profissionais.  Só em 2018, o serviço realizou mais de 37 mil revisões de prescrição, que desencadearam mais de 12 mil intervenções farmacêuticas, com uma taxa de aceitação superior a 80%. O serviço foi positivamente avaliado pela maioria dos profissionais da equipe de saúde em pesquisas de opinião, sendo que a implantação e coordenação centralizada pela Diretoria de Assistência Farmacêutica (DIASF/SES/DF) foi um dos pontos fundamentais para o sucesso da implantação segundo os próprios farmacêuticos.

 

A assistência à saúde é um dos pilares das políticas sociais, junto com a educação e a segurança, e o desenvolvimento de ações multiprofissionais que promovam a segurança e a otimização dos recursos (profissionais, assistenciais e financeiros) são fundamentais. No século XVI, o médico e físico Paracelso já alertava que “a diferença entre remédio e veneno é a dose”; nessa perspectiva, as atividades clínicas do farmacêutico, que contribuem para a identificação e resolução de problemas envolvendo os medicamentos e melhoram os resultados terapêuticos, devem ser estimuladas.

ATENÇÃO – O conteúdo dos artigos é de responsabilidade do autor, expressa sua opinião sobre assuntos atuais e não representa a visão da Universidade de Brasília. As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seu conteúdo.