OPINIÃO

Rafael Amaral Shayani é professor do Departamento de Engenharia Elétrica, da Universidade de Brasília. Graduado em Engenharia Elétrica – ênfase Energia e
Automoção – pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor na mesma área pela UnB. Tem experiência com Fontes Renováveis de Energia, atuando em energia solar fotovoltaica.

Rafael Amaral Shayani

 

A pandemia criou uma situação única! O mundo como o conhecemos mudou, e nossa postura nas aulas, tanto de professor quanto de estudante, também devem mudar para uma nova realidade. Esse é o momento de explorarmos conceitos fundamentais e aspirações audazes! Não devemos simplesmente migrar as aulas expositivas, onde o professor é o personagem principal, para o ambiente virtual, mas sim considerar esse novo contexto em que vivemos e colocar os alunos como potenciais protagonistas e desbravadores das soluções que a sociedade necessita, equipados com o conhecimento que aprendem em cada uma das disciplinas.

 

Longe de ver o período atual como simplesmente um hiato a que se deva resignar com paciência, devemos reconhecer que a condição do mundo tornou mais urgente a necessidade de se prestar serviços significativos à humanidade. De que modo o conhecimento que ensinamos na universidade pode ser utilizado, de forma mais direta e aplicada, para prover soluções que aliviem o sofrimento da sociedade?

 

Um sentimento de extraordinária solidariedade está sendo nutrido ativamente entre pessoas que vivenciam as mesmas preocupações causadas pela pandemia. Uma nova consciência sobre a desigualdade social aflorou, ao constatarmos que nem todos tem as condições mínimas para se proteger do Coronavírus. Por exemplo, como fazem para lavar as mãos diversas vezes aos dias as comunidades que não possuem água encanada? Há soluções de engenharia para fornecer energia limpa e renovável para bombeamento de água, por exemplo. É uma aplicação prática das disciplinas que estudantes de engenharia encontram no curso e que, quando colocadas em prática, ajudam a salvar vidas!

 

Este é um tempo para objetivos nobres, elevada determinação e intenso esforço. Devemos fortalecer nossa resiliência para desafios grandiosos e fazer uma contribuição construtiva aos afazeres humanos. Precisamos possibilitar que os estudantes visualizem a aplicação prática por trás de toda a teoria que ensinamos, para que sejamos capacitados a propor soluções para os problemas que se apresentam diante de nós. O estudo universitário não deve ser um fim por si só, mas um meio de melhor nos prepararmos para servir à humanidade. Essa deve ser a motivação de cada estudante para se dedicar aos estudos com afinco e alegria.

 

Todos os estudantes devem ser convidados a pensar sob essa ótica e, quando da retomada das aulas em formato remoto, se engajar com renovada motivação nas disciplinas, sempre tentando associar o conteúdo ministrado com uma aplicação prática que possa contribuir para a melhora do mundo. Esse deve ser o diálogo principal entre professor e estudante, e que pode ocorrer sem dificuldade de forma virtual.

 

A sociedade precisa de novas ideias de como retomar as atividades de forma mais justa, humana e sustentável. Com certeza, as ideias inovadoras da nova geração de profissionais, atuais estudantes universitários, serão muito importantes para modelar o futuro.

 

 

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