OPINIÃO

Gabriel Medina é professor associado da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília (FAV/UnB). Licenciado pleno em Ciências Agrárias (2001), com mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Possui doutorado em Ciências Naturais (2008) pela Universidade de Freiburg, na Alemanha, com título revalidado como doutor em Ciências Agrárias, e pós-doutorado em Políticas Ambientais (2014) pelo Imperial College London, no Reino Unido. É professor nos programas de Pós-Graduação em Agronegócios da UnB e da Universidade Federal de Goiás (UFG).

 

Gabriel da Silva Medina

 

Brasil perde participação no agronegócio da soja.  

 

A participação das empresas brasileiras na cadeia produtiva da soja produzida no Brasil caiu de 40% em 2015 para 34,6% em 2020. Neste período, houve mudanças na participação dos grupos domésticos nos segmentos de sementes (de 16,5% para 8,7% do mercado), de fertilizantes (de 33,5% para 19,2%), de agrotóxicos (de 4,3% para 5,8%), de máquinas (de 1,9% para 0,2%) e de agroindústria (de 30,7% para 16,1%).

 

Grupos brasileiros têm baixa participação em segmentos de maior tecnologia e que melhor remuneram capital e trabalho. Segmentos como sementes, agrotóxicos e máquinas agrícolas são praticamente controlados por multinacionais estrangeiras. A participação doméstica segue concentrada no segmento de produção agrícola primária feita nas fazendas. Apenas no segmento de agrotóxicos houve aumento do market share de empresas brasileiras nos últimos cinco anos.

 

A ampliação da participação brasileira no agronegócio feito no Brasil requer uma política agroindustrial em favor dos empreendedores locais. Esta estratégia implica ir além da visão atual de competitividade baseada na expansão da produção agropecuária para novas fronteiras agrícolas pela redução do Custo Brasil. O futuro do agronegócio brasileiro passa pela construção de uma estratégia de integração do capital doméstico ao longo dos segmentos agroindustriais a montante e a jusante da produção agropecuária.

 

Os resultados do estudo estão disponíveis no artigo Economia do agronegócio no Brasil: Participação brasileira na cadeia produtiva da soja entre 2015 e 2020. O artigo é de autoria do professor Gabriel Medina que atua no Programa de Pós-graduação em Agronegócios (Propaga), da Universidade de Brasília (UnB). O artigo foi aprovado para publicação na revista científica Novos Cadernos NAEA.

ATENÇÃO – O conteúdo dos artigos é de responsabilidade do autor, expressa sua opinião sobre assuntos atuais e não representa a visão da Universidade de Brasília. As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seu conteúdo.