OPINIÃO

Kelly Grace Magalhães é coordenadora do Laboratório de Imunologia e Inflamação do Instituto de Biologia da Universidade de Brasilia. Bióloga, realizou aperfeiçoamento científico em Biologia Molecular pelo Centro de Pesquisas René Rachou - Fiocruz (2002), mestrado em Biologia Celular e Molecular pela Fundação Oswaldo Cruz (2005) e doutorado em Biologia Celular e Molecular pelo Instituto Oswaldo Cruz - Fiocruz com doutorado sanduíche pela Harvard Medical School (2009). 

 

Kelly Grace Magalhães

 

A obesidade é um dos maiores fatores de risco de agravamento da covid-19. Entretanto, ainda não se sabe totalmente por que e como isso ocorre. Nossa pesquisa aponta que pacientes com obesidade apresentam alteração nas vias de coagulação sanguínea, a hipercoagulação.

 

Ou seja, apresentam maior tendência em formar coágulos sanguíneos e formar trombos, os quais estão relacionados aos quadros graves com alta mortalidade por covid-19. Além disso, o tecido adiposo dos pacientes com obesidade é extremamente inflamado, com alta produção de moléculas inflamatórias, as quais também estão relacionados a um quadro grave da doença e a altos índices de internação com ventilação mecânica e morte.

 

Nosso grupo de pesquisa publicou artigo científico por meio do qual propomos como e por que pacientes obesos apresentam grande possibilidade de desenvolver formas graves da covid-19, com maior probabilidade de ir a óbito por essa doença. Estudos indicam que o risco de morte por covid-19 é 10 vezes maior em pessoas com obesidade (aquelas que apresentam índice de massa corporal maior que 30).

 

As chances de agravamento e internação em UTIs é cerca de 74% maior em pessoas com obesidade. É importante ressaltar que o tecido adiposo apresenta expressão do receptor celular de entrada do vírus Sars-Cov-2, o ACE-2, e, desta forma, o tecido adiposo funciona como um reservatório para replicação viral. Atualmente, coordeno um grupo de pesquisa no Distrito Federal que investiga quais são os marcadores moleculares de coagulação sanguínea e inflamação mais frequentes nos pacientes obesos com covid-19 em vários hospitais do DF.

 

A identificação desses marcadores de hipercoagulação sanguínea e de inflamação mais precocemente pode auxiliar o tratamento médico desses pacientes. Além disso, estamos investigando como o vírus da covid-19 se aloja e se beneficia do tecido adiposo de pessoas com obesidade.

 

O uso precoce de anticoagulantes como a heparina e anti-inflamatórios específicos deve ser de especial importância nos pacientes com obesidade acometidos pela covid-19, podendo diminuir significativamente os índices de mortalidade neste grupo.

 

A obesidade faz com que, mesmo pessoas bem mais jovens, entre 20 e 40 anos, apresentem altos índices de agravamento, internação com ventilação mecânica e óbito por covid-19. 

 

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Publicado originalmente no Correio Braziliense em 15/03/2021.

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