OPINIÃO

Eduardo Oliveira Soares é doutor em Arquitetura e Urbanismo e servidor da Universidade de Brasília. Possui mestrado em Arquitetura e Urbanismo (2013) e especialização em Reabilitação Ambiental Sustentável Arquitetônica e Urbanística (2009) também pela UnB. É graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Pelotas/UFPEL (1995).(https://linktr.ee/eduares)

Eduardo Oliveira Soares

 

Em 2020, a pandemia de coronavírus alterou bruscamente a rotina das cidades. Para grande parte da comunidade, a prosaica ida aos campi da Universidade de Brasília tornou-se lembrança de um passado cada vez mais distante. Porém, mesmo sendo somente uma fração do que ocorria na antiga normalidade, a movimentação nos territórios físicos da Universidade continua.


Ao visitar o Campus Universitário Darcy Ribeiro, passado o desconforto e melancolia causados pela ausência das milhares de pessoas que por ele circulavam, percebe-se que ainda há muita vida por lá. As incansáveis equipes de limpeza, jardinagem e manutenção parecem correr para deixar tudo pronto para uma iminente retomada das atividades presenciais. Contudo, na atualidade já percebemos que o tempo tem seus caprichos e a decisão sobre a imediata volta presencial pode ocorrer tanto de um dia para o outro, como somente após, algumas semanas. Ou, talvez, meses ou anos. Somos todos reféns dessa constante expectativa.


Enquanto isso, é possível, eventualmente, dar um rolê no Campus Darcy, observando e valorizando mais ainda o que parecia banal no antigo dia a dia de quem o frequentava. As fartas áreas verdes com suas árvores que pincelam diferentes cores ainda estão lá. E continuam servindo como locação para ensaios fotográficos. A relevante arquitetura também permanece impressionando os visitantes com a sua qualidade e variedade de linguagens. Nas calçadas, é comum encontrar pessoas se exercitando, caminhando ou correndo nessa cidade universitária (quase) fantasma.


Há novidades também. O totem de identificação turística sobre a Legião Urbana, instalado na Colina, lembra que a UnB também sedia e cria música urbana. O recente jardim sequeiro, no Minhocão, apresenta um paisagismo mais próximo da paisagem do cerrado. E a Praça Solar, junto ao Amarelinho Centro, cria um local para recarregar – com eficiência – as energias.


O território universitário físico também é observado, avaliado e assimilado por suas representações, como as fotografias. E, mais especificamente, pelas narrativas fotográficas nas redes sociais. A diversidade das abordagens de cada perfil das redes sociais garante riqueza na reinterpretação dos espaços. Um modo de conhecer ou matar as saudades do Campus Universitário Darcy Ribeiro é ver e rever fotografias publicadas em redes sociais como as da Secretaria de Comunicação (Secom) da UnB. Aliás, esse foi o tema da minha tese (1). A partir de uma abordagem relacionada ao patrimônio, pode-se perceber nas fotografias publicadas nas redes sociais da UnB a interação entre a arquitetura e as áreas livres que destaca tanto elementos e materiais da construção, quanto a natureza. Estrutura, concreto, jardins, céu e sol, imiscuídos, formam o Campus Darcy.


Há algumas alternativas a essa abordagem institucional sobre o Campus Universitário Darcy Ribeiro. O perfil UnB Sincera  traduz em fotografias, memes e textos o espírito universitário. A interconexão entre este território virtual e o território físico, viabiliza, inclusive, acalorados debates sobre o que ocorre no Campus neste período de infindável afastamento social (físico).


A atividade de circular diariamente pelo Campus Darcy acabou ficando restrita a quem desenvolve alguma atividade profissional ou acadêmica que exija a presença física por lá. Fora isso, há as visitas ocasionais, as caminhadas para se exercitar, o desviar do caminho para cruzar esse campus que está na memória e na história de muita gente. A alternativa ao distanciamento físico pode ser a navegação por meio dos mais díspares perfis sobre os territórios da UnB. Perfis que na sua multiplicidade de postagens e de comentários relembram o quão diverso e necessário é o ambiente universitário.


Seja no território físico ou no virtual, um dia haveremos de nos encontrar por lá.

 

*Referência:

(1) SOARES, Eduardo Oliveira. Tempos e territórios transluzidos: narrativas fotográficas instantâneas nas redes sociais sobre o Campus Universitário Darcy Ribeiro. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo). Brasília: FAU UnB, 2021. 

 

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