OPINIÃO

Isaac Roitman é doutor em Microbiologia, professor emérito da Universidade de Brasília, coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro (n.Futuros/Ceam/UnB), membro titular de Academia Brasileira de Ciências. Ex-decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, ex-diretor de Avaliação da Capes, ex-coordenador do Grupo de Trabalho de Educação, da SBPC, ex-subsecretário de Políticas para Crianças do GDF. Autor, em parceria com Mozart Neves Ramos, do livro A urgência da Educação.

Isaac Roitman

 

No final de setembro de 2021, 400 jovens, selecionados pela Organização das Nações Unidas, representando 200 países, se reuniram em Milão, na Itália, para elaborarem um posicionamento sobre a emergência climática e quais ações devem ser priorizadas. Os jovens pedem aos líderes mundiais que “acordem” para a crise climática.


A jovem ativista sueca Greta Thunberg fez um apelo: “Isso é tudo que ouvimos por parte de nossos líderes: palavras. Palavras que soam bem, mas que não provocam ação alguma. Nossas esperanças e sonhos se afogam em suas palavras de promessas vazias”.


E complementa: “Não existe um planeta, não existe um planeta blá-blá-blá, economia verde blá-blá-blá, neutralidade do carbono para 2050 blá-blá-blá” e acrescenta: “30 anos de blá-blá-blá dos líderes mundiais e sua traição com as gerações atuais e futuras”.


A ativista ambiental ugandesa de 24 anos Vanessa Nakate, fundadora do Juventude para a África Futura, assim se posicionou: “É o momento de nossos dirigentes despertarem, chegou a hora de nossos líderes pararem de falar e começarem a agir. Já é hora de os poluidores pagarem, é a hora de cumprirem com as promessas. Não se esqueçam de ouvir aqueles que são os mais vulneráveis.”


Lideranças mundiais estão reunidas em Glasgow, Escócia, na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas. Na solenidade de abertura do evento foi ouvida a única voz brasileira, com a pronunciamento da indígena Txai Suruí, de Rondônia, estudante de Direito e fundadora do Movimento Juventude Indígena de Rondônia.


No seu discurso falou sobre a necessidade de medidas urgentes para frear as mudanças climáticas, além de ressaltar a importância dos povos indígenas na proteção da Amazônia. Ela também falou sobre os ensinamentos recebidos de seu pai: “Meu pai, o grande cacique Almir Suruí, me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a lua, o vento, os animais e as árvores. Hoje o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo, nossas plantações não florescem como antes. A Terra está falando, ela nos diz que não temos mais tempo”.


Ela relembrou também a morte do indígena Ari-Ureu-Eu-Wau-Wau, que trabalhava registrando e denunciando extrações ilegais de madeira dentro da aldeia onde morava. Segundo Txai Surupi, ele foi morto por defender a floresta.


Segundo a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Fundo de Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e do Caribe (Filac) o papel dos indígenas é de melhores “Guardiões da Floresta” na Amazônia, onde quase a metade (45%) das florestas intactas se encontra em territórios indígenas.


Entre os fatores que explicam porque os indígenas preservam melhor as florestas estão fatores culturais e o papel dos conhecimentos tradicionais, as políticas de incentivo florestal, restrições sobre o uso do solo, acessibilidade limitada e baixa rentabilidade da agricultura. Combater os predadores do meio ambiente e proteger as tradições, costumes e cultura indígena é uma prioridade da sociedade e do governo brasileiro.

 

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Publicado originalmente no Monitor Mercantil em 04/11/21

 

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