OPINIÃO

 

Rafael Litvin Villas Bôas graduado em Jornalismo (2001), mestre em Comunicação Social (2004), e doutor em Literatura Brasileira (2009) pela Universidade de Brasília. Possui pós-doutorado pelo PPG em Artes Cênicas da USP. É professor da Licenciatura em Educação do Campo da Faculdade UnB Planaltina, do Mestrado Profissional em Artes (Profartes pólo UnB) e do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPG-CÊN). Coordena o grupo de pesquisa Terra em Cena: teatro, audiovisual e educação do campo. É vice-líder do grupo de pesquisa Modos de Produção e Antagonismos Sociais.

Rafael Villas Bôas

 

A Universidade de Brasília se tornará sexagenária em 2022. A UnBTV comemora 15 anos em novembro de 2021. Apenas a ditadura de 21 anos e seus impactos posteriores podem explicar o descompasso da televisão da UnB ter um quarto do tempo de vida da universidade. No projeto original da UnB aportaram por essas terras, como professores, cineastas como Nelson Pereira dos Santos, críticos como Jean Claude Bernadet... O empenho era construir uma Faculdade de Comunicação de Massas de referência, capaz de representar as contradições do país, em busca da superação de nossos impasses estruturais.


O golpe, a intervenção militar na Universidade, a censura, as perseguições, prisões e desaparecimentos retardaram o caminho. Entretanto, com o retorno da vida democrática nasceu, em 1986, na Universidade de Brasília, o Centro de Produção Cultural e Educativa (CPCE). Órgão estratégico no âmbito da produção audiovisual, para atender demandas de comunicação nas dimensões do ensino, pesquisa e extensão. A voz democrática da universidade pública, censurada por 21 anos, ansiava por atingir o grande público. Depois de 20 anos o CPCE transformou-se em UnBTV, em 2006.


Todavia, as marcas do regime autoritário prevaleceram nos anos da redemocratização, sob a forma da legislação nada inclusiva à comunicação pública e popular – até hoje não conseguimos nosso canal aberto e não temos uma rádio em funcionamento.


Em cenário hostil ao cinema nacional, carente de mecanismos de fomento à produção e circulação, a UnBTV assume postura crítica contra o gesto de sonegação do direito da população de se ver representada nas telas, pelo cinema produzido em seu próprio país. Por isso, organizamos muitas mostras temáticas, criamos a quarta-feira do cinema candango, exibimos a IV edição do IV Festival de Cinema Universitário de Brasília: ao todo mais de uma centena de filmes nacionais, de diversas metragens, regiões e temáticas foram exibidos nos canais e telas da UnBTV, em 2021.


Aprendemos com os 15 anos de UnBTV e 35 anos de CPCE que uma televisão universitária é mais forte quando atua em rede, local, regional, nacional e internacional, importando e exportando produção. Por isso, ao estabelecer parcerias com equipes de diversas unidades da UnB, ampliamos em 20% a quantidade de nossa produção própria: em fevereiro, nossa grade era composta por 40% de produção interna, em novembro temos 60%. Importamos produções de outras universidades e de outros órgãos públicos. E parte de nossa produção chegará ao canal aberto via TV da Câmara Legislativa do Distrito Federal, a mais nova TV pública do DF.


A UnBTV conta com imensa rede de especialistas nos mais diversos temas – mais de dois mil professores e professoras com doutorado, além de mestres e especialistas – e conta com a quantidade, qualidade e capilaridade dos projetos de extensão nos territórios.

 

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