OPINIÃO

Márcia Abrahão Moura é reitora da Universidade de Brasília e professora do Instituto de Geociências. É graduada, mestre e doutora em Geologia pela UnB, com período sanduíche na Université d'Orléans e BRGM (Orléans, França), possui pós-doutorado pela Queen´s University, Canadá. Atua nas áreas de granitos e mineralizações associadas, em depósitos do Brasil, de Cuba, do Peru e da Colômbia, nos temas: metalogenia, hidrotermalismo, inclusões fluidas, isótopos estáveis, petrologia e mineralogia.

Márcia Abrahão

 

De forma gradual e segura, a Universidade de Brasília retornou ao trabalho presencial no começo de dezembro. Durante um ano e oito meses, nossos quatro câmpus - Asa Norte, Planaltina, Gama e Ceilândia - e as demais unidades da UnB, como a Fazenda Água Limpa e a Casa de Cultura da América Latina, restringiram a circulação de pessoas ao mínimo necessário, para que pudéssemos nos juntar à luta contra a covid-19. Não foi fácil. Não tem sido fácil. E o futuro espera de nós ainda mais coragem e generosidade.

 

Nesse período, os serviços essenciais da universidade foram mantidos e muitos continuaram a trabalhar de modo presencial, por exemplo, em laboratórios que desenvolveram pesquisas em todas as áreas do conhecimento, incluindo inúmeros projetos relacionados à pandemia, e no Hospital Universitário, o HUB. Agora, com parcela significativa da população vacinada, chegou a hora de retomar aos nossos espaços físicos outras atividades presenciais. Estamos fazendo isso aos poucos, com planejamento e segurança. Temos documentos com protocolos de biossegurança e orientações diversas. Os prédios estão devidamente sinalizados. Alguns espaços passaram por adaptações.

 

Chegamos ao final de mais um ano de enfrentamento à grave crise sanitária, em que os cientistas da UnB e de todas as universidades e instituições de pesquisa fizeram trabalho exemplar, claramente evidenciado pelos veículos de comunicação brasileiros e com amplo reconhecimento da população. Foram também meses de negociação intensa na tentativa de recomposição dos orçamentos das universidades públicas, que vêm diminuindo nos últimos anos.

 

Por meio da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), fizemos inúmeras reuniões no Congresso Nacional, principalmente com parlamentares da Comissão Mista de Orçamento que têm apoiado a manutenção dos recursos em patamares compatíveis com a nossa grandeza e importância, em valores de que as universidades já dispuseram antes para oferecer ensino, pesquisa e extensão de qualidade. Nesse capítulo, ainda há muito a avançar.

 

Em 21 de abril de 2022, a UnB completa 60 anos de uma trajetória singular, com altas e baixas orçamentárias, com ataques e defesas em torno de sua liberdade de existir e compartilhar conhecimentos. No último dia 15, demos início a uma programação intensa de ciência e alegria que preparamos para contar à sociedade brasileira, ao longo de todo o próximo ano, a história da universidade e lembrar do nosso papel na atualidade. A reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em julho, será um dos pontos altos da festa.

 

Assim, o slogan que escolhemos para comemorar o aniversário retoma e ressoa Darcy Ribeiro, um de nossos criadores, e se conecta ao presente e ao futuro. A frase estava numa entrevista que dei ao Correio Braziliense em maio. Tenta resumir o lugar real e imaginário que ocupamos na capital do país e na vida dos milhares de profissionais formados pela UnB e os mais de 50 mil estudantes que atualmente circulam on-line e pelos nossos quatro câmpus: Atuante como sempre, necessária como nunca.

 

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Publicado originalmente no Correio Braziliense em 26/12/21

 

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