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OPINIÃO

Maria Hosana Conceição é química, professora da Faculdade de Ceilândia. Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação-PPG Profnit/UnB. 

Maria Hosana Conceição

 

A pandemia da Covid-19 permitiu à Universidade de Brasília (UnB) capacitar tanto os técnicos-administrativos quanto os docentes para o uso das plataformas tecnológicas do Office 365 (O365) e do Aprender 2 e 3, por meio da oferta de cursos de capacitação pela Coordenadoria de Capacitação (Procap) e pelo Centro de Ensino a distância (CEAD). Com a condição da saúde pública mais controlada pelas doses das vacinas contra o vírus da Covid-19, em 6 de junho de 2022 a UnB retomou as aulas no modo presencial e nos motivou a repensar o “novo modo de ensinar”. No semestre presencial, além de todos os recursos do modo online, como por exemplo, o link direto para a página do e-book da “Minha Biblioteca UnB”, listas de exercícios e vídeos de aulas gravadas, os estudantes assistiram as aulas presenciais, trabalhadas com o uso da lousa e pincel, e realizaram experimentos no laboratório de Química. 

 

As avaliações ocorreram, a cada mês, com o uso do Questionário Forms, no modo assíncrono, e do Socrative nas aulas presenciais. Com a finalidade de conhecer a percepção dos estudantes sobre o uso dos recursos do Caderno do Teams, do questionário Forms, do Socrative e do MolView, associados com as aulas presenciais, os estudantes foram convidados a responderem, voluntária e anonimamente, o questionário Forms com quatro perguntas abertas. As respostas dos 38 estudantes, sendo 17 estudantes do semestre 2021/2, ministrado no formato totalmente online, e 21 do semestre 2022/1, com aulas presenciais, foram analisadas com o uso do software Iramuteq. 

 

Os dados referentes aos dois semestres foram considerados em uma análise comparativa, onde a inteligência artificial do software Iramuteq realizou uma Classificação Hierárquica Descendente (CHD), agrupando as palavras do material textual em diferentes classes a partir de um nível de associação da palavra ao tema da pergunta. Assim, foram geradas cinco classes, a classe 1, que tratou dos “questionários no Forms”, foi bem aceita tanto no online quanto no presencial. Por outro lado, os estudantes do online foram mais propensos a apontar pontos negativos relacionados a esse recurso, tais como dificuldades com a conexão de internet, a simplicidade das questões realizadas no formulário e dificuldades de acesso e entendimento sobre a utilização dos recursos da plataforma Teams. A classe 2, “Plataforma Teams”, teve destaque maior para o uso nas aulas online. Na classe 3, “aulas presenciais”, os estudantes apontaram que as atividades experimentais facilitaram o entendimento sobre os conteúdos teóricos da disciplina, agregando, positivamente, o seu aprendizado; o “Socrative” representou a classe 4, e, de início, foram apontadas algumas dificuldades e pontos negativos envolvendo essa plataforma, como, por exemplo, as questões abertas que não consideraram partes das respostas como corretas, a dificuldade em algumas perguntas, o atraso para responder e a pressão advinda de um limite de tempo para cada resposta. Tais dificuldades foram mais frequentes em estudantes do formato online. Ademais, também foram ressaltados seus pontos positivos, tais quais, agilidade, dinamicidade e possibilidade de rápido feedback. A continuidade da utilização do Socrative, no formato de ensino presencial, se mostrou frutífero, uma vez que a plataforma foi considerada, em geral, bem aceita pelos estudantes, salvo alguns problemas envolvendo a conexão com a internet do campus da Universidade, segundo as respostas dos estudantes. O “MolView” representou a classe 5, na qual os estudantes dos dois formatos de ensino perceberam inúmeros pontos positivos na sua utilização, entre os quais a melhor visualização e facilidade de desenho de cadeias carbônicas, a possibilidade de visão 3D de moléculas e o desenvolvimento do raciocínio sobre o conteúdo das cadeias carbônicas. Assim, interpreta-se que esse é um recurso digital que deve ser continuado no ensino presencial, pois seus benefícios foram percebidos, igualmente, por estudantes dos dois formatos de ensino. Em continuação, cabe ressaltar que existiram duas dificuldades específicas que independem do formato de ensino: o fato da plataforma MolView ser em inglês, que dificulta o entendimento inicial de alguns estudantes sobre o MolView, e a falta de orientações mais aprofundadas e de tutoriais mais ricos englobando a descrição sobre como proceder para usar o recurso. 

 

Concluímos que precisamos continuar observando as atitudes dos estudantes da disciplina de Química Orgânica quanto aos recursos tecnológicos aqui analisados, para poder tornar a utilização desses recursos o mais eficiente possível. É importante destacar que estudantes tanto do formato online quanto do presencial possuem necessidades e dificuldades distintas. Logo, os recursos didáticos utilizados na disciplina devem ser estrategicamente pensados, em vias de atender a essas necessidades específicas da forma mais eficaz possível.

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