OPINIÃO

Maria Hosana Conceição é professora da Faculdade de Ceilândia. Professora do Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação-PPG Profnit/UnB.

Maria Hosana Conceição

 

Em 2009, assumi com entusiasmo o cargo de professora Adjunta da Universidade de Brasília (UnB), no recém-criado campus da Ceilândia. Lembro com carinho de cada degrau dessa trajetória, marcada pela coragem, pelo trabalho coletivo e pelo compromisso com a formação de estudantes na área da saúde. Hoje, após 16 anos de dedicação à UnB e à Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde (FCTS), compartilho essa vivência com quem está começando e com quem, como eu, caminha com gratidão rumo ao amadurecimento na carreira docente.

 

Minha chegada à UnB coincidiu com um momento de expansão do ensino superior no país. No contexto do Reuni, tive a oportunidade de contribuir com a implantação da FCE, em condições provisórias, mas com grandes sonhos e propósitos. Comecei lecionando a disciplina “Do Átomo à Vida”, voltada aos estudantes calouros de cursos da saúde. Essa experiência foi um marco: uma química, dialogando com a biologia, unindo saberes para formar futuros profissionais da saúde. A interdisciplinaridade, que tantas vezes defendemos no papel, ali se tornava prática viva e necessária.

 

Desde então, construí uma trajetória que integrou ensino, pesquisa, extensão e gestão. Lecionei disciplinas fundamentais como Química Orgânica e Físico-Química, coordenei projetos de iniciação científica, tutoria e extensão, atuei na formação de mestres e participei de colegiados e comissões da universidade. Ao longo do tempo, vi a Ceilândia florescer como um polo de excelência e inclusão, com estudantes talentosos e comprometidos, muitos deles os primeiros de suas famílias a ingressar no ensino superior.

 

Não foram poucos os desafios. Houve momentos de transição, como a migração para o ensino remoto durante a pandemia, que exigiram criatividade, solidariedade e resiliência. Reinventar as práticas pedagógicas, aprender novas tecnologias, manter o vínculo com os estudantes à distância; tudo isso nos exigiu coragem e humildade. Mas também foi nesse contexto que nasceram novas formas de ensinar, de orientar e de colaborar.

 

Como professora do Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação (Profnit), aprendi ainda mais sobre inovação e o papel estratégico da universidade no desenvolvimento tecnológico do país. A pesquisa, para mim, sempre foi compromisso com a realidade. Desde os estudos com pesticidas até os projetos de orientação sobre propriedade intelectual, busquei aplicar o conhecimento científico à vida concreta das pessoas, especialmente das mais vulneráveis.

 

Hoje, ao alcançar o título de Professora Titular, não encerro um ciclo, ao contrário, reafirmo o compromisso com a universidade pública, gratuita e de qualidade. A carreira docente é feita de persistência, de paixão e, sobretudo, de humanidade. É uma carreira que se constrói com os outros: com colegas, com estudantes, com técnicos e com a sociedade que confia em nosso trabalho.

 

Deixo aqui uma palavra de encorajamento aos jovens docentes que ingressam na UnB: sua presença é fundamental para o futuro da universidade. Tragam suas ideias, sua energia, sua escuta sensível. E, aos colegas que já trilharam um longo caminho, minha admiração e meu respeito: seguimos juntos, cultivando uma universidade viva, plural e comprometida com o bem comum.

 

Que a UnB continue sendo esse espaço de transformação para quem ensina e para quem aprende.

 

Este artigo de opinião foi adaptado a partir do memorial apresentado para a ascensão à classe de Professora Titular na Universidade de Brasília (2025), com apoio da ferramenta ChatGPT (modelo GPT-4o) e da plataforma de geração de imagens DALL·E, ambas desenvolvidas pela OpenAI.

 

 

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