Alice Maria Corrêa Medina
À mesa da floresta
Imprescindível conversar
Tudo que brota da terra
Como um direito, germinar
Ouçam o grito da floresta
Não é possível calar
Alertando aos viventes
Que vidas irão acabar
Vários foram os acenos
E pedidos pela escuta
Da floresta incorporada
Por mulheres e homens de luta
A natureza da vida
Sem mordaça e tortura
As árvores se levantam
Em uníssono a clamar
As raízes das histórias
Escritas de dores e memórias
Não há como suportar
Sou Maçaranduba da terra
Venho me apresentar
Estruturo muitas moradas
E eu, o Parapará
Alimentamos a vida
Sobre a terra, o respirar
Promovendo às existências
Sobre o chão, o caminhar
Sem transformar os valores
Não terão onde pisar
Quando restarem rumores
Memórias de um lugar
Sobre existências perdidas
Que não souberam a vida
Do resto de vida que restar
Como Cajuacú de grande porte
Também quero anunciar
Minhas castanhas, meus olhos
Testemunha ocular
Sou filho da grande Amazônia
Diversidade no gestar
Eu sou Tatajuba da floresta
A serra não vai me calar
Incorporo a natureza
Que como parte de mim
Se torna também, esse lugar
Sou a última a informar
Como Andiroba nascida
Pela mata reconhecida
Somente acrescentar
Sobre direito à vida
É dele que quero falar
A natureza tem direitos
Isso não se pode negar
Direitos sobre a vida na Terra
É premente argumentar
Durante a escrita do tempo
Como derradeiro movimento
Juntas, viemos avisar
Aos que conduzem o planeta
Conter toda a natureza
E contido nela estar
O direito, como certeza
E em nome da urgência da vida, salvar!
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