OPINIÃO

 

Janaína Soares de Oliveira Alves é decana de extensão e professora no Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução na Universidade de Brasília.

 

 

Fernanda Natasha Bravo Cruz é diretora de Desenvolvimento e Integração Social do Decanato de Extensão da UnB e professora do GPP/Face e do Ceam.

Janaína Soares de Oliveira Alves e Fernanda Natasha Bravo Cruz

 

Neste primeiro ano de gestão, o DEX se fez presente para o cumprimento do papel social da universidade. A extensão da UnB marcou presença ativa nos diversos campi, casas de cultura, polos de extensão e na interlocução com parceiros significativos da sociedade e do Estado.

 

O ponto alto dessas atividades foi a 25ª Semana Universitária (SEMUNI) que, com o tema "UnB e Territórios em Movimento: Saberes, Inovação e Sociedade", transcendeu o campus Darcy Ribeiro para compartilhar protagonismo com Ceilândia, Planaltina e Gama, fazendo acontecer mais de 1200 ações na universidade. Na primeira semana de novembro, a UnB se transformou em um vibrante palco de ciência, cidadania, cultura e esporte. O compromisso da UnB com a formação estudantil engajada com a ação extensionista com protagonismo discente ficou evidenciado na realização do VII Encontro de Estudantes Extensionistas, que demonstrou a consolidação do processo de inserção curricular da extensão entre os mais de setecentos bolsistas que fizeram parte de projetos de extensão neste ano. Durante os eventos da SEMUNI, a Editora da UnB lançou, em parceria com o DEX, 19 livros e realizou a distribuição de outras 4 mil obras para os participantes da Mostra de Cursos, do Encontro Extensionista, do Fórum Sociocultural e dos eventos de abertura da SEMUNI nos campi.

 

Outro grande exemplo desse propósito esteve na presença de cinquenta estudantes extensionistas na linha de frente da viabilização de importantes eventos nacionais. As ações da Participação Social na Pré-COP 30, promovidas em parceria com a Secretaria Geral da Presidência da República, antecederam os eventos internacionais da Conferência das Partes em Belém. Em outubro, a Universidade de Brasília foi o ambiente das pactuações democráticas nacionais de mais de quinhentos ativistas de movimentos sociais e conselheiros de políticas públicas durante o Fórum Interconselhos, a reunião da Comissão Nacional para o Desenvolvimento Sustentável e o Fórum Social dos Estados da Amazônia.

 

Ademais, uma das expansões mais significativas da extensão em 2025 foi o fortalecimento da Rede de Polos de Extensão (REPE), que ampliou a presença física e a capilaridade da UnB nas comunidades do Distrito Federal e entorno. O Edital REPE 2025, estabeleceu-se sob o lema "Saberes Engajados por Equidade e Justiça Socioambiental". Atualmente, há sessenta e quatro projetos em andamento, e cento e quarenta e seis bolsistas de extensão em ação em sete polos. Dois desses polos são novos: um na Faculdade UnB Planaltina, atendendo as regiões administrativas de Planaltina, Fercal, Brazlândia e Sobradinho II; e outro na Casa da Cultura da América Latina, voltado ao Setor Comercial Sul (SCS). Esses novos polos foram abertos devido à vulnerabilidade social verificada nos locais e somam-se às regionais já estabelecidas em Ceilândia, Recanto das Emas, Paranoá, Chapada dos Veadeiros e no território do Quilombo Kalunga.

 

Entre as novidades deste ano, está a ampliação das áreas de abrangência do Polo Paranoá/Itapoã para abranger também São Sebastião, além do acolhimento de Cidade Ocidental (especialmente, do território do Quilombo Mesquita), na área de abrangência do polo Recanto das Emas. Os projetos desenvolvidos têm sido fundamentais para aproximar a universidade de territórios com alta vulnerabilidade social, colaborando para a promoção de iniciativas educacionais e de inclusão. Por meio de seus polos de extensão, a UnB colabora a com o desenvolvimento local de maneira multidimensional, como, por exemplo, orientando sobre uso de água potável em Santa Luzia, na região da Estrutural; ensinando noções de programação em escolas do Recanto das Emas; realizando formação para empreendimentos de turismo de base comunitária na Chapada dos Veadeiros; promovendo letramento racial e inclusão de estudantes periféricos no ensino superior, por meio de cursinho popular em Sobradinho II; realizando a defesa de direitos de pessoas em situação de rua no Setor Comercial Sul; e articulando arte e cultura à promoção de saúde mental no Paranoá, para citar apenas alguns projetos.

 

No que tange à difusão cultural, encontra-se no DEX a Diretoria de Difusão Cultural, responsável pela gestão e fomento das Casas Universitárias de Cultura (CUCs) – Casa da Cultura da América Latina (CAL), Casa Niemeyer, Memorial Darcy Ribeiro (Beijódromo) e Espaço da Memória da UnB (MemoUnB), e pela Rede de Museus e Acervos da UnB. Todas as casas passaram por melhorias e reformas, destacando-se a reforma realizada na CAL em sua área externa e ambientes de exposição. Mais além, o Edital da Rede CUC e o programa Casa Aberta, subsidiaram projetos que visam a promoção da memória, preservação e difusão da arte e da cultura, incentivando o intercâmbio cultural e a reflexão crítica sobre a produção artística. Esse é o caso da Exposição "Abolicionistas Brasileiras", aberta na CAL em novembro, que reforçou o papel da DDC na promoção da arte conectada com a defesa dos direitos humanos. A CAL seguirá até janeiro com essa belíssima exposição e a Casa Niemeyer receberá em dezembro a Amostra Gastronômica de Comidas de Terreiro Sabores e Saberes, em parceria com a Fundação Cultural Palmares.

 

O sucesso e a abrangência da extensão em 2025 foram sustentados por um robusto sistema de fomento e apoio, materializado em diversos editais estratégicos. O Programa Institucional de Bolsas de Extensão (PIBEX), principal instrumento de incentivo, é gerido pela Diretoria Técnica de Extensão e garantiu a alocação de bolsas para que mais de 400 projetos de extensão pudessem ser executados com a participação remunerada de estudantes.

 

A extensão em 2025 foi realizada também por meio da atuação integrada do DEX com outros Decanatos. No primeiro semestre, a UnB lançou o Comitê de Enfrentamento à Desinformação, uma resposta concreta em defesa da democracia, que resultou em Edital em colaboração entre o DEX e os Decanatos de Ensino de Graduação (DEG), Pós-Graduação (DPG) e Pesquisa e Inovação (DPI), com o objetivo de promover a integridade da informação e o letramento digital. Em outra frente estratégica, o Programa Estratégico Mulheres e Meninas na Ciência: Conhecimento em Movimento, Sociedade em Transformação, uma parceria com o DPI e a Secretaria de Direitos Humanos (SDH), selecionou projetos voltados à mitigação da desigualdade de gênero na ciência e fomentando o protagonismo feminino.

 

O ano de 2025 consolidou a extensão da Universidade de Brasília como um pilar central de sua missão social, demonstrando um compromisso com a sociedade e o desenvolvimento local. A UnB permanece na vanguarda da produção de conhecimento engajado, culturalmente situado, na defesa da democracia e da promoção da justiça socioambiental. Assim, durante o primeiro ano dessa gestão, o DEX não apenas estreitou os laços entre academia e comunidade, mas pavimentou o caminho para que a UnB continue a produzir saberes que transformam territórios e impulsionam a equidade.

 

 

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