Renata Aquino da Silva e Guilherme Martins Gelfuso
A Universidade de Brasília (UnB) na gênese do seu Plano Orientador de 1962 estabeleceu o país como o problema de pesquisa central, exigindo uma integração completa da universidade com as demandas sociais. Assim a UnB tem ocupado um papel de protagonismo ao pensar soluções para o país integrando todas as áreas do conhecimento e envolvendo ensino, pesquisa, extensão e inovação.
Tendo em mente essa responsabilidade histórica, nosso primeiro ano de gestão no Decanato de Pesquisa e Inovação (DPI) e no Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) foi dedicado a transformar o conhecimento científico em impacto social e econômico tangível, solidificando os pilares do ambiente de inovação da UnB em um ecossistema de inovação digital e científico robusto. O desafio não tem sido apenas acompanhar as inovações globais, mas liderá-las, capacitando a UnB para atuar nos grandes desafios da era digital, como a Inteligência Artificial (IA) e a Supercomputação.
O CDT, fundado em 1986, foi pioneiro no Brasil na estruturação e formalização do mecanismo de incubação de empresas de base tecnológica dentro de uma universidade federal. Desde a criação do DPI em 2016 o CDT passou a integrar a sua estrutura para atuarem como os catalisadores da transformação tecnológica no país. Nosso foco inicial nesta gestão foi integrar ainda mais as atividades do DPI e CDT ao Parque Científico e Tecnológico da UnB (PCTec), consolidando o Ambiente de Inovação da UnB. Essa articulação estratégica nos permite converter rapidamente o conhecimento gerado nos laboratórios da Universidade em propriedade intelectual, spinoffs e startups, e soluções de mercado.
Sabemos que a Supercomputação tem se tornado uma necessidade estratégica. Sob a gestão atual, a UnB reafirmou o compromisso com a expansão e democratização de sua infraestrutura de alto desempenho, permitindo aos nossos pesquisadores processar big data para estudos em genômica, modelagem climática e desenvolvimento de novos materiais, e conferindo um diferencial competitivo único à nossa produção científica. Nesse sentido, o DPI, em parceria com o PCTec e a Secretaria de Tecnologia da Informação (STI), lançou o Edital PCTec/DPI/STI nº 001/2025. Essa foi uma Chamada Piloto para usuários do recém-estabelecido Laboratório Institucional Multiusuário de Inteligência Artificial e Supercomputação (LMISup), concretizando a ação da UnB na vanguarda da infraestrutura tecnológica.
Paralelamente, a Inteligência Artificial não é vista apenas como uma disciplina de pesquisa, mas como uma força transversal que redefine todas as áreas. Enfrentamos os desafios da IA – que são éticos, regulatórios e tecnológicos – por meio da integração de grupos interdisciplinares. O papel do DPI e CDT é crucial aqui: transformar a pesquisa de ponta em IA em patentes depositadas e novos negócios, garantindo que a tecnologia desenvolvida na UnB contribua diretamente para a soberania tecnológica do país.
Acreditamos que o sucesso da inovação na UnB reside em uma abordagem sinérgica entre Ensino, Pesquisa e Empreendedorismo. Na Pesquisa, incentivamos a aplicação imediata do conhecimento, com o CDT cuidando dos registros de propriedade intelectual e facilitando a interação dos pesquisadores com empresas por meio de vários instrumentos previstos na Lei da Inovação e no Marco Legal da Inovação. O DPI tem estudado mecanismos para tramitar todos os instrumentos de pesquisa e inovação com mais celeridade, mas sem renunciar a garantias legais no estabelecimento dessas parcerias entre UnB e setor produtivo. No Empreendedorismo, o CDT investiu em apoio a estratégias de ideação com a criação do Programa PRISMA e passou para o PCTec a incubação de startups nascidas na academia, integrando o ambiente de inovação da UnB. No Ensino, a UnB garante que os futuros líderes e profissionais estejam alinhados com as demandas de tecnologia 4.0. Isso significa mais do que apenas aulas, é conectar os estudantes aos laboratórios de pesquisa aplicada e aos desafios reais do mercado, como o apoio às Empresas Juniores e a criação da Escola de Inovação. Este projeto, em parceria com o Decanato de Ensino de Graduação (DEG), buscará no próximo semestre letivo levar disciplinas de empreendedorismo e inovação para todos os cursos dos quatro campi da UnB.
Em um ano, constituímos uma base sólida para que a Pesquisa e Inovação na UnB se desenvolva cada vez mais. Estamos preparados para exportar tecnologia, mantendo um compromisso inabalável com a excelência. Convidamos toda a comunidade, o setor produtivo e o governo a se unirem a nós nesta jornada. Somente através desta colaboração poderemos garantir que o conhecimento gerado em Brasília se traduza em desenvolvimento sustentável e soberania nacional em um mundo cada vez mais digital. A UnB está pronta para o futuro.
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