OPINIÃO

Carla Pintas Marques é professora do curso de Saúde Coletiva na Faculdade de Ceilândia na Universidade de Brasília (FCE/UnB) e coordenadora da Coordenação de Atenção e Vigilância em Saúde (CoAVS/DASU/DAC).

Carla Pintas Marques

 

A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente pessoas idosas e representa a forma mais comum de demência no mundo. Ela leva à perda gradual de funções cognitivas, como memória, linguagem, raciocínio e capacidade funcional nas atividades diárias. O Alzheimer representa mais de 60% dos casos de demência no mundo. Em 2019, 1,85 milhão de brasileiros viviam com doença de Alzheimer (DA) e outras demências, e as projeções indicam que esse número triplicará até 2050 e podendo atingir 6,7 milhões de pessoas afetadas, resultando em um aumento acima de 200%.

 

Da mesma forma que a doença arterial coronariana é um tipo de doença cardíaca, a doença de Alzheimer é um tipo de doença cerebral. No Alzheimer, as células nervosas do cérebro (chamadas neurônios) são danificadas e destruídas. Os primeiros a serem afetados são aqueles neurônios localizados nas partes do cérebro responsáveis pela memória, linguagem e pensamento, razão pela qual os primeiros sintomas da doença de Alzheimer tendem a ser problemas de memória, linguagem e pensamento (cognitivos).

 

A doença é progressiva, do estágio leve ao grave, o que significa que o cérebro sofre alterações e os sintomas pioram com o tempo e culminam em dependência total nos cuidados básicos. A velocidade com que a doença progride de ano para ano e quais habilidades são afetadas variam de pessoa para pessoa. Com a progressão da doença, surgem:

 

  • dificuldade para lembrar eventos recentes e antigos;
  • perda de palavras ou dificuldade para se comunicar;
  • desorientação no tempo e no espaço;
  • mudanças de humor e comportamento;
  • diminuição da capacidade de realizar tarefas cotidianas.

 

A doença de Alzheimer é fatal, embora muitas pessoas com Alzheimer morram de outras doenças comuns e coexistentes da terceira idade. Estudos indicam que pessoas com 65 anos ou mais sobrevivem, em média, de quatro a oito anos após o diagnóstico de doença de Alzheimer.

 

Não existe um exame único que confirme a doença, por isso o diagnóstico de Alzheimer é clínico e envolve:

 

  • avaliação médica detalhada da memória e funções cognitivas;
  • exclusão de outras causas de demência;
  • exames complementares de sangue e, se necessário, neuroimagem (como ressonância ou tomografia).

 

Atualmente não há cura, mas existem tratamentos que podem aliviar sintomas e retardar a progressão da doença em alguns casos. Os medicamentos aprovados neste cenário atuam, por exemplo, na redução de placas amiloides ou em mecanismos que preservam funções cognitivas por mais tempo. Além do tratamento medicamentoso, cuidado multidisciplinar envolvendo terapia ocupacional, fisioterapia, nutrição e suporte psicossocial melhora a qualidade de vida do paciente e de sua família.

 

Pesquisas continuam avançando em abordagens inovadoras, como terapias que combinem diferentes mecanismos biológicos e estratégias personalizadas de tratamento inspiradas em modelos usados no câncer. Embora não exista uma forma garantida de prevenção, hábitos saudáveis ao longo da vida estão associados a menor risco de Alzheimer, incluindo:

 

  • atividade física regular;
  • alimentação equilibrada;
  • manter a mente ativa e socialmente engajada;
  • controle de fatores cardiovasculares (pressão, diabetes, colesterol);
  • evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool.

 

No Brasil, país que abriga uma população em acelerado processo de envelhecimento, a doença de Alzheimer tem se destacado como uma questão de saúde pública premente. Esse crescimento expressivo não impacta apenas os indivíduos diagnosticados, mas também suas famílias, os serviços de saúde e a sociedade como um todo. Os custos sociais e econômicos associados à Doença de Alzheimer são elevados, considerando tanto os cuidados formais quanto o suporte informal prestado por familiares, o que reforça a importância de políticas públicas eficazes de prevenção, cuidado e apoio.

 

Nesse contexto, o acesso à informação e aos serviços de saúde torna-se fundamental, especialmente para o acolhimento, orientação e acompanhamento das pessoas acometidas pela doença e de seus cuidadores.

 

A comunidade universitária poderá buscar atendimento ou esclarecimentos nos Núcleos de Atenção e Vigilância à Saúde (NAVS), localizados no ICC Sul do Campus Darcy Ribeiro, na Faculdade do Gama (FGA). A Faculdade de Ceilândia (FCE) e a Faculdade de Planaltina (FUP deverá comunicar-se com o Núcleo de Vigilância em Saúde (NVS) através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou através do telefone 61-3107.6785.

 

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