OPINIÃO

 

Rozana Reigota Naves é reitora da Universidade de Brasília e professora do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (LIP). Doutora em Linguística pela UnB.

Rozana Reigota Naves

 

O início de um semestre letivo sempre renova a vida universitária. Os campi voltam a se encher de vozes, encontros e expectativas. Para quem chega agora, começa uma nova etapa de formação, descobertas e convivência. Para quem retorna, é tempo de retomar projetos, aprofundar saberes e fortalecer vínculos. A todos os estudantes, especialmente aos que iniciam sua trajetória na Universidade de Brasília, deixo minhas boas-vindas.

 

Cada início de semestre também reafirma aquilo que dá sentido à universidade: o encontro entre pessoas, reflexões e experiências. Em seus corredores, salas de aula, laboratórios e espaços esportivos e culturais, a universidade se desenvolve diariamente a partir da troca de conhecimentos, da curiosidade intelectual e da disposição para o diálogo. É nesse ambiente que surgem perguntas e pesquisas e se formam profissionais comprometidos com o futuro da sociedade.

 

Desde sua fundação, em 1962, a Universidade de Brasília foi concebida como um projeto acadêmico inovador e profundamente comprometido com a liberdade de pensamento. Idealizada por Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, a UnB nasceu com a vocação de ser uma instituição aberta ao debate, à produção científica e à presença ativa de sua comunidade.

 

Ao longo de sua história, a Universidade consolidou-se como uma instituição em que trajetórias e perspectivas convivem e se enriquecem mutuamente. Estudantes, docentes e técnicos colaboram, de forma conjunta, com esta comunidade que valoriza a pluralidade, a análise crítica e a busca permanente por novos avanços. É nesse movimento coletivo que a vida universitária ganha sentido.

 

Na UnB, esse processo se manifesta nas atividades de ensino, nas pesquisas realizadas em diversas áreas, nas iniciativas culturais, nos projetos voltados à sociedade e nas instâncias de participação que integram a vida institucional. No cotidiano universitário, ideias circulam, reflexões se ampliam e abordagens se encontram, fortalecendo o papel da universidade na formação acadêmica e cidadã.

 

É justamente essa dimensão viva da universidade que inspira a campanha institucional da Universidade de Brasília em 2026, com o conceito “Democracia todos os dias - aprender, praticar, viver”.

 

A proposta parte da compreensão de que a democracia não se manifesta apenas em grandes momentos ou decisões formais. Ela se revela nas práticas diárias da universidade, na escuta atenta, no respeito às diversas leituras de mundo e na disposição para a discussão qualificada. Está presente nos questionamentos que aparecem durante o processo educacional, nas investigações que procuram compreender e transformar a realidade e nas instâncias coletivas em que a comunidade universitária discute e define caminhos para os próximos anos.

 

A campanha é um convite para reconhecer a UnB como uma instituição marcada pelo sentimento de pertencimento e pela responsabilidade compartilhada. Um lugar em que múltiplas vozes podem se expressar e onde a produção acadêmica se realiza de forma conjunta.

 

Neste início de semestre, renovamos também o convite para que cada estudante se envolva ativamente na vida universitária. A universidade se engrandece quando ideias circulam livremente, quando o debate é valorizado e quando o saber se transforma em ação.

 

Na Universidade de Brasília, acreditamos que a democracia se afirma nas práticas acadêmicas e na vida institucional, orientada pelo ensino, pelo pensamento crítico e pelo respeito que sustenta as relações humanas. É com esse espírito que desejamos receber cada estudante neste novo semestre.

 

Porque é aqui, todos os dias, que a democracia se constrói.

 

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