OPINIÃO

 

Janaína Soares de Oliveira Alves é decana de extensão e professora no Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução na Universidade de Brasília.

 

 

Leocádia Aparecida Chaves é técnica em assuntos educacionais no Decanato de Extensão da Universidade de Brasília. Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura e Práticas Sociais pela UnB.

Janaína Soares de Oliveira Alves e Leocádia Aparecida Chaves

 

A Universidade de Brasília reafirma o papel da extensão universitária na promoção dos direitos das mulheres, na formação cidadã e no fortalecimento das redes de proteção social. Isso porque o 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, é mais do que uma data comemorativa: constitui um território político, histórico e simbólico de afirmação de direitos, de memória das lutas femininas e de compromisso coletivo com a superação das desigualdades de gênero. No Brasil, esse compromisso ganhou um marco jurídico fundamental com a promulgação da Lei nº 11.340/2006 — a Lei Maria da Penha — reconhecida internacionalmente como uma das legislações mais avançadas no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.

 

Entretanto, a efetividade dessa legislação depende de elementos essenciais: educação, conscientização social e construção de redes de proteção. É nesse contexto que a extensão universitária assume um papel estratégico. Como dimensão indissociável do ensino, da pesquisa e da inovação, a extensão atua nos territórios sociais, aproximando universidade e sociedade para transformar conhecimento acadêmico em ação concreta e, ao mesmo tempo, reelaborar saberes a partir do diálogo com a comunidade.

 

Na Universidade de Brasília (UnB), o Decanato de Extensão (DEX) tem fortalecido iniciativas alinhadas às agendas de direitos das mulheres, justiça social e equidade de gênero. Essas ações se expressam tanto no apoio a projetos e programas de extensão desenvolvidos pela comunidade acadêmica — que reúnem diversas iniciativas com recorte de gênero — quanto na articulação de políticas institucionais e parcerias voltadas à promoção de direitos e ao enfrentamento das desigualdades.

 

Entre as experiências mais emblemáticas dessa atuação destaca-se o Programa Maria da Penha vai à Escola, desenvolvido em cooperação com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e outras entidades do sistema de justiça e da educação, no âmbito de Acordo de Cooperação Técnica firmado entre as instituições, que desde 2016 tem possibilitado a realização de ações conjuntas de formação, prevenção e educação para a igualdade de gênero.

 

A iniciativa promove atividades formativas e educativas voltadas à prevenção da violência doméstica e à promoção da igualdade de gênero no âmbito da comunidade interna e aproximando estudantes da educação básica, profissionais da educação da comunidade universitária.

 

No campo da formação científica, destacam-se iniciativas voltadas ao incentivo à participação feminina nas áreas de ciência e tecnologia por meio da parceria com diversos setores, como a Secretaria de Direitos Humanos (SDH/DAC/UnB), o que permitiu fomentar projetos vinculados ao programa Mulheres e Meninas na Ciência, aproximando estudantes da educação básica da comunidade científica, estimulando vocações e ampliando a presença de mulheres, inclusive jovens estudantes, em áreas historicamente marcadas por desigualdades de gênero.

 

Parte dessas ações dialoga ainda com iniciativas culturais e comunitárias desenvolvidas pelas Casas Universitárias de Cultura da UnB, onde atividades de extensão promovem espaços de escuta, expressão artística e reflexão crítica sobre as experiências das mulheres na sociedade contemporânea.

 

Assim, a Universidade de Brasília renova seu compromisso extensionista como espaço de construção coletiva de conhecimento, de fortalecimento de direitos e de transformação social, cumprindo plenamente sua missão de cuidado, justiça e esperança.

 

“A extensão universitária transforma conhecimento em ação social e fortalece redes de proteção, diálogo e equidade nos territórios onde a universidade encontra a sociedade.”

 

*Durante o mês de março, priorizaremos artigos produzidos por mulheres.

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