Rafaella Eloy de Novaes, Cláudia Regina Nunes dos Santos Renault e Kessy Johny Pereira Mota da Silva
A Coordenação de Mulheres (CODIM) é uma das quatro coordenações da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Universidade de Brasília (UnB). Além desta, há a Coordenação Indígena (COQUEI), a Coordenação Negra (COQUEN) e a Coordenação LGBTQIA+ (CODSEX). A temática da mulher, no sentido efetivamente plural da palavra, atravessa o trabalho de todas as coordenações, que possuem, como eixos de atuação, entre outros, a intersetorialidade e o compromisso com os direitos humanos.
A CODIM/SDH tem como objetivos a promoção de ações de reconhecimento da diversidade de gênero e o enfrentamento do sexismo e das violências de gênero na Universidade. Para tanto, atua junto aos coletivos, aos sujeitos, às unidades, às faculdades, aos departamentos e aos decanatos interessados na construção dialógica de ações e projetos que reduzam as desigualdades de gênero nas trajetórias estudantis e laborais das mulheres da comunidade universitária.
Dentre as diversas ações desenvolvidas pela Coordenação, destaca-se o #8M, agenda anual de enfrentamento à violência de gênero na Universidade, construída de forma democrática e colaborativa junto a diversos membros da instituição. Neste ano, sob o lema “Nenhuma a menos, mais vozes, mais acolhimento”, o #8M faz um convite à expressão da diversidade de vozes femininas que compõem a comunidade universitária. Ao mesmo tempo, estimula a Universidade a romper com um projeto colonial de silenciamento das mulheres, marcado por ausências de escuta e acolhimento, sentimento de medo, isolamento e não pertencimento, face aos assédios e às violências.
No prefácio à edição brasileira do livro Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra, bell hooks1 assinala que enfrentar o medo de se manifestar e expressar-se com coragem continua a ser uma agenda vital para todas as mulheres. Trata-se de um convite a romper silenciamentos, encontrar a própria voz, seja individualmente ou junto aos coletivos, e experimentar a transição de objeto para sujeito de sua própria realidade.
Além da mobilização para elaboração da agenda #8M 2025 e 2026, no último ano, a CODIM/SDH esteve diretamente envolvida com sujeitos e grupos da Universidade na construção coletiva de importantes ações para a equidade de gênero, tais como a participação em Comissão Multidisciplinar que monitora o Acordo de Cooperação Técnica entre a Secretaria de Educação do Distrito Federal e a UnB referente ao Centro de Educação Infantil da UnB (CEI-UnB); a divulgação de materiais educativos voltados ao enfrentamento aos assédios e violências; a elaboração do primeiro Censo Materno e Parental junto aos Coletivos de Mães da UnB; a estruturação de Comissão Institucional Permanente para regulamentação da Política Materna e Parental da Universidade, aprovada pela Resolução CAD Nº 023/2024, cujos trabalhos se iniciarão este ano; o lançamento de Edital para implantação da primeira Cuidoteca da região Centro-Oeste (parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social); escutas, orientação e acolhimentos de membros da Universidade.
Em consonância ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, firmado em fevereiro deste ano entre os Três Poderes da República, a CODIM/SDH busca o diálogo com toda a comunidade acadêmica, inclusive não mulheres, para construção de ações coletivas para o enfrentamento à violência de gênero. A pauta em questão é complexa e, por isso, precisa do engajamento de todas as pessoas, em um movimento que reconheça a existência de desigualdades no que diz respeito ao gênero e suas interseccionalidades, e a necessidade urgente de superação.
Por seu compromisso com o diálogo e com a construção coletiva, a presença e atuação da CODIM/SDH na Universidade, pode-se afirmar, é REVOLUÇÃO, no sentido freireano. Ela não ocorre sem a escuta, a participação ativa e democrática, e a reflexão dos grupos e dos sujeitos, de forma horizontal. Nesse sentido, opõe-se à prática assistencialista e não dialógica, pois enquanto esta transforma as pessoas e os coletivos em objeto passivo, sem possibilidade de participar do processo de (re)construção da sua própria realidade, a prática dialógica cotidianamente aspirada pela CODIM/SDH deseja acolher e escutar a diversidade de vozes das mulheres e grupos da comunidade universitária, apostando na solidariedade dialógica.
Referências
1. Seguindo a própria bell hooks, nós grafamos o seu nome completamente em letras minúsculas a fim de enfatizar mais as suas ideias do que a sua pessoa.
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