OPINIÃO

 

Eduardo Bessa Pereira da Silva é professor da Faculdade UnB de Planaltina. Redige o blog Ciência à Bessa na rede Scienceblogs Brasil e é membro do comitê educacional da Animal Behavior Society.

Eduardo Bessa Pereira da Silva

 

Esse mês completo dez anos de UnB. Cheguei justamente no aniversário de 10 anos da FUP, que agora completa seu vigésimo aniversário.

 

Em 2006, nosso campus foi um ensaio do processo de multiplicação universitária resultante do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, o REUNI, que só seria sacramentado no ano seguinte. A UnB sempre como pioneira e balão de ensaio dos avanços no ensino superior.

 

Fundar um campus novo não é tarefa simples e é claro que enfrentamos desafios muito diferentes daqueles encarados em faculdades e institutos mais estabelecidos. Mesmo assim, existe na FUP um senso de comunidade delicioso, uma sensação de pertencimento. Pode ser resultado do tamanho da nossa comunidade, menor e mais intimista. Certamente também entram elementos do corpo que nos integra, de docentes, técnicos, terceirizados e estudantes. Sinto no ambiente nesses dez anos de convivência um acolhimento maior do que a competitividade, um bom-humor maior do que a preocupação com as inevitáveis mazelas, uma vontade de fazer maior do que a desesperança.

 

A FUP surgiu com o desejo de aproximar a UnB da população de Planaltina e demais RAs desse lado do DF. Talvez seja isso que nutre em nosso campus uma cultura extensionista tão forte. Hoje a FUP estende seus projetos para bem além dos limites originalmente planejados, com ações fortes em várias direções, por exemplo em Cavalcante-GO. Isso sem deixar de acolher a comunidade de planaltina, que vemos literalmente da nossa porta de entrada.

 

Nossos prédios conversam com a comunidade de Planaltina. Batalhas de rima ocupam nossas escadas, festejos tradicionais e feiras de produtores ocorrem pelo campus, campeonatos de xadrez e olimpíadas de matemática se fazem presentes em nossas salas. As paredes brancas dão espaço para grafiteiros locais expressarem sua arte. Agora até o conhecimento está fugindo das salas para as paredes e os jardins da FUP, como um crescente e tão sonhado Museu de História Natural na periferia do DF.

 

Um dos aspectos que mais adoro na nossa comunidade é a diversidade de ideias. Se antes de vir para a UnB minha turma de RU estudava comportamento de peixe (eu mesmo), genética de peixe, biodiversidade de peixe e fisiologia de peixe; hoje almoço com astrônomos, paleontólogos, químicos, neurocientistas e matemáticos. Isso sem falar na convivência e nos debates riquíssimos com tantas outras áreas que habitam a FUP. Mesmo nas discordâncias, e elas são frequentes, aprendemos e nos respeitamos por aqui.

 

Admiro muito os alunos com quem mais tenho contato na Licenciatura em Ciências Naturais. Ter um bom rendimento nessa graduação significa que você domina as exatas suficientemente para passar em disciplinas da matemática, física e química; domina a natureza o suficiente para ir bem nas disciplinas de astronomia, biologia e geologia; e domina humanas para se sair bem nas disciplinas da educação. Os meninos são verdadeiros polímatas!

 

Ao completar dez anos de casa, a FUP acaba de se tornar a instituição onde mais fiquei na minha carreira, que já passou por vários outros estados do Brasil. Aqui consigo enxergar mais muitos anos de carreira. Perguntarão: “Mas, e os problemas, professor?” Respondo: Os problemas da FUP são os que eu mais me divirto em resolver.

 

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