Júlio Barêa Pastore
Dia 5 de junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Esta pauta, central e urgente para a continuidade da vida humana nas próximas gerações, tem na ciência e na educação a grande esperança de avançar: é o conhecimento sobre a realidade e a capacidade de lutar pelo bem comum que permitirão fazer frente a interesses localizados, desinformação e desvarios. É neste contexto que se dá a importância do ensino, da pesquisa e da extensão realizados pela educação superior pública no Brasil.
A Universidade de Brasília tem papel relevante neste cenário. Está entre as maiores e melhores Instituições de Ensino Superior (IES) do Brasil e possui histórico de excelência em áreas centrais para o meio ambiente, em especial quando se fala do Cerrado — segunda maior formação fitogeográfica da América do Sul, menor apenas que a Amazônia, e um centro de biodiversidade do planeta.
A própria Universidade possui extensas áreas de Cerrado sob sua guarda, tanto em seus campi quanto na Fazenda Água Limpa. São áreas de altíssimo valor para a sociedade, que constituem reservas estratégicas para o Distrito Federal.
O Campus Darcy Ribeiro, por exemplo, possui extensas áreas de remanescentes de vegetação nativa: algumas com alto grau de degradação, outras que representam verdadeiros oásis de Cerrado dentro do Plano Piloto de Brasília.
Essa relevância ecológica e territorial não se restringe ao Plano Piloto: todos os campi da Universidade possuem extensões de áreas verdes importantes, ricas e que trazem desafios específicos para sua gestão.
O Campus UnB Gama (FCTE), por exemplo, possui uma expressiva área de campos de murundus — uma fitofisionomia peculiar e altamente ameaçada, caracterizada por microrrelevos inundáveis que cobrem mais de 30% da área do campus, funcionando como zona crítica de biodiversidade e recarga de aquíferos locais.
O Campus UnB Planaltina (FUP) destaca-se por salvaguardar fragmentos remanescentes de Cerradão, formação florestal densa que abriga espécies protegidas por lei — como pequizeiros, ipês e sucupiras — e serve como testemunho da resiliência ecológica e do que perdemos com o desmatamento de nossas formações florestais.
O Campus UnB Ceilândia (FCTS) também possui extensa área verde com vegetação nativa na faixa do córrego Taguatinga, que forma um vale verde entre Ceilândia e Samambaia, duas das maiores aglomerações urbanas do DF.
A maior área natural sob a salvaguarda da UnB fica, contudo, na Fazenda Água Limpa (FAL), localizada nas proximidades do Park Way. A FAL ocupa uma posição estratégica na conservação ambiental do Distrito Federal: ela integra a Área de Proteção Ambiental (APA) das Bacias do Gama e Cabeça de Veado e abriga, em seu perímetro, a Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Capetinga/Taquara.
No arranjo territorial do Distrito Federal, enquanto o Parque Nacional de Brasília protege a porção norte e importantes mananciais de abastecimento público, a FAL — em conjunto com a Reserva Ecológica do IBGE e a Estação Ecológica do Jardim Botânico — compõe o principal mosaico de conectividade ecológica da porção sul do DF. Sua matriz ecológica protege uma transição contínua de fitofisionomias nativas, resguardando matas de galeria fundamentais para a segurança hídrica das bacias dos córregos Capetinga e Taquara.
A assinatura recente do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a Universidade de Brasília e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estabeleceu uma base de colaboração para o desenvolvimento de metodologias de manejo e restauração ecológica da FAL. É uma excelente notícia para a Universidade e para a sociedade.
Para os campi da Universidade, a estratégia será outra: a SeMA está se preparando para assumir diretamente a coordenação de serviços de restauração. O plano é contratar serviços que serão delineados segundo o que a própria Universidade vem pesquisando e desenvolvendo na área, transformando seu próprio caso em objeto de pesquisa, capacitação e qualificação. Esta é uma maneira efetiva de garantir que o patrimônio ambiental será recuperado e preservado, potencializando a continuidade das atividades acadêmicas realizadas nestas áreas, mas também visando a fruição destes espaços pela comunidade.
No momento, este trabalho ainda é interno, de elaboração do referencial técnico dos serviços e dos termos técnicos da contratação. Uma vez instalada, a cada ano serão recuperados dezenas de milhares de metros quadrados de vegetação nativa. Além do impacto local, os resultados poderão eventualmente servir de referência para outros contextos. É o que esperamos.
Sobre a SeMA: A Secretaria do Meio Ambiente da UnB (SeMA) como órgão auxiliar responsável pela coordenação e monitoramento das ações da UnB que envolvem questões relacionadas ao meio ambiente, apoia as unidades e a gestão superior na condução e adequação das atividades de acordo com as normativas e no planejamento e na implantação de políticas de gestão ambiental.
Os técnicos da SeMA coordenam ou participam diretamente da prestação desses serviços. São trabalhos técnicos, estruturados ao longo dos anos: manejo de resíduos perigosos e recicláveis, monitoramento da arborização, licenciamento ambiental, fauna silvestre, controle de pragas urbanas, além de ações de manejo populacional de gatos (castração, chipagem e vacinação), envolvendo parcerias com a Prefeitura da Universidade (PRC), a Infra e o Hospital Veterinário. O próximo passo é adicionar a recuperação das áreas de Cerrado dos nossos campi nesta lista.
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