OPINIÃO

 

Ana Elizabeth Oliveira Lima é formada em Biomedicina pela Universidade Católica de Brasília. Cofundadora da Tom de Ébano, marca artesanal criada na Ceilândia por duas mulheres negras e LGBT. Atualmente também desenvolve projetos de empreendedorismo criativo e economia colaborativa.

 

 

Luana Carvalho é graduanda de Serviço Social pela Universidade de Brasília. Cofundadora da Tom de Ébano, marca artesanal criada na Ceilândia por duas mulheres negras e LGBT. Possui interesse em temas ligados à economia solidária, território e fortalecimento comunitário.

 

Ana Elizabeth e Luana Carvalho

 

Realizar a oficina de escalda-pés no Tubo de Ensaios foi uma experiência que ultrapassou a ideia de ensinar apenas uma receita artesanal. O encontro se tornou um espaço de troca, acolhimento e construção coletiva de cuidado dentro da Universidade de Brasília. Em meio à rotina acelerada da vida acadêmica, reservar um momento para falar sobre ervas, descanso e bem-estar também é uma forma de produzir conhecimento.

 

A oficina surgiu a partir da vontade de compartilhar saberes ancestrais e populares relacionados ao uso das ervas no cotidiano. Durante o encontro, conversamos sobre propriedades de plantas como alfazema, alecrim, camomila e hortelã, além de ensinar como montar um escalda-pés utilizando ingredientes acessíveis. Mais do que aprender uma técnica, os participantes foram convidados a refletir sobre autocuidado, presença e conexão com o próprio corpo.

 

Foi muito significativo perceber o interesse das pessoas em compreender os efeitos simbólicos, emocionais e sensoriais das ervas. Compartilhar memórias afetivas relacionadas às plantas, lembranças de avós, quintais e práticas familiares de cuidado. Isso mostrou como os conhecimentos populares continuam vivos e atravessam diferentes trajetórias dentro da universidade. Como mulheres negras, periféricas e artesãs à frente da marca Tom de Ébano, entendemos o cuidado como uma prática política e coletiva. Levar essa oficina para a UnB também representou ocupar esse espaço com saberes que muitas vezes não são reconhecidos como conhecimento legítimo, apesar de fazerem parte da história e da vivência de muitas comunidades.

 

A experiência no Tubo de Ensaios reforçou a importância de iniciativas que aproximem arte, ciência, cultura e bem-estar. Em um contexto em que o cansaço físico e emocional afeta grande parte da comunidade universitária, encontros como esse ajudam a criar espaços mais humanos, sensíveis e acolhedores.

 

Ao final da oficina, não levamos apenas a sensação de ter ensinado algo, mas também a certeza de que experiências coletivas de cuidado podem fortalecer vínculos, despertar memórias e abrir caminhos para novas formas de aprendizado dentro da universidade.

 

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