OPINIÃO

José Alberto Vivas Veloso é professor aposentado da Universidade de Brasília e criador do Observatório Sismológico (SIS/UnB). Mestre em Geofísica pela Universidade Nacional Autônoma do México. É autor do livro O terremoto que mexeu com o Brasil.

Alberto Veloso 

 

Uma dupla de terremotos no noroeste da Venezuela, com magnitudes 7.2 e 7.5 e com 39s de diferença entre si, produziu enormes estragos e um possível elevado número de vítimas fatais. 

 

O Serviço Geológico Americano (USGS), que registrou ambos os eventos, estima o número de mortos superior a 10 mil. Essa avaliação é baseada no número de habitantes de cidades circunvizinhas expostas às violentas e incontroláveis vibrações do chão. A mesma entidade estimou as perdas econômicas entre 1 e 4% do Produto Interno da Venezuela. 

 

A Venezuela é considerada um país sísmico porque está próximo da complexa movimentação de duas placas tectônicas, onde a do Caribe se move para leste em relação à gigantesca placa Sul-Americana, à velocidade de 2cm/ano. O rompimento de uma falha nas cercanias deste tectonismo foi a fonte dos atuais terremotos. 

 

Com menos de 24 horas do ocorrido, ainda não se tem ideia do real tamanho do desastre, mas ele traz ingredientes que podem torná-lo maiúsculo: magnitudes acima de 7, profundidades rasas, em torno de 10km, horário de ocorrência com muita gente dentro das casas, zona epicentral em região densamente habitada e com construções antigas e vulneráveis às acelerações do terreno. Imagens recentes comprovam desabamentos de vários prédios em Caracas, certamente com pessoas presas em escombros. É uma situação que requer uma imediata e robusta ajuda humanitária. 

 

A dupla de terremotos liberou ondas sísmicas que chegaram ao norte do Brasil, balançando edifícios altos em Belém, Manaus, Santarém e mais cidades amazônicas. Nesses casos, os prédios se comportaram como pêndulos invertidos, oscilando lentamente e alarmando os seus moradores, que, por sua vez, se sentem inseguros. A razão desse fenômeno é porque todas aquelas cidades estão situadas sobre rochas sedimentares que têm a capacidade de amplificar os efeitos das ondas sísmicas. Isso já aconteceu anteriormente com terremotos distantes, de origem andina, sem, no entanto, ocasionar danos estruturais conhecidos em prédios brasileiros. É importante deixar claro: futuros acontecimentos desta natureza não podem ser descartados. 

 

 

 

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