OPINIÃO

 

Wivian Weller é professora da Faculdade de Educação na Universidade de Brasília. Bolsista produtividade em pesquisa do CNPq e líder do grupo de pesquisa Gerações e Juventude (GERAJU).

 

 

 

Nicolle Pfaff é professora da Cátedra Migrações e Desigualdades na Faculdade de Ciências da Formação da Universität Duisburg-Essen, Alemanha.

Wivian Weller e Nicolle Pfaff

 

Com o lema "Contextos diferentes, aspirações comuns", o Dia Mundial da Juventude é celebrado em 12 de agosto de 2026. O site das Nações Unidas destaca que os jovens "buscam dignidade, oportunidades, participação significativa, trabalho decente, educação de qualidade e um futuro sustentável"1, indicando características transnacionais que perpassam a juventude em distintos contextos. Em 2020, jovens entre 15 e 24 anos representavam 16% da população mundial (1,21 bilhão), sendo que a grande maioria vivia nos países do chamado Sul Global, onde a pobreza é mais elevada2. As desigualdades globais estruturam a juventude de múltiplas formas e produzem condições desiguais de desenvolvimento juvenil entre os países.

 

Nesse sentido, estudos têm apontado para a necessidade de se compreender a juventude na atualidade a partir de uma perspectiva geracional e global. Sobretudo, as questões relacionadas às desigualdades sociais e sua influência sobre a juventude não podem mais ser discutidas apenas no âmbito do Estado-nação, considerando as disparidades econômicas e as catástrofes ecológicas que incidem de forma distinta nas diferentes regiões do planeta.

 

Os jovens são mais afetados pelo desemprego ou subemprego, estão mais expostos aos riscos de exclusão em crises econômicas e ambientais e recebem menos proteção por meio de políticas sociais do que os adultos. Analisar a juventude a partir de uma perspectiva geracional em contextos heterogêneos e contraditórios, caracterizados por desigualdades que se sobrepõem, pode contribuir para uma melhor compreensão das especificidades da condição juvenil e das unidades geracionais constituídas nesses espaços, a partir das quais o significado da juventude deve ser apreendido e teoricamente formulado.

 

Ao mesmo tempo, espaços transnacionais da juventude, como movimentos sociais e suas repercussões em plataformas digitais, mostram que, mesmo em condições adversas, os jovens criam formas de resistência, organização e atuação. Em diversas partes do mundo, os jovens têm demonstrado que são capazes de construir projetos coletivos que desafiam as desigualdades estruturais e clamam por justiça social.

 

Pensar a juventude no contexto global, refletir sobre as aspirações comuns dos jovens em distintos contextos e garantir que elas sejam alcançadas requer ações específicas que transcendam as fronteiras nacionais. A celebração do Dia Mundial da Juventude não deve ser, portanto, apenas um ato simbólico, mas um convite à ação coletiva em defesa da dignidade e das oportunidades de educação, trabalho e de um futuro sustentável para todas as pessoas jovens, independentemente do país em que vivem.

 

Referências

1. Disponível em: Tema de 2026: Contextos diferentes, aspirações comuns

2. As informações originam-se do artigo de Pfaff e Weller (2024). PFAFF, Nicolle; WELLER, Wivian. Jugend und Generationalität im Kontext von Globalisierung, Transnationalisierung und sozialer Ungleichheit. Zeitschrift für Pädagogik, v. 70, p. 184-198, 2024.

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