Érika Menezes
A participação do Laboratório Mulheres, Arquitetura e Território – Lab Mulheres no 5º Seminário Mulher, Cidade e Arquitetura (SMCA), realizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, constituiu uma experiência de formação, produção e compartilhamento de conhecimento. A equipe participou da abertura institucional, apresentou trabalhos científicos, integrou mesas e rodas de conversa e atuou na monitoria presencial e no suporte às atividades híbridas. Mais do que apresentar resultados, as integrantes vivenciaram diferentes dimensões da organização e da interlocução acadêmica, estabelecendo diálogos com pesquisadoras de diferentes instituições, áreas do conhecimento e trajetórias.
A participação da Profa. Maribel Aliaga Fuentes na abertura permitiu apresentar a trajetória do Lab Mulheres e, especialmente, a experiência da Casa da Mulher Indígena – CAMI como resultado de um processo de pesquisa, escuta, participação indígena e construção compartilhada. A apresentação evidenciou que projetar espaços destinados às mulheres indígenas exige compreender outras relações entre território, natureza, corpo, cuidado e modos de vida. A experiência da CAMI despertou interesse entre docentes, pesquisadoras e participantes, contribuindo para o debate sobre outras formas de produzir arquitetura a partir de processos participativos.
As integrantes do Lab também apresentaram pesquisas relacionadas a cartografias, trajetórias femininas, território, cuidado, cidades, memória e saberes indígenas. Os relatos posteriores demonstraram que o encontro não apenas permitiu divulgar pesquisas em andamento, mas também produziu novos questionamentos teóricos e metodológicos. Jéssica Helen destacou as possibilidades da cartografia para compreender trajetórias; Emily Freire ressaltou o caráter coletivo da produção do conhecimento; Daniela Cortez retornou com novas questões para sua pesquisa; Carolina Vivas aproximou cartografia, território e cuidado; Sara Merhj refletiu sobre cidades pensadas a partir das experiências das mulheres; Amanda Pankararu problematizou a invisibilização dos conhecimentos indígenas; Erika Menezes aprofundou as relações entre corpo, território, cuidado e bem viver; e Anna Henks destacou a potência da CAMI como percurso integrado de pesquisa e construção coletiva.
A atuação das integrantes como monitoras também integrou o processo formativo. Organizar salas, apoiar pesquisadoras, acompanhar transmissões, apresentar trabalhos e participar dos debates mostraram-se diferentes dimensões de uma mesma experiência universitária. O reconhecimento espontâneo da equipe como “as meninas do Lab” sintetizou a presença constante e o protagonismo das jovens pesquisadoras durante o encontro.
A participação no 5º SMCA reafirmou, assim, uma perspectiva que vem orientando o Lab Mulheres: pesquisar com mulheres significa também experimentar formas de produção do conhecimento fundamentadas na escuta, na reciprocidade, no cuidado e na construção coletiva. O grupo chegou ao congresso levando pesquisas e retornou trazendo novas perguntas, interlocuções e possibilidades de investigação.
Figura 1 - Integrantes do Lab Mulheres durante o 5º SMCA
Fonte: Marinho Júnior/CAU/SP, 2026.
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