Isaac Reis
O que significa viver uma Universidade?
Para muitas pessoas, significa “fazer faculdade”: frequentar aulas e conquistar uma formação profissional. Outras incluiriam “estudar, pesquisar e produzir conhecimento”. Todos esses são aspectos muito importantes da vida acadêmica. Mas uma Universidade é – ou deveria ser – muito mais do que isso. Ela é também um lugar em que pessoas, ideias, saberes e visões de mundo se encontram de um modo pouco comum na sociedade.
A UnB, com seus quatro campi, é a concretização dessa ideia em nosso território: para ela acorrem, todos os dias, pessoas com distintos interesses acadêmicos e profissionais, gente de diferentes gerações, origens sociais, culturas e perspectivas. Cotidianamente, mergulhados nesse ambiente diverso, aprendemos a argumentar, debater ideias, produzir conhecimento e compartilhar espaços. E fazemos isso com tamanha naturalidade que, muitas vezes, não nos damos conta das transformações que a Universidade vai produzindo na vida de cada um, de cada uma.
A Semana Universitária, conhecida como Semuni, que ocorrerá entre os dias 20 e 25 de setembro, condensa essa experiência. Durante alguns dias, ensino, pesquisa, extensão, inovação, cultura, esporte e convivência ocuparão os mesmos espaços. Será uma oportunidade para conhecer de perto o que a Universidade produz e, sobretudo, perceber como diferentes formas de conhecimento podem dialogar entre si e com os problemas da sociedade.
Em sua 26ª edição, a Semuni terá como tema “Democracia em cena: arte, cultura e pertencimento”, estimulando a reflexão sobre os espaços públicos como lugares de convivência entre diferentes e sobre nossa capacidade coletiva de imaginar futuros possíveis, valorizar a diversidade, promover o diálogo e fortalecer a participação democrática.
Este texto, na verdade, é um convite. Para que nos permitamos sair dos percursos habituais e trilhar caminhos novos na UnB: ir a uma atividade de outra área, visitar uma exposição de arte, conhecer um projeto de extensão, prosear com cientistas ou (quem sabe?) com a Reitora, participar de uma oficina, conhecer outro campus, enfim, viver a Universidade como uma experiência repleta de sentido.
Essas experiências fazem parte da formação universitária. Elas estimulam a curiosidade, a alteridade, a autonomia e, sobretudo, o aprendizado. Porque uma Universidade forma também por aquilo que encontramos quando saímos das salas de aula.
E, durante a Semuni, não faltarão caminhos a percorrer: de atividades esportivas a um hackathon; da Mostra de Cursos à apresentação de projetos de iniciação científica; da conversa sobre projetos de extensão às quase 1.200 ações distribuídas pelos quatro campi e pelas unidades da UnB.
Além disso, a Semuni é uma oportunidade ímpar de a educação básica encontrar a educação superior pública. É quando estudantes das escolas do DF podem descobrir como funciona a Universidade, o que se pesquisa nela, quais cursos são oferecidos, como é o cotidiano universitário e, acima de tudo, imaginar-se pertencendo àqueles espaços no futuro. Para muitos jovens do Distrito Federal, a Semuni pode ser também o primeiro passo para descobrir a Universidade pública como horizonte possível para seus próprios projetos de vida.
Por tudo isso, reforço o chamado para que a comunidade acadêmica e toda a sociedade do Distrito Federal venham vivenciar a UnB. Uma Universidade se conhece estudando o que ela produz, mas também caminhando por ela, encontrando pessoas, fazendo perguntas e descobrindo possibilidades que antes não tínhamos imaginado. Talvez seja justamente esse o significado mais profundo de viver uma Universidade.
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