Peterson Goes Silva
Há algo de muito acertado no nome que a Universidade de Brasília escolheu para homenagear seus servidores mais antigos. Não se trata de “prata da instituição” nem de “ouro do órgão”. É prata, ouro e diamante da casa. E casa, todos sabemos, não é apenas o lugar onde se trabalha. É onde se cria raiz.
Neste mês de outubro, em que se celebra o Dia do Servidor Público, a UnB vai reconhecer 59 servidores que completam 25, 40 ou 45 anos de dedicação à instituição. Como Decano de Gestão de Pessoas, gostaria de propor um olhar sobre esses três metais, porque cada um deles diz algo sobre o que significa permanecer.
A prata é um metal que ganha brilho com o uso. Guardada, ela escurece. Manuseada no cotidiano, mantém-se viva. É uma boa imagem para quem completa 25 anos de UnB. Um quarto de século não é tempo de descanso, mas de plenitude. É quando o servidor já conhece os caminhos da Universidade, já formou laços sólidos e ainda tem muito a oferecer. A homenagem, nesse momento, funciona menos como um ponto de chegada e mais como um incentivo para seguir.
O ouro é o metal que não se oxida. Atravessa o tempo sem perder sua natureza. Quem chega aos 40 anos de UnB viu mudarem as carreiras, as regras de pessoal e as formas de trabalhar. Começou no tempo da máquina de escrever e do processo em papel e hoje despacha tudo pelo sistema eletrônico. E, ainda assim, permaneceu. Não por inércia, mas por escolha renovada a cada dia. Há nessas trajetórias uma constância que inspira e uma memória que nenhum arquivo consegue guardar por inteiro.
O diamante, por fim, é formado pelo tempo. Nasce de um processo longo e paciente, e por isso se torna raro. Quem soma 45 anos de casa carrega a própria história da UnB no corpo e na lembrança. São pessoas que conheceram a universidade quando ela ainda se consolidava e que ajudaram, com seu trabalho diário, a torná-la o que é hoje. Cada uma dessas pessoas é, em si, um pedaço vivo da trajetória da universidade.
O que une esses três grupos é o vínculo. Ninguém permanece tanto tempo num lugar apenas porque precisa. Permanece porque encontrou ali sentido, pertencimento, colegas que se tornaram amigos, um trabalho que vale a pena. É por isso que a palavra casa cabe tão bem. Ela fala de afeto, de cuidado mútuo, de um espaço que construímos juntos e que, ao mesmo tempo, nos constrói.
Reconhecer publicamente essas trajetórias é uma forma de a Universidade dizer a cada um: você faz parte desta história. E é também uma mensagem para quem está chegando. Os servidores que ingressaram recentemente olham para a cerimônia e enxergam um futuro possível, uma carreira inteira dedicada a uma instituição que sabe valorizar quem a sustenta.
Falo também por mim. Cheguei à UnB em 2016 e completei dez anos de casa neste ano. Ainda estou longe da prata, mas já sei o que gostaria de sentir quando ela chegar: a certeza de ter ajudado a cuidar desta casa tão bem quanto ela cuidou de mim.
A solenidade reúne, no mesmo espaço, docentes e técnicos administrativos das mais diversas unidades, acompanhados de colegas, familiares e amigos. Ninguém é homenageado pelo cargo que ocupa, mas pelo tempo que dedicou. É uma tarde em que a Universidade se olha no espelho e reconhece que é feita de pessoas.
Aos 59 homenageados deste ano, fica o agradecimento de toda a comunidade. Vocês são a prata, o ouro e o diamante desta casa. E é graças a vocês que ela continua de portas abertas para quem vem depois.
ATENÇÃO – O conteúdo dos artigos é de responsabilidade do autor, expressa sua opinião sobre assuntos atuais e não representa a visão da Universidade de Brasília. As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seu conteúdo.

