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Boletim de Saúde 05/2026 • Hepatites Virais
Boletim Informativo de Saúde nº 05/2026/DAC/DASU/COAVS
O Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais é celebrado anualmente em 28 de julho. A data, instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS), faz parte da campanha Julho Amarelo, focada na prevenção, testagem e tratamento das infecções que atingem o fígado.
A mortalidade anual global por hepatite viral é comparável à do HIV, tuberculose ou malária e provavelmente excederá o número de vítimas dessas três doenças combinadas até 2040. A hepatite é uma inflamação do fígado causada por diversos vírus infecciosos e agentes não infecciosos, que leva a uma série de problemas de saúde, incluindo danos hepáticos graves e câncer, alguns dos quais podem ser fatais. No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. Existem ainda, o vírus da hepatite D (mais comum na região Norte do país) e o vírus da hepatite E, que é menos frequente no Brasil, sendo encontrado com maior facilidade na África e na Ásia. Os vírus A (HAV) e E (HEV) são mais comuns em países de baixa e média renda devido ao acesso reduzido a fontes de água potável e segura e ao maior risco de contaminação alimentar. Dos cinco tipos de hepatite, os tipos B e C são responsáveis pela maioria dos casos e óbitos. Estima-se que 57% dos casos de cirrose hepática e 78% dos casos de câncer primário de fígado sejam causados pelos vírus das hepatites B e C. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 3% da população mundial convive com hepatite C crônica, e muitas pessoas desconhecem que possuem a doença. Nas Américas, cerca de 80.000 novas infecções por hepatite B e C surgem a cada ano, sendo que a maioria não é detectada, enquanto entre 60.000 e 100.000 pessoas morrem anualmente em decorrência dessas doenças.
Embora todas possam causar doenças hepáticas, elas diferem em aspectos importantes, incluindo modos de transmissão, gravidade da doença, distribuição geográfica e métodos de prevenção. As hepatites virais podem ser transmitidas por:
• Relações sexuais desprotegidas;
• Contato com sangue contaminado, por meio do compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha ou transfusão de sangue sem os devidos cuidados;
• Contato fecal-oral, especialmente em locais com condições precárias de saneamento básico, higiene pessoal e dos alimentos;
• Transmissão da mãe para o bebê durante a gestação, parto ou amamentação.
Entre as hepatites virais, a hepatite C permanece como uma das principais preocupações devido ao longo período sem sintomas. Já a hepatite B, apesar da ampla vacinação, ainda registra transmissão e mantém um contingente expressivo de pessoas com infecção crônica sem diagnóstico.
As hepatites podem causar alterações leves, moderadas ou graves. São frequentemente silenciosas, mas, quando se manifestam, os sintomas mais comuns são: olhos e pele amarelados, cansaço, febre, mal-estar, tontura, náuseas, vômitos, dor abdominal, urina escura e fezes claras. A boa notícia é que existem medicamentos disponíveis para curar a hepatite C, bem como tratamentos eficazes para controlar a hepatite B.
A vacinação é a principal forma de prevenção contra as hepatites A e B. A vacina contra a hepatite B também protege contra a hepatite D. Atualmente, não existe vacina para a hepatite C, mas a doença tem altas chances de cura quando diagnosticada precocemente e tratada de forma adequada. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente as vacinas contra as hepatites A e B, disponível para adultos e crianças, além de testes rápidos para a detecção de hepatites B e C. O teste é gratuito e feito com uma simples gota de sangue da ponta do dedo.
Além da vacinação, é importante adotar hábitos de prevenção, como manter boas condições de higiene e saneamento, evitar o compartilhamento de objetos pessoais e perfurocortantes (lâminas de barbear, alicates de cutícula ou escovas de dente, seringas e agulhas), praticar sexo seguro e reduzir o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, além de manter a vacinação contra a hepatite B em dia.
Embora o Brasil tenha avançado na vacinação contra a hepatite B e disponibilize tratamento capaz de curar mais de 95% dos casos de hepatite C, o subdiagnóstico ainda representa um dos principais obstáculos para que o país alcance a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.
Nesse contexto, o acesso à informação e aos serviços de saúde torna-se fundamental, especialmente para o acolhimento, orientação e acompanhamento das pessoas com comportamentos e/ou situações de risco.
A comunidade universitária poderá buscar atendimento ou esclarecimentos nos Núcleos de Atenção e Vigilância à Saúde (NAVS), localizados no ICC Sul do Campus Darcy Ribeiro, na Faculdade do Gama (FGA). A Faculdade de Ceilândia (FCE) e a Faculdade de Planaltina (FUP) deverão comunicar-se com o Núcleo de Vigilância em Saúde (NVS) através do e-mail nvsaude@unb.br ou através do telefone 61-3107.6785.
