SAÚDE

Sessões solenes nos parlamentos local e federal marcam a data. Universidade já formou cerca de 1,5 mil cirurgiões-dentistas

Homenagem aos 45 anos do curso de graduação em Odontologia. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Faculdade de Ciências da Saúde (FS) comemorou, neste mês, os 45 anos do curso de Odontologia. Mais de 80 turmas formaram-se desde a sua criação, totalizando cerca de 1,5 mil cirurgiões-dentistas, além de mestres e doutores, que atuam em diferentes setores, como clínicas e hospitais privados, no Sistema Único de Saúde (SUS) e na pesquisa e gestão pública. 

 

As Câmaras distrital (CLDF) e federal realizaram sessões solenes em reconhecimento à história de um dos cursos mais respeitados do país e seu papel fundamental na saúde pública do DF.

 

“Comemorar aniversários é coroar um trabalho que vem sendo feito há muitos anos com qualidade acadêmica”, disse a reitora Rozana Naves na solenidade do Congresso Nacional, em 5 de dezembro. “É celebrar também a possibilidade que a Universidade de Brasília tem de desenvolver não só suas atividades fins, mas também de se articular com o SUS e com a rede de saúde do Distrito Federal por meio da assistência odontológica na atenção primária”, destacou.

 

Na mesma sessão, o diretor da FS, Laudimar Alves de Oliveira, reiterou a excelência do curso. “Ser egresso da Odontologia da UnB é trazer no seu íntimo a marca de uma formação humanista e solidária, onde o preconceito é refutado e a busca por excelência científica é uma meta”, disse.

 

O chefe do Departamento de Odontologia, Jacy Carvalho Júnior, destacou o trabalho dos fundadores, professores Volnei Garrafa e Orlando Ayrton de Toledo, “pautado na inovação e criatividade, atento à realidade socioeconômica e cultural do país e aos desafios da profissão”.

 

A coordenadora do curso, Aline Rocha Fernandes, reiterou a importância das políticas públicas construídas em diálogo com as universidades brasileiras para o pleno acesso à cidadania. “Estar aqui hoje onde se constroem as políticas que moldam o país engrandece esta celebração”, disse. “Cada sorriso restabelecido pode ser considerado um ato de compromisso com a saúde pública brasileira”, completou ao apontar desafios como a ampliação da política de assistência estudantil.

 

Professora Heliana Dantas Mestrinho, membro do corpo docente que formou a primeira turma de Odontologia da UnB. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

 

HISTÓRIA - Parte do corpo docente responsável por formar a primeira turma do curso de Odontologia da UnB, a professora aposentada Heliana Dantas relembrou a trajetória do curso. Criado em 1981, a graduação em Odontologia possui hoje professores em sua maioria doutores e nota 5 no MEC. Em 2017, foi criado o PPG na área, com conceito inicial 4 pela Capes.

 

“Cheguei em Brasília em 81, praticamente à época da criação do curso de Odontologia, o primeiro do DF, após término do mestrado em Odontopediatria no campus USP Bauru. Junto comigo vieram também as futuras professoras do nosso curso Ana Cristina Barreto Bezerra e Joana Cristina Carvalho”, relembrou.

 

“As aulas teóricas e atividades laboratoriais eram desenvolvidas em instalações adaptadas às nossas necessidades, mas consideradas precárias e a parte assistencial era inserida no antigo hospital do Ipase, hoje HUB”, disse. “Nesse ambiente, criamos as bases do ensino visando à assistência básica integral.”

 

Heliana lembra que, nos anos 1980, não havia dados nacionais sobre a saúde bucal dos brasileiros. Ela conta que, apenas em 1986, no primeiro levantamento epidemiológico, foi possível ter as primeiras informações oficiais sobre os altos índices da doença cárie na população.

 

“Com a criação do SUS e ampliação das políticas públicas de fluoretação das águas de abastecimento e introdução do fluoreto nas pastas de dente, tivemos uma redução significativa nos índices CPOD em crianças de 12 anos”, apontou. Em 1986, o índice era 7,3, e em 2010, 2,1, citou a professora. O índice mede a saúde bucal considerando número de dentes cariados, perdidos e obturados. “Esse foi um marco memorável que tive o privilégio de ver acontecer”, disse.

 

Para o futuro, Heliana destaca, entre os desafios, a necessidade de continuar formando profissionais generalistas de alto desempenho, com formação ética e científica, sem esquecer tecnologias especiais principalmente com a chegada da inteligência artificial. “Como fazer com que a IA seja uma ferramenta que ajude a reduzir as desigualdades na área da Odontologia?”, indaga.

 

Sessão Solene na Câmara Federal

 

Sessão Solene na Câmara Distrital

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