Há 55 anos, o curso de Serviço Social da UnB forma profissionais e constrói uma trajetória ligada à defesa dos direitos sociais e à reflexão crítica sobre a sociedade. Nos dias 21 e 22 de outubro, a celebração da efeméride reuniu diferentes gerações que ajudaram a construir a história do curso, com atividades culturais, debates e homenagens.
Na abertura do evento, que ocorreu na quarta (21), no auditório da Faculdade Direito (FD), no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte, foram relembrados parte da história do curso e seu papel na transformação da sociedade.
“Este ano o Serviço Social fez 90 anos no Brasil e o curso na UnB, 55 anos, participamos de mais da metade da história do serviço social brasileiro”, disse o estudante João Pedro Góis, representante do Centro Acadêmico da graduação, ao destacar os direitos sociais previstos na Constituição Federal de 1988 e o papel do curso na garantia desses direitos. “A UnB participa da construção histórica da nossa profissão”, destacou.
A presidente da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), Maria Luiza Pinho, relembrou lutas sociais enfrentadas no país, anos antes da instalação do curso, em busca da construção de uma sociedade mais justa. “Em 1962, tínhamos no horizonte a aliança operária, estudantil e camponesa, a efervescência das reformas de base e o sonho do serviço social contribuir de fato para a reconstrução do país e fomos impedidos”, pontuou a docente ao falar dos desafios da profissão e ao mencionar a ditadura militar como entrave à época.
Chefe do Departamento de Serviço Social (SER), Elaene Alves também lembrou o período histórico em que o curso foi criado. “Nosso curso nasceu em 1971, sob a ditadura empresarial-militar. A Universidade vivia intervenções e restrições à liberdade de ensinar, pesquisar e pensar. Recuperar essa origem exige reconhecer as disputas que atravessaram a Universidade e a formação profissional”, disse.
Já a diretora do Instituto de Ciências Humanas (ICH), Neuma Brilhante, falou sobre a importância do pensamento crítico na construção do conhecimento e citou o nome de lideranças políticas locais formadas na unidade, como Rodrigo Rollemberg (PSB), Reginaldo Veras (PV) e Fábio Félix (PSOL).
“Trabalhamos com conhecimento crítico que exige de nós sermos participativos e questionarmos a realidade. […] Se fôssemos uma instituição acomodada, não faríamos ciência. A inquietude faz parte do espírito da Universidade”, destacou. “Parabéns a cada um de vocês que participam dessa história e que tenhamos muitas outras conquistas para comemorar”, celebrou.
ENTRE LUTAS E MOBILIZAÇÕES SOCIAIS – “Falar dos 55 anos do curso de Serviço Social é falar de parte significativa da história da UnB”, disse a reitora Rozana Naves. “O Serviço Social foi criado nos ajudando a cumprir os desafios e a missão institucional que Darcy nos delegou de pensar o Brasil, em um projeto político-pedagógico inovador que é obra de Anísio Teixeira”, citou.
A reitora ressaltou ainda a presença dos movimentos sociais na Universidade nos últimos anos, como o dos pequenos agricultores e das mulheres atingidas por barragens, a contribuição de entidades como a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (Abepss) no combate à desinformação e a participação de docentes e egressos em órgãos de governo.
Presente na abertura, a ministra da Mulher, Márcia Lopes, professora aposentada de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL), lembrou de parte da história de lutas sociais que viveu enquanto profissional da área e da importância de seguir enfrentando as desigualdades.
“Entrei em 1981 como professora, e agora, em 2011, me aposentei. A vida é assim, as gerações vão passando, o importante é que a nossa luta e coragem permaneçam.”
Entre os convidados, também estiveram o deputado distrital Fábio Félix, egresso do curso de Serviço Social; a representante da Abepss, Michelly Elias; e a presidente do Conselho Regional de Serviço Social no DF, Fernanda Granja.
Apresentação cultural também marcou a programação comemorativa, com a presença da Batalha da Escada, iniciativa que leva a cultura hip-hop para dentro da Universidade.
