
A Universidade de Brasília oficializou sua adesão à Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza. A cerimônia de assinatura ocorreu nesta segunda-feira (31), no Salão de Atos, no prédio da Reitoria, campus Darcy Ribeiro. A data escolhida reforça o compromisso da instituição com a democracia, as liberdades e a justiça social, rememorando o golpe militar de 1964, que instaurou um regime de exceção no país.
A reitora da UnB, Rozana Naves, destacou a importância da medida para a Universidade de Brasília. "É uma alegria celebrar a assinatura desta adesão, que reforça o compromisso histórico da UnB com a justiça social. Nossa Universidade, com sua tradição de vanguarda, agora, se soma aos esforços internacionais para combater a fome e a pobreza de forma estrutural."
Com a adesão, a UnB fortalece sua atuação na erradicação da pobreza e na segurança alimentar, contribuindo por meio do ensino, da pesquisa e da extensão. A Universidade passa a integrar um movimento global em defesa do acesso justo e digno aos alimentos, promovendo políticas públicas, produção sustentável e capacitação de comunidades vulneráveis, especialmente agricultores familiares e povos tradicionais.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, lembrou do papel estratégico da UnB na promoção dos direitos humanos. "A UnB é uma universidade comprometida, há muitos anos, com a missão do nosso ministério. Essa integração com a academia é fundamental para avançarmos nas políticas públicas de combate à fome e redução das desigualdades", afirmou.

Wellington Dias aproveitou o momento e convocou toda a comunidade acadêmica para contribuir com o enfrentamento à fome. "Em maio teremos um encontro Brasil-África sobre agricultura familiar, e a UnB será crucial. Essa assinatura não é só formalidade, é o início de um trabalho conjunto que fará história no combate à fome mundial."
Ao assinar a declaração de adesão, a UnB se compromete a colaborar com os objetivos e princípios da Aliança Global, conforme expresso nos Termos de Referência e Marco de Governança da iniciativa. A Universidade também atuará junto a outros membros da aliança para desenvolver soluções duradouras no combate à fome e à pobreza em âmbito mundial.
A representante da Comissão de Direitos Humanos da UnB, Margô Karnikowski (FCTS), destacou a importância histórica do momento. "Este tema nos é profundamente caro, considerando o paradoxo de um país rico que ainda convive com a fome e extrema pobreza. Como Universidade, temos o dever e a capacidade de transformar essa realidade", afirmou.
Por meio de projetos de ensino profissional, extensão universitária, pesquisa e inovação, a UnB contribuirá para políticas públicas de aumento de renda e erradicação da pobreza. Suas iniciativas incluem a produção e comercialização de alimentos de origem animal e vegetal com manejo sustentável do solo, água e defensivos agrícolas, garantindo um ambiente laboral digno e com remuneração justa para agricultores familiares, povos originários e tradicionais.
A secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Lilian Rahal, citou o sucesso de parcerias que já estão em andamento. "Temos trabalhado com o professor Mário Ávila (FUP) e sua equipe da UnB no acompanhamento de políticas de fomento rural e sistemas de produção. Esse conhecimento técnico será fundamental para compartilhar nossas experiências bem-sucedidas com outros países da aliança", explicou.
A dificuldade de acesso à educação, à tecnologia, à infraestrutura e ao assessoramento técnico ainda representa um desafio para pequenos produtores de alimentos. Nesse contexto, a UnB defende que as políticas públicas voltadas à formação de pessoas nas áreas de produção e consumo de alimentos, gestão, meio ambiente e economia sejam condizentes com as necessidades globais de geração de renda, preservação dos recursos naturais e acesso a novas tecnologias.
A professora da Faculdade de Ciências da Saúde (FS/UnB) Anelise Rizzolo destacou a importância de tratar a alimentação como direito humano. "É inaceitável que ainda enfrentemos a fome em pleno século 21, quando temos todos os recursos para erradicá-la. A UnB, que em 1994 sediou a primeira conferência nacional sobre segurança alimentar, acumula três décadas de pesquisas e projetos que agora poderão contribuir com esta aliança global", acrescentou.
A secretária extraordinária de Combate à Fome do MDS, Valéria Burity, enfatizou o papel transformador da iniciativa. "A aliança já conta com 176 membros e coloca no centro da agenda política mundial o combate à fome e à pobreza. A adesão da UnB fortalece esta rede que, seguindo o exemplo brasileiro, pode mudar a vida de milhões de pessoas", concluiu.