ARTE E CULTURA

Com o tema “Tubo do Futuro”, mostra reuniu dezenas de atrações e promoveu o encontro entre artistas, comunidade universitária e público externo

Em 12 de julho, a paisagem noturna do ICC foi transformada pelas instalações artísticas da mostra coletiva do 18º Tubo de Ensaios. Foto: Humberto Araújo

 

O Instituto Central de Ciências da Universidade de Brasília, no campus Darcy Ribeiro, foi palco de uma grande ocupação artística na noite do último domingo (12). O evento marcou o encerramento da 18ª edição do Projeto Experimental de Arte e Performance Tubo de Ensaios, que teve como tema, em 2026, Tubo do Futuro.

 

A abertura contou com um cortejo do Grupo Baque Mulheres, acompanhado pelo Ônibus Trupe Noix Bus, seguida de intervenção performática aérea no teto do ICC, por Magno Assis e Elise Hiraco, respectivamente idealizador e coordenadora de produção desta edição do Tubo de Ensaios.

 

Ao longo da noite, cerca de 30 performances foram apresentadas em diferentes espaços do ICC, reunindo linguagens como teatro, música, dança, artes visuais, instalação e performance. As ações aconteceram simultaneamente durante quase duas horas. O grupo Central Sonora se apresentou durante todo o tempo, construindo parte da paisagem musical da mostra. O coletivo eletroacústico é formado pela Orquestra de Laptops de Brasília (BSBLOrk), pelo CAL Sonora e pela pianista Janaína Sabino, com direção dos artistas Glauco Maciel e Magno Assis. 

 

Parte dos trabalhos foi apresentada em ciclos de cinco minutos, repetidos em looping, permitindo que o público circulasse pelos espaços e acompanhasse diferentes experiências artísticas. O encerramento da programação ficou por conta da MEZONA – Música Eletrônica de Improviso, com apresentações de DJs.

 

ESTREIA – O grupo de teatro do Instituto de Superação e Inclusão Social (Isis) participou pela primeira vez do Tubo de Ensaios com a performance As Roliças Rebeldes. Formado por pessoas com mais de 60 anos, o coletivo avaliou a participação como uma experiência importante, tanto individualmente quanto para a consolidação do grupo. Para alguns integrantes, a apresentação também representou a primeira experiência em um palco e a oportunidade de participar de uma produção de grande porte.

 

“Foi muito especial para todo mundo, porque fazer parte de um evento como esse é motivo de orgulho para sempre. Adoramos o Tubo do Futuro e esperamos ter, no futuro, mais oportunidades de construir parcerias”, afirmou Izabel Maeda, a Bela, diretora e idealizadora principal do grupo e da peça teatral.

 

Segundo o coletivo, a participação também contribuiu para ampliar a visibilidade do trabalho por meio da divulgação do evento. “Isso valoriza muito a performance, principalmente por estarmos na UnB. Essa foi a nossa primeira apresentação como coletivo”, complementou Bela.

 

EXPERIMENTAÇÃO – A artista Linne Raiz apresentou a instalação-performance Sopro Espiralar. Ela já havia participado de outras edições do Tubo de Ensaios como integrante de um coletivo. Desta vez, levou ao evento um trabalho solo. 

Cortejo abriu as atividades da grande noite de encerramento do 18º Tubo de Ensaios. Foto: Luis Gustavo Prado

 

“É um espaço seguro para artistas, que me permitiu desenvolver minhas pesquisas e inquietações, expressas no sopro do tempo. Fico grata por compartilhar minha produção com a comunidade. Essa experiência é importante para a minha trajetória e para a consolidação do meu processo artístico”, comentou Linne.

 

A artista Ana Aditi também possui uma relação de longa data com o projeto. Ela participou de cinco edições do Tubo de Ensaios, incluindo a de 2026. Neste ano, além de apresentar uma performance, pintou uma obra ao vivo durante o lançamento da edição e ministrou uma oficina preparatória.

 

“O Tubo cresceu em todos os sentidos: no tempo de duração, nas oficinas preparatórias, no número de performances, na quantidade de profissionais envolvidos no suporte e no impacto visual. Continua sendo um espaço de pesquisa e experimentação, chegando à maioridade mais estruturado. Ao mesmo tempo, ainda cria espaço para trabalhos como os meus, de quietude e desaceleração. Isso estabelece um diálogo diferente com o público, em uma iniciativa que, além de promover cultura, também favorece a saúde mental”, avaliou.

 

Para a artista, a possibilidade de participar de diferentes momentos da programação tornou a edição ainda mais significativa. “É um espaço no qual posso devolver à comunidade ideias sobre presença, cuidado e reconstrução. O Tubo valida a experimentação e me lembra, a cada edição, por que faço arte: para criar encontros reais, além das palavras”, completou Aditi.

 

IMPRESSÕES – Egressa do curso de Letras da UnB, Melissa Ramos de Ávila conheceu o evento pelas redes sociais e decidiu acompanhar a mostra pela primeira vez. “Achei bem diferente e muito sensorial. Mexe com todos os nossos sentidos, tanto com a dimensão visual quanto com a emocional. Estou achando muito interessante.”

 

Renato Dias Figueiredo Jr., de 30 anos, também não conhecia a proposta do projeto: “Achei muito visual e fora do esperado. Vim sem saber o que encontraria e fui totalmente surpreendido”.

 

Já a psicóloga Lívia Carolina Lopes e o professor de Química da UnB Marcelo Moreira Santos acompanharam outras edições do Tubo de Ensaios. A grande mostra coletiva não era realizada desde 2020.

 

“A gente estava com saudade, de verdade. É muito bom ter o evento de volta. Acho maravilhoso, inclusive porque não se trata apenas de arte, mas também de saúde mental. Todas as performances envolvem pensamento, estudo e reflexão. Não é uma brincadeira. É um trabalho muito sério e está maravilhoso”, destacaram.

 

FUTURO – A reitora Rozana Naves acompanhou o evento e ressaltou a relevância do projeto para as comunidades acadêmica e externa. “Tivemos um conjunto de oficinas formativas, como parte de um projeto para trazer de volta a arte, a cultura e o esporte à vida comunitária. São ações de permanência estudantil, mas, sobretudo, ações formativas diante do mundo conturbado e cheio de telas em que vivemos. É muito importante que possamos nos socializar por outros meios, com uma proposta tão inovadora como essa, de pensar o futuro a partir da arte e da cultura”, afirmou. 

Nas coxias, dezenas de artistas preparados para impressionar o público com suas performances. Foto: Humberto Araújo

 

Segundo a gestora, a ideia é dar continuidade ao projeto e ampliar a presença da arte e da cultura na formação da comunidade universitária.

 

“A proposta é expandir o papel da arte e da cultura como aspectos formativos da nossa comunidade, inserir cada vez mais essas atividades no contexto acadêmico e trazer a comunidade externa para dentro da Universidade. Este é um espaço de todos, um espaço educativo”, completou.

 

A 18ª edição do Tubo de Ensaios foi realizada pela Coordenação de Arte e Cultura Comunitária (Coac), vinculada à Diretoria de Esporte e Atividades Comunitárias (Deac), do Decanato de Assuntos Comunitários (DAC) da Universidade de Brasília.