A Universidade de Brasília (UnB) promove, entre agosto e outubro, o Seminário Espírito do Tempo – Mudança de Época. O evento é resultado de parceria com a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) e a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) e tem apoio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), da Associação de Docentes da UnB (ADUnB), do Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos da Fundação da Universidade de Brasília (Sintfub) e do Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães (DCE). A programação reúne especialistas para debater e refletir sobre os principais desafios do século XXI.
Com cinco palestras, o primeiro bloco do evento ocorre de 24 e 28 de agosto, no Auditório da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), campus Darcy Ribeiro, Asa Norte, sempre às 17h. O mote são perguntas prévias captadas junto ao público, com ênfase em dez grandes temas dedicados às transformações econômicas, ambientais, tecnológicas, políticas, sociais e culturais. Entre eles, geopolítica, economia mundial, emergência climática, inteligência artificial e a relação entre política e religião.
Os palestrantes serão convidados a refletir sobre os temas e as perguntas enviadas pela comunidade com uma contextualização na atualidade, a indicação de cenários possíveis para os próximos anos e a localização do Brasil no debate. Como resultado, as reflexões serão reunidas em um livro, que será publicado após o segundo bloco do seminário, a ser realizado de 28 de setembro a 2 de outubro.
Para contribuir com o debate, a comunidade já pode fazer perguntas por meio de formulário on-line, onde, em seguida, também poderá realizar as inscrições para cada palestra. De acordo com a reitora Rozana Naves, a iniciativa tem o objetivo de ouvir e mobilizar a comunidade em torno de temas relevantes.
“Com este evento, esperamos contribuir com a reflexão teórica brasileira sobre temas centrais da realidade; reafirmar a defesa da democracia, a luta contra as desigualdades e a justiça socioambiental; além de refletir, de forma criativa, crítica e transdisciplinar, sobre temas e controvérsias que desafiam a humanidade”, explica.
O evento também se propõe a fortalecer o espaço de produção do conhecimento, o diálogo democrático e a construção coletiva de alternativas para os desafios do presente e do futuro.
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PALESTRAS – Os debates têm início em 24 de agosto, com o tema A Nova Ordem Mundial: Geopolítica, Multipolaridade e Sul Global, sob condução do jornalista e correspondente internacional Jamil Chade e da economista mexicana Ana Esther Ceceña. A dupla discutirá sobre as transformações na arquitetura do poder mundial, as disputas geopolíticas entre grandes potências e o papel do Brasil em um cenário de desafios como segurança energética e mudanças climáticas.
No dia 25 de agosto, o tema central será Economia Mundial, Desigualdade e Desenvolvimento em Tempos de Crise, com palestras do professor e especialista em finanças José Kobori e da economista Juliane Furno. Eles farão uma reflexão sobre os impactos das crises econômicas e do avanço das economias emergentes, discutindo alternativas para um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável.
A agenda do dia 26 de agosto será sobre Emergência Climática, Transição Ecológica e Disputa por Recursos Estratégicos. Estarão presentes a professora do Instituto de Ciências Biológicas (IB) da UnB Mercedes Bustamante, referência internacional em pesquisas sobre mudanças climáticas, e a pesquisadora e ativista indígena Eva Potiguara. Serão abordados os impactos da crise climática e o papel do Brasil em pressões externas, em conflitos territoriais e como ator com capacidade de influenciar os termos da transição ecológica global.
O primeiro bloco conta ainda, no dia 27 de agosto, com o debate Inteligência Artificial, Desinformação e Poder das Plataformas Digitais, guiado pela jornalista e coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Renata Mielli, e pelo cientista da computação Virgílio Almeida. Eles tratarão dos desafios éticos, sociais e políticos da inteligência artificial; da disseminação da desinformação; e da regulação das plataformas digitais.
Encerra a semana, em 28 de agosto, a mesa A Interseção entre Política e Religião, com o teólogo católico Jung Mo Sung e a socióloga Christina Vital da Cunha. A discussão será em torno de como os valores religiosos influenciam a vida pública, as democracias contemporâneas e os debates sobre direitos, participação política e justiça social.
Já o segundo bloco do seminário, com início em 28 de setembro, envolverá os temas Movimentos Identitários e Transformação Social; Feminismo; Racismo; Democracia Liberal, Crise de Representação e o Fenômeno do Neofascismo; e Tendências e Desafios das Universidades Frente às Transformações Econômicas, Ambientais, Sociais, Políticas e Culturais no Planeta.
