Com as consequências cada vez mais frequentes e intensas das mudanças climáticas, um fenômeno tem chamado atenção no campo da psicologia ambiental nos últimos anos: o da ansiedade climática. A condição é tema de episódio do programa Diálogos, da UnBTV, com entrevista conduzida pela professora do Instituto de Psicologia Cláudia Pato e participação da doutoranda Marcela Pesci, ambas ligadas ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social do Trabalho e das Organizações da UnB.
Na conversa, as pesquisadoras situam a dimensão biopsicossocial que envolve a crise climática global, com desdobramentos na forma como a sociedade consome, vive e se relaciona com as pessoas e o planeta. “A gente percebe que o sofrimento climático vai além do ambiente físico, ele também atinge os humanos e perpassa a mente e o corpo físico”, esclarece Marcela Pesci.
Entre as manifestações na saúde mental estão sentimentos de preocupação, raiva, tristeza, medo e impotência; pensamentos catastróficos; e engajamento excessivo em relação aos atuais impactos socioambientais.
A doutoranda elucida que crianças e jovens acabam sendo mais afetados pela ansiedade climática. “Eles são a geração que vai enfrentar, a maior parte do tempo, os efeitos da crise climática. Grande parte das crianças e dos jovens já nasceu nesse panorama que a gente está vivenciando hoje em dia."
Pessoas que vivem em locais afetados por eventos climáticos extremos, indígenas, populações tradicionais, profissionais que atuam na área ambiental e ativistas também são grupos considerados mais vulneráveis.
As pesquisadoras também abordam a atuação da psicologia ambiental na compreensão e na lida com a ansiedade climática.
ARTICULAÇÃO INSTITUCIONAL – Na UnB, uma série de medidas têm sido planejadas para enfrentamento às consequências do El Niño, fenômeno natural cujos efeitos devem se intensificar com eventos climáticos extremos. O Comitê de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño reúne especialistas em diferentes áreas para pensar ações de promoção a uma cultura permanente de resiliência climática, fortalecimento do cuidado ambiental e das pessoas e mobilização da comunidade universitária e externa em corresponsabilidade e com informação.
O grupo tem realizado avaliações e traçado estratégias para prevenção e combate a incêndios, monitoramento de situações de risco ambiental, orientação e preparação da comunidade, adaptação e melhorias de infraestrutura com foco em conforto térmico, uso consciente de água e energia, manejo das áreas verdes e definição de áreas de refúgio ao calor intenso.
>> Saiba mais sobre as ações do Comitê
Assista ao episódio do programa Diálogos:
*com informações da UnBTV.
