INOVAÇÃO

Promovido pelo PPGNANO, evento reúne docentes, pesquisadores, empreendedores e estudantes para discutir as diversas aplicações da área

Evento de abertura do Iconnano Neon 2026 abordou aplicações da nanotecnologia e o desenvolvimento de novos materiais a partir dela. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB

 

A Universidade de Brasília (UnB) sediou, esta semana, o IV International Conference of Nanoscience and Nanobiotechnology (Iconnano Neon 2026), conferência internacional para intercâmbio de conhecimentos nas áreas de nanociência e nanobiotecnologia. A abertura ocorreu nesta terça-feira (20), no auditório da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte. A programação seguiu até quinta (22) e incluiu palestra sobre o desenvolvimento de novos materiais e o empreendedorismo em nanotecnologia.

 

Organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Nanociência e Nanobiotecnologia (PPGNANO) da UnB, o evento reuniu pesquisadores, professores, estudantes e empreendedores para discutir avanços científicos e aplicações da nanotecnologia em áreas como medicina e eletrônica.

 

O presidente da comissão organizadora da edição e professor da UnB, João Paulo Longo, destacou a trajetória de cerca de 18 anos do grupo de pesquisa em nanotecnologia da Universidade, formado inicialmente por pesquisadores dos institutos de Química, Física e Ciências Biológicas.

Presidindo a comissão de organização da conferência, o professor do IB João Paulo Longo destacou a importância do conhecimento nanotecnológico para a Universidade. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB

 

Segundo ele, a iniciativa contribuiu para o desenvolvimento de pesquisas e para o fortalecimento da ciência, tecnologia e inovação na Universidade e no país. “A gente tem nove cientistas que estão inclusos nos 2% mais importantes do mundo, demonstrando que a [nanociência e a] tecnologia têm um papel importante de impacto não somente nacional, como também mundial na geração de conhecimento científico nessa área de inovação”, afirmou.

 

Longo também ressaltou que a nanotecnologia é a segunda área que mais gera propriedade intelectual na UnB. Segundo ele, pelo menos dez spin-offs, empresas criadas a partir de pesquisas ou tecnologias desenvolvidas no ambiente acadêmico, estão relacionadas ao ramo. Ainda de acordo com o pesquisador, soluções associadas à Universidade já estão presentes em 17 países.

 

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INTERDISCIPLINARIDADE DO CONHECIMENTO – Representando a Reitoria, o diretor do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT/UnB), Guilherme Gelfuso, ressaltou o potencial da nanociência e da nanobiotecnologia para desenvolver soluções em diferentes áreas. Entre as aplicações mencionadas, estão sistemas de liberação de medicamentos, métodos de diagnóstico precoce na medicina de precisão, alternativas para a transição energética e a criação de materiais avançados.

 

Gelfuso também destacou a importância da colaboração entre diferentes áreas do conhecimento. “Eventos como este são vitais no avanço da ciência porque têm uma diversidade de olhares necessários para superar grandes desafios científicos do nosso tempo”, disse.

 

Ao final, sob a perspectiva da inovação da sociedade, ele afirmou: "A pesquisa de fronteira atinge seu propósito mais nobre quando ela ultrapassa as barreiras da bancada e se converte em benefícios concretos para a sociedade”. Para Gelfuso, a aproximação entre Universidade e setor produtivo é um “caminho indispensável para transformar avanços nanotecnológicos em soluções acessíveis”.

Empreendedor na área da tecnologia, o professor do IQ Marcelo Oliveira abordou a inserção de pesquisas e conhecimentos no mercado. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB

 

EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO – Em sequência à programação, o docente e pesquisador do Instituto de Química (IQ) da UnB Marcelo Oliveira ministrou palestra sobre inovação e transferência de tecnologia da universidade para o mercado. Com mais de dez anos de experiência empreendedora, o professor atua no desenvolvimento de ativos tecnológicos e está associado a quatro empresas.

 

A apresentação abordou a evolução dos grupos de pesquisa em nanotecnologia na UnB e no Brasil, com foco nos caminhos para transformar conhecimentos científicos em produtos e soluções comerciais. O palestrante discutiu como pesquisas, teses, dissertações e protótipos desenvolvidos em laboratórios podem ultrapassar o ambiente acadêmico e alcançar o mercado.

 

Entre os temas discutidos estão as demandas do mercado de nanotecnologia, o papel do Estado no financiamento à inovação e a relação entre as necessidades dos consumidores e o valor dos produtos. Oliveira também destacou os desafios envolvidos no escalonamento da produção, etapa necessária para viabilizar a fabricação em maior escala, além da importância da gestão de pessoas e da organização das equipes para o desenvolvimento de empresas de base tecnológica.

 

APLICAÇÕES – Após a palestra, houve ainda duas flash talks (apresentações-relâmpago) de pesquisas. Lucas de Barros Pereira, químico graduado pela UnB, apresentou um estudo experimental sobre o uso de pontos quânticos de grafeno (nanopartículas de carbono) como sonda fluorescente para detectar o glifosato, principal ingrediente ativo de agrotóxicos, em água.

 

Já Heloisa Silva tratou da otimização de formulações de nanopartículas para a entrega de hemoglobina humana, proteína rica em ferro encontrada nos glóbulos vermelhos do sangue e responsável por transportar o oxigênio do pulmão para os tecidos do corpo.

 

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