A professora do Departamento de Engenharia Mecânica (ENM/FT) da UnB Marcela Machado ficou entre as semifinalistas do BRICS+ International Award 2026 – Women in Science and Technology. Concedido anualmente pela associação de mulheres cientistas dos países do BRICS+, o prêmio busca dar visibilidade à produção científica de pesquisadoras e valorizar o papel da ciência na construção de soluções para desafios tecnológicos, econômicos e sociais. Nesta edição, foram recebidas 366 indicações de países como Brasil, Rússia, Índia, China, Irã, Indonésia, Emirados Árabes Unidos, África do Sul, Etiópia e Egito, além de outros parceiros do bloco, para avaliação por um júri internacional.
“Recebo esse reconhecimento com muita satisfação, gratidão e, sobretudo, com um senso de responsabilidade”, diz Marcela, salientando a importância do prêmio para celebrar as contribuições das mulheres para a ciência, a tecnologia e a inovação e em diferentes países. “Quero que essa conquista vá além da minha trajetória individual e inspire novas gerações de engenheiras e pesquisadoras. Precisamos mostrar às meninas que elas também podem ocupar laboratórios, liderar projetos, desenvolver tecnologias e transformar a sociedade por meio da ciência", comenta.
A docente salienta que sua atuação e seu reconhecimento se refletem na defesa do protagonismo das mulheres na ciência. "Vejo esse reconhecimento não apenas como uma valorização do trabalho que venho desenvolvendo na Universidade de Brasília junto aos meus estudantes e colaboradores, mas também como uma oportunidade de fortalecer meu compromisso com uma ciência mais inclusiva, com a formação de novas pesquisadoras e com o protagonismo das mulheres na engenharia”, observa.
TRAJETÓRIA E PRODUÇÃO CIENTÍFICA – Mestra e doutora pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcela é professora há dez anos no Departamento de Engenharia Mecânica da UnB. Sua pesquisa se concentra no monitoramento e no controle inteligente de sistemas e estruturas. Os trabalhos buscam desenvolver métodos e tecnologias capazes de identificar danos antes que se tornem falhas graves, controlar vibrações indesejadas e tornar equipamentos e estruturas mais seguros, confiáveis e eficientes. “Para isso, integramos modelagem matemática, sensoriamento, inteligência artificial e metamateriais, materiais projetados para apresentar propriedades e funcionalidades específicas”, explica.
Essas pesquisas têm aplicações em áreas estratégicas, aponta a docente. No setor de energia renovável, são desenvolvidos métodos para monitorar a integridade estrutural de turbinas eólicas e identificar condições que possam indicar falhas. Na área da saúde, é investigado o uso de metamateriais inteligentes, aqueles criados em laboratório e manipulados para responder de forma controlável e reversível a estímulos externos, como mecânicos ou de temperatura, com o intuito de desenvolver dispositivos vestíveis capazes de atenuar tremores associados à doença de Parkinson. Também são projetadas próteses bioinspiradas para promover a ergonomia dos usuários.
“Participei do desenvolvimento e liderei a parte de ensaios mecânicos da máscara VESTA, uma tecnologia da UnB, durante a pandemia de covid-19. [Foi] uma experiência que demonstrou a importância de aproximar a pesquisa acadêmica das necessidades concretas da sociedade”, conta.
Um aspecto importante em sua trajetória é a transformação de conhecimento científico em inovação tecnológica. A atuação de Marcela inclui artigos científicos, patentes e softwares registrados, além da coordenação de projetos financiados por agências nacionais e internacionais. Ela também coordenou o projeto SWinT, voltado ao desenvolvimento de turbinas eólicas inteligentes, com financiamento do programa europeu Horizon 2020/Marie Skłodowska-Curie Actions (MSCA) e do National Science Centre Poland, em colaboração com pesquisadores internacionais.
Na UnB, a docente lidera o Laboratório de Monitoramento e Manutenção Inteligente de Sistemas e Estruturas e grupo de pesquisa nessa área, de forma interdisciplinar, formando estudantes de graduação e pós-graduação. “Acredito que uma contribuição fundamental da pesquisa é justamente essa: produzir conhecimento de qualidade, desenvolver soluções tecnológicas e preparar novas gerações de pesquisadores para enfrentar desafios científicos e sociais”, reitera.
“Em última análise, meu trabalho busca mostrar como a engenharia, associada à inteligência artificial e a novos materiais, pode contribuir tanto para a segurança e a sustentabilidade dos sistemas de infraestrutura e de energia quanto para o desenvolvimento de tecnologias assistivas com potencial para melhorar a qualidade de vida das pessoas”, diz.
Marcela pondera, no entanto, que a busca por essas soluções depende do fortalecimento da ciência nas universidades públicas com "pesquisa interdisciplinar, investimento contínuo e cooperação entre instituições e países".
