Desde 2015, o site Filosofia africana disponibiliza aos navegantes da web textos de autores africanos e da diáspora intelectual do continente traduzidos para o português. O trabalho, que conta com a ajuda de estudantes da graduação e da pós-graduação da UnB, é de iniciativa do professor do Departamento de Filosofia Wanderson Flor.
De acordo com o docente, o principal objetivo é levar o conteúdo a professores da rede pública do Distrito Federal. “Trabalho com o ensino de filosofia para professores do ensino médio e o que encontramos na rede é bem disperso, geralmente em outras línguas, sendo inviável para o ensino médio”, relata.
Na Universidade, Filosofia Africana é o nome de uma disciplina que integra o currículo da graduação em Filosofia, sendo obrigatória para a área de licenciatura e optativa para o bacharelado. “Toda discussão da formação filosófica precisa de uma base sólida da história da filosofia, e isso não é possível quando se arranca um continente inteiro desse pensamento”, afirma o docente.
Em 2003, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) teve seu artigo 26-A alterado pela Lei 10.639/2003, determinando que estejam presentes conteúdos de história e cultura africana e afro-brasileira em todos os componentes curriculares dos ensinos fundamental e médio brasileiros. Enquanto participava do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) na UnB, a pesquisadora Aline Matos discutiu o tema, que hoje aborda no mestrado.
“Essas iniciativas são importantes para visibilizar as discussões sobre filosofia africana e afrodiaspórica, bem como descentralizar nosso estudo da filosofia, tão concentrado no pensamento europeu”, avalia.
É PRECISO DISCUTIR – Estudante de Pedagogia e colaborador do projeto, Flaésio da Silva Junior considera essencial que a discussão transcenda o Departamento de Filosofia e chegue até a Faculdade de Educação. “Percebemos que muitos professores ainda não estão preparados para lidar com o assunto. É preciso desmistificar e elucidar questões como etnia, raça e relações raciais”, diz.
Para o estudante, os textos denunciam uma política de genocídio de ideias. “Esse embranquecimento é doloroso”, diz o jovem, que também é militante de um coletivo negro. “Não trabalhamos com espaço exclusivo para negros e não buscamos apenas rodas de conversa e sim de formação”, acrescenta.