#8M 2026

Instalação de bancos vermelhos é marco no enfrentamento à violência de gênero. Programação temática do mês leva ao campus Darcy Ribeiro exposição fotográfica sobre a presença feminina na comunidade universitária

Entrega dos bancos vermelhos mobiliza comunidade em frente ao Restaurante Universitário da UnB no Plano Piloto. Foto: Raquel Aviani/Secom UnB

 

A Universidade de Brasília combate e não tolera a violência contra a mulher. A postura institucional é materializada em campanhas e ações como a inauguração dos bancos vermelhos, em atos comunitários nos quatro campi na manhã desta segunda-feira (9). A instalação dos bancos faz parte de mobilização nacional de enfrentamento ao feminicídio e integra a programação do #8M 2026: Nenhuma a menos – mais vozes, mais acolhimento.

 

>> Leia a carta da Reitoria em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

 

Os bancos vermelhos trazem informações sobre canais de denúncia e sintetizam estatísticas de crimes, como a que aponta a ocorrência de um feminicídio a cada seis horas no Brasil. A iniciativa, coordenada pelo Instituto Banco Vermelho (IBV), também estampa frases de apoio às mulheres. No campus Darcy Ribeiro, o banco fica no acesso ao segundo pavimento do Restaurante Universitário (RU) e traz o alerta que “a relação abusiva de hoje pode ser o feminicídio de amanhã”.

Reitora Rozana Naves aponta bancos como elementos "em defesa da vida e em favor do acolhimento da mulher". Lideranças pedem participação masculina no enfrentamento à violência de gênero. Foto: Raquel Aviani/Secom UnB

 

A reitora Rozana Naves reafirmou “a equidade de gênero como tema de grande relevância para a gestão” e disse que os bancos são instrumentos “em defesa da vida e em favor do acolhimento da mulher”. Na sequência, a gestora enumerou esforços institucionais em promoção dos direitos da mulher e convidou a comunidade a participar das atividades do #8M. 

 

Os bancos foram preparados em operação integrada entre a Prefeitura (PRC) e a Secretaria de Infraestrutura da UnB (Infra). Rozana Naves agradeceu o empenho das equipes e lembrou que a instalação havia sido pactuada com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

 

Na avaliação dela, os equipamentos também servem como memorial e devem ser “lugar de reflexão, de ação, para que nenhuma mais seja agredida, seja violentada". "E que a gente possa avançar numa mudança de cultura da qual os homens são muito importantes”, acrescentou.

 

“O banco vermelho é esse símbolo da memória de conscientização contra o feminicídio, que ele possa nos lembrar todos os dias da importância do respeito, da vida, da responsabilidade que a gente tem com as pessoas”, disse a prefeita Danielle Silva Coelho. “Hoje nos reunimos para marcar um compromisso. E isso envolve lembrar, refletir e agir pelo fim da violência contra a mulher”, completou a gestora. 

Elas na UnB traz resgate fotográfico de mulheres que ajudam a construir a Universidade. Foto: Raquel Aviani/Secom UnB

 

Responsável pela coordenação LGBTQIA+ da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Maria Célia Selem disse ter ficado com emoções divididas. Ela se declarou feliz pela iniciativa de combate à violência, mas triste porque o banco vermelho representa a realidade do feminicídio. Para mudar esse quadro, ela reiterou o pedido pelo envolvimento dos homens na causa.

 

“Não somos apenas nós, mulheres, que precisamos estar à frente desse enfrentamento, mas a gente chama os companheiros, os homens, para somar a esse esforço. Que eles possam ser aliados dessa batalha e trazer outros para esse enfrentamento.”

 

Dois homens se expressaram nesse sentido na inauguração no RU. “Aos homens cabe muito mais do que simplesmente apoiar esta campanha. Cabe trabalhar por uma nova cultura, uma cultura de respeito”, disse o vice-reitor Márcio Muniz ao lamentar os índices de violência contra a mulher no país. Em representação à coordenação de Mulheres da SDH, o assistente social Kessy Johny também reforçou a necessidade da participação masculina em defesa das mulheres e disse que não se tratava de um dia de comemoração, mas de lembrança. 

 

MÚSICA E EXPOSIÇÃO – A manhã de inauguração no campus Darcy Ribeiro contou com apresentação musical de Lara Abreu, estudante de Licenciatura em Educação do Campo da Faculdade UnB Planaltina (FUP).

Estudante da FUP, Lara Abreu se disse honrada pela oportunidade de apresentar músicas de combate e reflexão. Foto: Raquel Aviani/Secom UnB  

 

Com repertório próprio, ela apresentou canções que relatam vivências de uma jovem de origem periférica e retratam desafios relacionados aos direitos humanos. “É uma honra estar aqui”, disse ela, que diz ver “a música e a arte como uma forma de luta”.

 

Lara performou ao lado do banco e também na área interna do RU, onde a exposição Elas na UnB apresenta registro de centenas de “mulheres que estudaram, ensinaram, pesquisaram, cuidaram, organizaram, resistiram e reinventaram o cotidiano da nossa Universidade”.

 

O acervo foi organizado pelo Arquivo Central (ACE) com apoio da Faculdade de Ciência da Informação (FCI) e do RU. Além da mostra no RU, a exposição está disponível on-line. A apresentação musical teve apoio da Diretoria de Esporte e Atividades Comunitárias (Deac/DAC). 

 

QUATRO CAMPI – A FUP e os campi de Ceilândia (FCTS) e do Gama (FCTE) inauguraram os bancos vermelhos de forma simultânea ao Darcy Ribeiro. Representantes da administração superior se juntaram às comunidades locais para as solenidades de entrega.

Mulheres prestigiam entrega do banco à comunidade da FCTE. Foto: Renata Bezerra/Secom UnB

 

“A tentativa desse banco é mostrar e nos inquietar, nos incomodar, chamar a atenção”, afirmou a diretora da FUP, Cynthia Oliveira. Ela avalia que o contraste do vermelho em meio ao cinza do concreto e o verde das árvores do campus contribui para que as pessoas estejam “sempre alerta aos detalhes, aos pequenos sinais”.

 

O diretor da FCTS, João Paulo Chieragato, lembrou que o campus tem maioria feminina e diz que o banco vermelho “reafirma o compromisso de respeito, de dignidade e em prol da segurança de todas as mulheres”. No mesmo tom, o diretor da FCTE, Leandro Xavier, enfatizou que direitos iguais e liberdade são preceitos constitucionais e devem contemplar todas as mulheres. “Precisamos transformar as palavras da Constituição em ações concretas, como estamos fazendo aqui e agora.”

 

>> A programação pelo mês da mulher na UnB está apenas começando. Acompanhe e participe!

 

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.