O Instituto de Ciências Biológicas (IB/UnB) está com nova direção para o quadriênio 2026-2029. Assumiram formalmente as docentes Mercedes Bustamante e Márcia Mortari, como diretora e vice, respectivamente. A cerimônia de posse ocorreu na quarta-feira (18), no auditório do IB, no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte.
Compuseram a mesa da solenidade a reitora Rozana Naves e o vice-reitor Márcio Muniz, os docentes à frente da gestão 2022-2025, Luiz Blum (diretor) e Osmindo Rodrigues Júnior (vice-diretor), e as docentes recém-empossadas.
Lotado, o auditório recebeu docentes, discentes e técnicos do instituto. Também estiveram presentes a vice-reitora da UnB 2013-2016, Sônia Báo; a decana de Extensão, Janaína Alves; a decana de Pesquisa e Inovação, Renata Aquino; a prefeita da UnB, Danielle Silva Coelho; o professor Fernando Araripe, membro da equipe científica do Centro de Biotecnologia Molecular (C-Biotech); e Fernando Couto, representante do Decanato de Administração (DAF).
BALANÇO – Osmindo Júnior esteve à frente da vice-direção por três anos. Ao longo desse período, pôde vivenciar a dimensão do trabalho de equipe necessário para realizar a gestão. Em agradecimento à colaboração de servidores técnicos, coordenadores de departamento e do colega Luiz Blum, ele disse que foram anos “de grande valia e aprendizado como profissional e professor do Instituto”.
Agora ex-diretor do IB, Luiz Blum também registrou agradecimento aos coordenadores de graduação e pós, técnicos administrativos, técnicos de laboratório e docentes do quadro.
Em fala breve, destacou os estudos no Centro de Primatologia da UnB, localizado na Fazenda Água Limpa (FAL), as reformas do Biotério do IB e do Herbário. Ressaltou também a relevante “presença dos estudantes do instituto em congressos brasileiros de Biologia”.
PERSPECTIVAS – A nova vice-diretora, Márcia Mortari, afirmou “receber a função com profundo respeito pela história do instituto”, cuja trajetória tem contribuições relevantes para a sociedade. Egressa da graduação e do mestrado do IB, onde há 18 anos é docente e pesquisadora do instituto.
Márcia Mortari reforçou que a gestão se dará pelo trabalho coletivo de docentes, discentes, técnicos e terceirizados, e se comprometeu com a promoção de um ambiente saudável justo e respeitoso, com diversidade e inclusão. “Um espaço livre de misoginia, de assédios e de preconceitos, com oportunidade reais para todas e todos. Um ambiente capaz de acolher diferentes trajetórias e perspectivas”, descreveu, além de agradecer a presença de familiares, amigos e alunos.
Mercedes Bustamante, a nova diretora, ressaltou a emoção pela presença de várias gerações de docentes e discentes, e de pós-graduandos “com potencial de serem novos professores no IB”.
“Uma transição é oportunidade para refletir, reafirmar e realinhar objetivos coletivos”, afirmou. A professora frisou que a nova diretoria está comprometida com valores de integridade, transparência e inclusão.
“O IB é um instituto com significativas contribuições históricas para a UnB, para o Distrito Federal e para o nosso país. Somos 143 docentes efetivos, 69 servidores técnicos e 1.309 alunos de graduação e 389 de pós-graduação, ou seja, uma comunidade de 1.923 pessoas”, contabilizou.
Em sua fala, a docente comentou o atual momento, e que “o papel do ensino superior está em franca transformação e debate”. “As ciências biológicas enfrentam desafios críticos na integração de novas ferramentas e seus limites éticos, e o recrudescimento do negacionismo científico.”
Apesar do cenário, Mercedes Bustamante observou que o instituto é instado a contribuir com “soluções inovadoras para alguns dos problemas mais pungentes de nosso tempo”, como transformação ecológica, nova indústria no Brasil, clima e bioeconomia. “Demandas por soberania na produção de energia, insumos agrícolas, produção de vacinas e medicamentos, e gestão do território mostram que o conhecimento que geramos no IB é estratégico nas mais variadas frentes."
Ela reforçou também o papel formador da universidade: “para além do conhecimento, a soberania é garantida pela formação de pessoas capacitadas a entender o mundo em suas complexidades e variados contextos e na qual a universidade seja capaz de despertar o propósito de uma sociedade mais justa e equitativa”.
PARTICIPAÇÃO E DEMOCRACIA – O vice-reitor Márcio Muniz ressaltou a contribuição do IB para o desenvolvimento da ciência e, em especial, o trabalho das docentes que chegam à direção, “pesquisadoras do mais alto nível”, disse. Lembrou também o grande desafio que o IB representa em termos de manutenção, particularmente por conta das demandas dos laboratórios por energia, refrigeração e segurança.
A reitora Rozana Naves seguiu frisando as dimensões do instituto, “com população de uma cidade pequena”, o que também representa desafios em termos de verba.
Ao registrar o agradecimento ao trabalho de Osmindo Júnior e Luiz Blum, comentou sobre como a direção absorve tempo da carreira dos docentes envolvidos, em especial para a gestão atual, formada por mulheres, face às dinâmicas desiguais do trabalho do cuidado, culturalmente atribuído às mulheres.
“O IB é exemplo de excelência de ensino, pesquisa e inovação, e potência de produção científica que leva o nome da Universidade para destaque na ciência”, disse. Mencionou também o cuidado do IB com a manutenção dos espaços museológicos, de valor importante para a sociedade.
Segundo a reitora, o IB mantém tradição de excelência na interação com a educação básica, especialmente por meio de ações como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), que integra educação e ciência na formação de futuros professores.
“O IB participa ativamente de uma luta histórica pela ampliação do Pibid e também marca presença em espaços de gestão universitária, órgãos governamentais de pesquisa, ciência e ensino, além de contribuir para o debate democrático no país”. Ela finalizou afirmando que a “soberania nacional passa por independência de pesquisa e produção científica, livre e orientada para o desenvolvimento social”.
