COMUNIDADE MOBILIZADA

Universidade se afirma como lugar onde a participação social se constrói todos os dias por meio da atuação e convivência universitária

Reunião do Conselho de Administração (CAD), no auditório da Reitoria. Foto: Anastácia Vaz/Secom UnB

 

Eleições diretas, participação popular e cidadania são conceitos que fazem parte do dia a dia de estudantes, professores e técnicos na Universidade de Brasília. Instituição com protagonismo político, a UnB viveu os anos de chumbo da ditadura, sendo invadida por militares em 1964, dois anos após sua inauguração, e em outras ocasiões durante o regime. A vida democrática foi retomada nos anos 1980, com o protagonismo da luta da comunidade acadêmica e a eleição para reitor do ex-senador Cristovam Buarque.

 

Nascida da lealdade de seus idealizadores e fundadores não só com a excelência científica e cultural, mas com o povo brasileiro e sua luta por emancipação, a Universidade expressa o seu compromisso com a busca de soluções para os problemas nacionais. Essa audaciosa visão, profundamente democrática e cidadã, em consonância com um plano de desenvolvimento para o país, acaba se manifestando nos seus espaços e atividades cotidianas, como salienta a campanha institucional de 2026.

 

>> Campanha institucional estimula reflexões sobre a democracia ao longo de todo o ano

 

APRENDER, PRATICAR E VIVER DEMOCRACIA – Todos os dias é possível pôr em prática os valores democráticos, seja em sala de aula, em atividades de pesquisa e extensão, ou na convivência diária nos diferentes espaços nos campi. Pensada como o primeiro campus descentralizado da Universidade, a Faculdade de Planaltina (FUP), por exemplo, mantém sua vocação democrática pulsante ao priorizar ações e experiências cotidianas em interlocução com a comunidade local.

 

Também criadas para ampliar o diálogo entre UnB e DF, a Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde (FCTS) – campus Ceilândia – e a Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE) – campus Gama – fazem de seus corredores, salas e laboratórios espaços que aproximam estudantes, docentes e técnicos e os engajam em iniciativas em prol da população.

Servidores técnicos em votação durante assembleia do Sintfub, na praça Chico Mendes, campus Darcy Ribeiro. Foto: Sintfub

 

Livre de cercas e muros, o campus Darcy Ribeiro, Asa Norte, a poucos minutos do centro político do país, é um convite permanente ao convívio e ao diálogo, sendo palco de encontros, debates, difusão de ideias, atos políticos e mobilizações.

 

Essas práticas se materializam da praça Chico Mendes, que agrega periodicamente inúmeros técnicos para as assembleias do Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), ao auditório da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), onde professores debatem as pautas da categoria.

 

Também, do Centro Comunitário Athos Bulcão, um dos palcos do 59º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune), em 2023, aos corredores do Instituto Central de Ciências (ICC), que, há mais de seis décadas, acolhe milhares de estudantes e uma diversidade de atividades acadêmicas, científicas, culturais e cotidianas, como a programação da 74ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em 2022.

 

MOBILIZAR E DEBATER – Bastante atuante, a estudante do 5º semestre de Sociologia Marcela Bigonha, 20 anos, é diretora de Diversidade do Diretório Central dos Estudantes (DCE – Honestino Guimarães). Quando não está em aula ou estudando na Biblioteca Central (BCE), ela participa ativamente de reuniões ou mobilizações de algum movimento do qual faz parte.

 

“Tenho atuado bastante no Correnteza, que é um movimento estudantil, mas o meu preferido é o MLB, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, que é um movimento de ocupação urbana, no Brasil inteiro, onde a gente ocupa prédios abandonados e dá função social para esses imóveis que estão em estado ilegal. Para mim é muito bom, porque essa revitalização do espaço é muito transformadora e revigora a vontade de militar”, diz.

 

“Quando entrei na UnB, já era da Unidade Popular, mas aqui, em contato com o movimento Correnteza, comecei a me aprofundar no estudo, na teoria e na prática. Era mais uma simpatizante dos movimentos de esquerda, mas a partir do contato com os movimentos estudantis que fui perceber, na prática, o que é a vida orgânica da militância”, conta.

 

Marcela também integra o Movimento de Mulheres Olga Benário. “Já participei do Congresso e da Bienal da UNE [União Nacional dos Estudantes] e foi muito interessante entender o que, a nível nacional, é o movimento estudantil, o que Honestino Guimarães fazia na época dele e ver que isso continua, só que de outra forma, com novas gerações, com as lutas que ainda seguem vivas.”

 

A estudante do 3º semestre de Licenciatura em Matemática e presidente do Centro Acadêmico do curso, Clara de Andrade, 20 anos, reconhece que a democracia não é um sistema perfeito, “mas é a melhor chance para todo mundo de viver uma vida melhor, mais digna, estruturada e capaz de nutrir as ambições de cada um”.

 

Clara acredita que a democracia não se constitui por ideias uníssonas, mas a partir da diversidade de pensamento. “Existem muitas rodas de conversa no DCE que, ao contrário da opinião das pessoas, não são unipartidárias ou câmaras de eco com pessoas falando as mesmas coisas umas para as outras. Tem briga, discussão, conflitos de interesse e conflitos pessoais, mas é disso que vive a democracia”, expressa.

 

 

Sobre sua participação como representante estudantil, ela alega: “Gostaria de mostrar para os membros da graduação que o espaço da Matemática é para todo mundo, independentemente de raça, etnia, sexualidade, gênero, condição financeira e socioeconômica. Como presidente do Centro Acadêmico, também represento a Matemática para o movimento estudantil e para a UnB, e estou assiduamente nesses eventos todos organizados pelo DCE e nas plenárias para pontuar as demandas da Matemática e mostrar que a gente não se isenta”.

 

CONVIVER E PARTICIPAR – Calouro de Sociologia, Eduardo Souza, 18 anos, costuma almoçar no Restaurante Universitário (RU) após as aulas no ICC, onde está localizado o DCE e vários centros acadêmicos. No intervalo das aulas, aproveita para socializar com os colegas no CA do curso. “Normalmente o pessoal é bem tranquilo e consigo ficar informado sobre o curso e os eventos que vão acontecer no dia. Coloco o celular para carregar e jogo dominó com a rapaziada”, brinca.

 

Veterano de Eduardo, Tito Santos, 22 anos, está no 8º semestre do curso. “De uns tempos para cá, estava sentindo falta de ver os espaços de convivência ocupados”, diz. Ele recorda das festas organizadas pelos estudantes no Teatro de Arena. Além de ser um momento de diversão, os eventos arrecadavam fundos “para poder trocar uma geladeira, comprar um sofá novo para o CA, coisas em geral para o bem-estar dos estudantes”.

 

A gestão da Universidade é visceralmente democrática. Reuniões e votações fazem parte das rotinas administrativa e acadêmica, seja em instâncias colegiadas ou nas organizações estudantis e sindicais. Ao longo do curso, Tito pôde, por exemplo, atuar como representante discente no Departamento de Estudos Latino-americanos.

 

“A gente levava ao colegiado as pautas dos estudantes. Convivência gera algum tipo de tensão e estávamos lá para conversar sobre esses assuntos, como horário de oferta de matérias e formas de melhorar a didática no ensino. Lutamos também para manter o CA no ICC, onde circulam mais pessoas”, lembra.

 

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