OPINIÃO

Ricardo Toledo Neder é professor da Faculdade UnB Planaltina (FUP). Coordena o Observatório do Movimento pela Tecnologia Social na América Latina e a ITCP - Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (da rede universitária de ITCPs brasileiras), ambas com atuação na Universidade de Brasilia, operando a partir da Faculdade UnB Planaltina. Graduado, mestre e doutor em Sociologia e Políticas Públicas com Pós-doutorado em Neocorporativismo e Teoria da Regulação, Desenvolvimento Territorial e Regional Sustentável e Filosofia da Tecnologia.

Ricardo Toledo Neder

 

O mito da produtividade das sementes transgênicas com pacote recheado de agrotóxico está caindo por terra (literalmente). Sua produtividade é declinante para a maioria dos pequenos e médios produtores de grãos e cereais no Brasil, o que os levou a criar e fortalecer a associação GAAS1, que rompeu com a Aprosoja2 esse lobbie das megaempresas de commodities, que não têm interesse na pesquisa tecnocientífica para reduzir os desastres ambientais e sociais nos territórios e aumentar adoção de novos métodos.

 

Como todo labirinto, a saída é pelo alto: superar o pacote tecnológico OGM das corporações e megaempresas agrícolas atende pelo nome de Melhoramento Genético Participativo Descentralizado, pois é feito com os produtores familiares e camponeses no Brasil. Sua denominação está ganhando o nome do seu desenvolvedor – Método ATM – para formação de redes sociotécnicas nos territórios produtores de sementes crioulas com respeito a agrosociobiodiversidade local. Este ano (2024), o método ATM aperfeiçoado pelo geneticista vegetal Altair Toledo Machado, pesquisador sênior da Embrapa Cerrado, completa duas décadas e meia de experiências com a maturidade atual para produção em larga escala de 2 mil toneladas por safra entre as comunidades envolvidas neste trabalho, em especial as vinculadas à Central de Associações de Minis e Pequenos Produtores Rurais do Município de Catalão/ Goiás (CAMPPRMC) participantes do projeto.

 

Toda a produção é vendida como mercado futuro por meio Programa PAA Sementes, do MDA-Conab, para municípios no Nordeste e Centro-Oeste do País. Estamos diante de uma crise sem precedentes das monoculturas de cereais que devastam o Cerrado e a Amazônia. O campo de desenvolvimento deste método dialogou com centenas de movimentos de produtores Brasil afora, além de obter reconhecimentos científicos e tecnológicos importantes nos últimos 25 anos! Teve apoio recente no projeto Manejo da agrobiodiversidade, desenvolvimento e produção de sementes agroecológicas, vinculado ao Programa de Apoio à Inovação Social e ao Desenvolvimento Territorial Sustentável (um programa da Embrapa), financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Quem viveu o apogeu da monocultura do agronegócio de exportação como modelo regressivo e concentrador de renda e riquezas, talvez assista à sua derrocada na próxima década.

 

Referências:

 

1. Grupo Associado de Agricultura Sustentável | GAAS. Rua da Pátria, 230, Santa Genoveva, Goiânia-GO, CEP: 74670-300 | (62) 99962-2250. www.grupoagrisustentavel.com.br. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

2. Ver: 2023/2024: Uma safra para esquecer. https://aprosojabrasil.com.br/comunicacao/blog/noticias-brasil/2024/03/06/2023-2024-uma-safra-para-esquecer/. O desastre da safra ano passado segundo relato da Aprosoja, que confirma rendimento declinantes abaixo da média com os eventos climáticos que destruíram cerca de 28 a 45% das lavouras e/ou produção p/tonelada.

 

 

 

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