ARTES VISUAIS

Programação reúne mostras sobre arte indígena, território, pertencimento e experiências de cuidado e saúde

4º Ciclo Expositivo de 2026 da CAL reúne exposições sobre identidade, memória, território e cuidado. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

A Casa da Cultura da América Latina (CAL/DDC/DEX/UnB) iniciou, em 20 de agosto, o 4º Ciclo de Exposições de 2026. A programação reúne as exposições 3ª Mostra Etnomídia Indígena, com visitação até 30 de setembro, e Egbé e Diapedesis, práticas de cuidado em travessia, que seguem abertas até 17 de outubro.

 

As iniciativas tratam de pertencimento, identidade, memória, território e cuidado com o corpo a partir de abordagens como fotografia, arte gráfica indígena e produção têxtil. Segundo o diretor de Difusão Cultural do Decanato de Extensão (DDC/DEX), Gregório Soares, as propostas “deslocam o nosso olhar para sujeitos, saberes e comunidades a partir de suas próprias narrativas”.

 

Os ciclos expositivos da CAL são planejados anualmente a partir de projetos recebidos por meio da Convocatória Casa Aberta de Fluxo Contínuo. A ideia é reunir diferentes produções em um mesmo período de visitação, ampliando o alcance do público. Para esta edição, as propostas foram selecionadas pela Diretoria de Difusão Cultural (DDC) por sua capacidade de ampliar a missão institucional da CAL e o diálogo com a comunidade acadêmica.

 

CUIDADO E ARTE – Em Diapedesis, práticas de cuidado em travessia, a produção artística se aproxima das experiências de adoecimento e cuidado vividas no Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB). O projeto reúne trabalhos das integrantes do Grupo Analgesia, composto por pacientes, profissionais da saúde e artistas mulheres do HUB. Idealizada pela médica reumatologista Isadora Jochims e pela terapeuta ocupacional Helenice Vespasiano, a iniciativa promove encontros semanais para produção artística e reflexão sobre experiências individuais.

Exposição Diapedesis, práticas de cuidado em travessia aproxima arte, saúde e experiências do ambiente hospitalar. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

A mostra leva ao público discussões sobre saúde e ética, além de colocar em pauta a sobrecarga das mulheres relacionada às responsabilidades de cuidado: “A gente quer levar essa discussão sobre cuidado para a sociedade e mostrar que cuidar é responsabilidade de todos", afirma Isadora.

 

Com acompanhamento curatorial de Yana Tamayo, a seleção das obras foi pensada a partir da ideia de travessia e busca levar para o espaço museológico o ambiente hospitalar. É o caso dos trabalhos que trazem elementos do antigo ambulatório do HUB, como os cobogós, em referência às memórias construídas naquele espaço, e as teresas, amarrações que foram produzidas a partir de tecidos hospitalares.

 

A exposição conta com o trabalho de 16 artistas: Adelina Correa, Camila Calvet, Helenice Vespasiano, Isadora Jochims, Keite Marrone, Ligia Reis, Manoela Olesko, Maria Auxiliadora, Maria Iracema Gonzales, Marília Beatris, Ozália Guedelho, Regina Bernardes, Sara Carvalho, Rosângela Thomé, Rozeni dos Santos Ferreira e Zina Leal.

 

TRADIÇÕES AFRO-BRASILEIRAS – Egbé é uma exposição fotográfica que parte das ideias de comunidade e pertencimento ao território. O trabalho reúne imagens produzidas pelos artistas Pedro Berckamp, Lúkambíla e André Miranda, que fazem parte de comunidades de terreiros de tradição Ketu e Angola e registram os próprios territórios, suas famílias de santo, seus cotidianos, seus ritos e afetos.

 

A fotografia é entendida pelos artistas para além da imagem capturada: “Para a gente, [a fotografia] aparece como uma prática de convivência e de memória”, explica André Miranda, também membro da coordenação da exposição.

 

As obras também exploram processos fotográficos analógicos. As imagens são produzidas em filme e passam por etapas de revelação em laboratório. Parte delas é materializada em cianotipia, técnica de impressão que utiliza ação da luz sobre sais de ferro e produz imagens em tons de azul. Esses processo exigem tempo, espera e trabalho manual. Para André, “isso conversa muito com a própria ideia de memória e permanência que atravessa a exposição”.

3ª Mostra Etnomídia Indígena reúne diferentes formas de produção artística e cultural dos povos indígenas. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

MEMÓRIA E PROJEÇÃO – A 3ª Mostra Etnomídia Indígena apresenta o tema Festival de Impressos Indígenas e adota o formato de feira-festival. Produzida pela Oráculo Comunicação, Educação e Cultura e com curadoria de Gustavo Caboco, a mostra reúne produções de diferentes artistas e coletivos indígenas, entre literatura, artes visuais, moda, grafismos e outros impressos.

 

Este mês, o projeto também contou com atividades voltadas à produção e circulação da arte indígena, incluindo bate-papo de abertura e oficinas sobre comunicação e posicionamento de produtos indígenas, mercado para obras literárias e precificação de produtos. A iniciativa também se consolida como um espaço de memória e resiliência de diversos povos, protagonizando a produção intelectual e artística indígena.

 

A mostra reúne trabalhos de nomes como Isaías Miliano, Guarani Miguela Moura, Edson Benites (Jepa Filho), além dos coletivos REMBYAPÓ e Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky.

 

VISITE – O público pode conhecer as exposições por visitas espontâneas ou mediadas por estudantes da UnB que integram o projeto de extensão Casa Aberta. A iniciativa promove encontros entre os visitantes e os espaços da CAL, com mediações voltadas à produção cultural e à educação museal. Para esta opção, é necessário o agendamento pelo site da DDC.

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.