Para garantir a segurança da comunidade acadêmica no período da estação seca e em sua transição, a Prefeitura da Universidade de Brasília (PRC) tem realizado medidas para prevenir incêndios nos campi. A principal delas é o manejo estratégico da vegetação herbácea exótica e invasora, como braquiárias, capim-gordura e cana-do-reino, em diversas áreas. O objetivo é remover parte dessa vegetação, principalmente capins de médio e grande porte, em locais vulneráveis, de maneira a criar os aceiros, barreiras físicas de segurança em volta de espaços verdes que impedem o trânsito do fogo quando atinge a vegetação.
“Os aceiros são executados em áreas consideradas estratégicas para prevenção e mitigação de incêndios, priorizando locais próximos a edificações, vias de acesso, áreas de circulação e permanência de pessoas, perímetros cercados e setores com maior vulnerabilidade à propagação do fogo”, explica o coordenador de Paisagismo da Prefeitura (Cops/PRC), Madson Reis.
Ele explica que a vegetação invasora exótica, quando presente de forma massiva no Cerrado, pode alterar as características do fogo na área do bioma, o que oferece perigo tanto para a biodiversidade local quanto para a população. "Espécies invasoras possuem características que aumentam muito a intensidade do fogo, devido a seu porte e ao acúmulo de biomassa. Desta maneira, a ocorrência de incêndios descontrolados pode causar perda de biodiversidade, mortalidade de fauna e vegetação, degradação do solo, emissão de grande quantidade de fumaça e riscos diretos às pessoas, edificações e demais estruturas", observa.
Já foram implementados mais de 149 mil m² de áreas de aceiro nos campi, situadas nas proximidades da L3/Colina, do Hospital Veterinário (HVet), do Centro Olímpico, entre outros espaços do campus Darcy Ribeiro; e também em áreas verdes da Faculdade UnB Planaltina (FUP); da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde (FCTS), campus Ceilândia; e da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE), campus Gama.
Além das faixas de aceiro, em áreas mais sensíveis, podem ser implantados bolsões de segurança junto às edificações. “O planejamento dessas intervenções não é estático: ele pode ser revisto de acordo com as condições da vegetação, a sazonalidade, o histórico de ocorrências e a identificação de novos pontos de vulnerabilidade”, destaca Madson Reis.
Na fazenda Água Limpa (FAL), as ações preventivas são intensificadas no período de estiagem. “Além dos aceiros, é realizado o manejo preventivo da vegetação e do material combustível, reduzindo o acúmulo de gramíneas, galhos e resíduos vegetais próximos às edificações, estradas e áreas de Cerrado com maior risco”, conta Tiago Correia, diretor da FAL.
O QUE FAZER – A Prefeitura da UnB orienta a comunidade acadêmica sobre os cuidados para evitar incêndios e para lidar com eventuais ocorrências nos campi. Uma das recomendações é não jogar fogo na vegetação no período de seca mais intensa, que costuma ocorrer de agosto a outubro, e, em caso de incêndio, agir com extrema cautela. “A prioridade nesses casos é a segurança das pessoas”, diz Madson Reis.
A comunidade deve acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros Militar do DF pelo 193 e comunicar o Plantão de Segurança da UnB, pelo telefone (61) 3107-6222, informando a localização da ocorrência com a maior precisão possível.
O coordenador de Paisagismo lembra que pessoas sem treinamento e sem equipamentos adequados não devem tentar combater incêndios. É importante afastar-se das chamas e da fumaça, alertar outras pessoas próximas, seguir eventuais orientações de evacuação e manter livres as vias de acesso para as equipes de emergência. Não trafegue por locais com chamas ou fumaça densa: o melhor é deixar a área pelo lado oposto ao de avanço do fogo e da fumaça.
Se em local fechado, é mais seguro procurar áreas sem vegetação ou com baixa vegetação; deitar-se no chão, para evitar inalar a fumaça; e respirar, cobrindo nariz e boca com pano úmido. Para gestores de unidades e equipes de segurança, aconselha-se fechar saídas de gás, desligar chaves de energia e molhar áreas em volta da edificação com mangueiras ou sistemas de irrigação.
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FOGO PROVOCADO – Como lembram as pesquisadoras Isabel Schmidt, do Departamento de Ecologia do Instituto de Ciências Biológicas (ECO/IB), e Potira Hermuche, ligada ao Departamento de Geografia do Instituto de Ciências Humanas (GEO/ICH), o Cerrado convive com o fogo natural que é causado por raios na estação chuvosa. Porém, “mais de 90% do fogo detectado atualmente é provocado por ignição humana, que, se não estiver sob controle, pode gerar muitos danos”. “O objetivo da prevenção não é excluir qualquer fogo, mas evitar incêndios indesejados e reduzir seus danos e riscos”, dizem, em artigo recente publicado no portal da UnB.
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As docentes destacam que a maior parte das áreas dos campi é muito segura contra a propagação de incêndios, por não haver áreas com vegetação alta ou acumulada e pelo controle das espécies invasoras. Além disso, é feita a manutenção de aceiros, sendo a fumaça, que pode se deslocar e reduzir a visibilidade e qualidade do ar, o maior problema relacionado a um incêndio nas dependências da UnB.
“Pessoas com doenças respiratórias, idosos, crianças e outros grupos mais vulneráveis devem ter atenção especial durante episódios de fumaça intensa”, alertam.
O COMITÊ – As ações desenvolvidas pela Prefeitura integram iniciativas do Comitê de Enfrentamento às Emergências Climáticas. Criado este ano, o comitê tem discutido medidas para enfrentar os efeitos do El Niño e de eventos climáticos extremos. Em seu âmbito, têm sido apresentados estudos, diagnósticos e propostas para orientar a preparação de medidas envolvendo diferentes frentes, como comunicação com a comunidade, áreas de refúgio, condições térmicas dos espaços, monitoramento de riscos e prevenção de incêndios.
