OPINIÃO

Isaac Roitman é doutor em Microbiologia, professor emérito da Universidade de Brasília, coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro (n.Futuros/CEAM/UnB), membro tiular de Academia Brasileira de Ciências. Ex-decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, ex-diretor de Avaliação da CAPES, ex-coordenador do Grupo de Trabalho de Educação, da SBPC, ex-sub-secretário de Políticas para Crianças do GDF. Autor, em parceria com Mozart Neves Ramos, do livro A urgência da Educação.

Isaac Roitman

 

A Universidade de Brasília foi inaugurada, em 21 de abril de 1962, no auditório Dois Candangos, com a promessa de reinventar a educação superior, entrelaçar as diversas formas de saber e formar profissionais engajados na transformação do país. Alguns meses antes o Presidente da República João Goulart sancionou a Lei 3.998 que autorizou a criação da Universidade. Um trio de ouro, Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira e Oscar Niemeyer, foram os principais protagonistas desse ato de ousadia. Darcy definiu as bases da nova Universidade, Anísio planejou o modelo pedagógico e Oscar transformou as ideias em arquitetura contemporânea.

 

A experiência inovadora teve vida curta: 03 anos e 06 meses.  Em outubro de 1965 em ato de solidariedade à demissão arbitrária de 29 docentes, 223 professores se demitiram interrompendo os sonhos de seus criadores. A epopeia dos primeiros anos e a crise foram relatados pelo então coordenador geral dos Institutos Centrais de Ciências e Tecnologia, Roberto Salmeron no livro que se tornou um clássico na história da UnB: “A Universidade Interrompida Brasília 1964-1965”.

 

Lentamente nos 10 anos que se seguiram (1965 -1975) a UnB foi repovoada por Professores que criaram e consolidaram excelentes núcleos de ensino, pesquisa e extensão em várias áreas de conhecimento. Nessa fase de reconstrução a UnB teve de conviver com as atrocidades do regime militar, destacando-se a invasão de 1968 registrada no épico documentário de Vladimir Carvalho: Barra 68.

 

Atualmente a UnB tem a vocação de ser uma Universidade inclusiva e de qualidade. Ela deve ser uma instituição inovadora redefinindo o papel dos Professores para que a aprendizagem seja prazerosa, com motivação e com o protagonismo dos estudantes. A valorização e a simetria  dos três pilares: ensino, pesquisa extensão deve ser uma meta importante. Tendo em vista o precário ensino básico no país é uma prioridade o envolvimento da UnB e de outras Universidades para a melhoria do ensino básico. Não teremos uma Universidade de qualidade se os egressos do ensino básico não tiverem motivação, criatividade, imaginação e pensamento crítico. Nesse contexto a formação de professores contemporâneos para o ensino básico é fundamental. A presença permanente de estudantes do ensino básico na UnB é um importante para estimular os anseios e sonhos de nossas crianças e jovens.

 

Olhando para o futuro será importante a correta utilização dos avanços nas tecnologias de comunicação e informação e a substituição de aulas expositivas por análise de temas e resolução de problemas. A promoção e consolidação de valores e virtudes – a ética, a solidariedade, o diálogo, etc. – em todo o sistema educacional e sobretudo no ensino superior será importante para termos uma sociedade civilizada e ética, sem injustiças sociais e que proporcione uma vida digna a todos os brasileiros. A produção de conhecimento – pesquisa e inovação – deverá ter como foco a melhoria da qualidade de vida da sociedade. Os desafios são grandes para que tenhamos um Brasil sempre melhor. Viva os pioneiros da UnB. Viva a UnB.

 

 

 

Palavras-chave

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