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Ligada a projeto internacional, iniciativa levanta informações que serão aplicadas no Plano Diretor do campus. Formulário está disponível até 22 de abril

A pesquisa ocorre por meio de formulário on-line e investiga a experiência dos ciclistas nas ruas. Foto: Beto Monteiro/Secom UnB

 

O Grupo de Pesquisa em Comportamento em Transportes e Novas Tecnologias do Programa de Pós-Graduação em Transportes (GCTNT/PPGT/FT) lidera estudo que vai reunir dados sobre a mobilidade ciclística no campus Darcy Ribeiro, localizado na Asa Norte. O objetivo é desenvolver medidas de infraestrutura de transportes e mobilidade no Plano Diretor do campus, que está em tramitação na Universidade. Para tanto, foi desenvolvido questionário on-line, que pode ser respondido pela comunidade universitária até 22 de abril. 

 

A iniciativa envolve 51 países e surgiu do projeto Bike Baromenter, da Universidade de Valência (Espanha), que realiza pesquisas internacionais sobre mobilidade urbana e prevenção de acidentes envolvendo ciclistas.

 

>> Acesse o questionário on-line

 

O Plano Diretor vai orientar os gestores da Universidade nas decisões a respeito da utilização e apropriação do campus. “O GCTNT foi incumbido de levantar dados sobre infraestrutura, transporte e mobilidade. Estamos diante de uma situação complicada, porque precisamos de mecanismos que ajudem a compreender a realidade do deslocamento das bicicletas do ponto de vista do uso particular e privado”, explica o coordenador do GCTNT, o professor Pastor Willy Gonzales.

 

O coordenador compara o campus Darcy Ribeiro ao tamanho de 11 a 12 municípios brasileiros. “Significa que, se pensarmos em municípios, temos que ter um plano de mobilidade ativo que contemple pedestres, ciclistas e outros tipos de deslocamentos que não consomem combustível”, aponta.

 

“A expectativa é conseguir, por meio dos países participantes, abordar um perfil transcultural do ciclista. E, junto ao professor Willy Gonzales, entendo que o projeto amplia a percepção sobre as atividades dos ciclistas e inclui o plano de mobilidade que está sendo desenvolvido pela UnB”, destaca a coordenadora do Bike Barometer no Brasil, Zuleide Feitosa, docente e pesquisadora do PPGT.

 

Segundo Zuleide, os dados fornecidos pela pesquisa são importantes para garantir a segurança e, consequentemente, preservar vidas no trânsito. “Não me conformo com a morte gratuita de pessoas. O deslocamento de bicicleta é uma necessidade para uma porção da população brasileira, inclusive brasiliense, porque não tem condições de pagar uma passagem. Logo, a bicicleta é uma fonte de subsistência”, afirma.

Os docentes Zuleide Feitosa e Pastor Willy coordenam a pesquisa com foco em fatores e fenômenos que colocam em risco a segurança e o bem-estar de ciclistas no campus Darcy Ribeiro. Foto: Arquivo pessoal

 

PEDALAR NA UnB – O docente Pastor Willy Gonzales, coordenador do GCTNT, explica que o campus Darcy Ribeiro testa há anos formas de concretizar o uso da bicicleta. Um exemplo é o coletivo Bicicleta Livre, que promovia o uso gratuito do meio de transporte. “A ideia nasceu com um caráter utópico em que estudantes se responsabilizariam e, infelizmente, se encerrou porque alguns usuários utilizavam as bicicletas e não devolviam ao local de retirada”, lembra.

 

Em um segundo momento, houve a primeira instalação de serviço pago de estações de bicicletas compartilhadas no campus, entre 2017 e 2018. Em 2022 a oferta foi restabelecida, com outra empresa. “Oitenta e cinco por cento das pessoas circulam a pé no campus Darcy Ribeiro. Imagine o conflito existente entre ciclistas, pedestres, automóveis e ônibus”, reflete.

 

O coordenador reforça que os dados coletados na pesquisa vão fornecer subsídios para as políticas institucionais, que servirão de suporte para a implementação do Plano Diretor, e para Brasília também, de um modo mais amplo. “A questão também é segurança e políticas que devem estar incluídas, porque o campus não está isolado, ele é integrado aos bairros de Brasília. O que é visto, contudo, são vias de alta velocidade, como as avenidas da L2, L3 e L4, localizadas na Asa Norte. E consequentemente restringem o deslocamento dos ciclistas”, pondera.

 

SEGURANÇA NO TRÂNSITO – O GCTNT, em parceria com o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran), realizou uma campanha em celebração aos 27 anos da faixa pedestre, na via em frente ao Restaurante Universitário (RU) do campus Darcy Ribeiro, em 1º de abril. O intuito é iniciar um conjunto de trabalhos focados na segurança de trânsito no campus.

 

“Iniciamos com a faixa de pedestre comemorando os 27 anos da sua criação. a partir da noção de segurança no trânsito para a população jovem, que está apta a compreender, questionar e discutir. Foi um primeiro passo, o próximo será o Maio Amarelo, no dia 22 de maio”, destaca Pastor Willy. A última ação será em 18 de setembro, na qual a via do RU e seus acessos serão bloqueados para criar um espaço para fomentar ações de segurança no trânsito.

 

É RAPIDINHO! – O questionário demanda apenas 10 a 15 minutos para ser preenchido e aborda o ambiente com pedestres e ciclistas e a percepção sobre os perigos assumidos ao se deslocarem. “Apenas o fato de responder ao formulário pode conscientizar sobre o risco de acidente e gerar um sentimento de preservação à vida do outro”, aponta a coordenadora do Bike Barometer no Brasil, Zuleide Feitosa.

 

*estagiária de Jornalismo na Secom/UnB.

 

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